Se não houvesse hipocrisia

Caro Consumidor: Fique ciente que essa redução tarifária incluída em sua conta se deve exclusivamente às empresas estatais, que, no leilão, não tiveram outro jeito senão vender energia a “preço de banana”. Algumas empresas públicas, responsáveis por uma expansão da oferta que multiplicou por “” />20 a capacidade instalada brasileira em 50 anos, tiveram que entregar energia pelos próximos 8 anos por menos de US$ 20 cada MWh. Certamente um recorde mundial de “liquidação” duradoura! Saiba que, enquanto isso, todos os outros componentes do preço aumentaram: a tarifa de transmissão subiu 600% desde 1999, os contratos privados permanecem intocados corrigidos pelo IGP-M, os combustíveis utilizados pelas térmicas sobem com o preço do petróleo, os impostos e o custeio de toda a complicada rede institucional do setor também aumentaram, dada a profusão de órgãos criados. Finalizando, gostaríamos de informar que a “liquidação” de hoje pode ser o racionamento de amanhã!







Leilão vai reduzir reajuste da Light em 2,96% (Globo 10/12)



BRASÍLIA. O leilão de energia “velha” (já existente no sistema), promovido pelo governo na última terça-feira, reduzirá em 2,96% o reajuste a ser promovido pela Light — que atende a boa parte da Região Metropolitana do Rio — em novembro de 2005, data em que é feita a revisão das tarifas da distribuidora. A informação foi divulgada ontem pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que calculou o impacto para o consumidor dos preços mais baixos negociados na megavenda de energia.



Nas 66 localidades atendidas pela Ampla (antiga Cerj) no Estado do Rio, o percentual de aumento da tarifa será reduzido em 3,69%, de acordo com a Aneel.



No leilão, as distribuidoras compraram energia por um preço mais baixo do que o atual, e são obrigadas a repassar esse benefício integralmente ao consumidor. Esses percentuais de redução divulgados pela Aneel significam a queda de receita que as distribuidoras vão ter ao vender, em 2005, uma energia com preço menor que o deste ano.



A Light, que aos preços antigos cobraria pela energia comprada R$ 4,242 bilhões, agora terá R$ 4,116 bilhões em 2005. No caso da Ampla, a receita diminuirá de R$ 1,943 bilhão para R$ 1,871 bilhão.



Estimativa preliminar previa redução média de 5%



Isso não significa que as tarifas vão cair no ano que vem, à época dos reajustes anuais, mas sim que deverão subir menos. Os cálculos da Aneel tiveram como objetivo demonstrar que o custo menor de compra de energia chegará ao bolso do consumidor. Portanto, somente se todos os demais fatores que influem para o aumento ficassem constantes até o fim do próximo ano — quando as tarifas no Rio passarão por revisão — a conta de luz ficaria mais barata.



Como serão acrescidos a variação do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), o peso dos encargos sobre o setor e outras variáveis, deverá haver reajuste — mas ele será menor. Por exemplo, se esses custos somarem 10%, deste percentual serão abatidos os 2,96% economizados pela Light no leilão — o que daria um índice final de pouco menos de 7%.



Segundo técnicos do órgão fiscalizador, os consumidores mais beneficiados do país serão aqueles atendidos pelas distribuidoras Santa Cruz, que abrange 41 municípios nos estados do Paraná e de São Paulo, e Eletropaulo, responsável pelo fornecimento de eletricidade ao maior número de residências de São Paulo. Nesses casos, as reduçõespoderão chegar a 4,84% e 4,42%, respectivamente.



Anteontem, a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, havia dito que a queda média no país seria de 5%, segundo cálculos preliminares da Aneel. No caso da Light e da Eletropaulo essa média seria ainda maior. Mas a própria ministra alertou, na ocasião, de que se tratava de uma estimativa. Ontem, a agência refez as contas e corrigiu o percentual de impacto: ele é de 2,5% para os consumidores das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.



Os consumidores das regiões Nordeste e Norte não serão beneficiados. As distribuidoras nordestinas terão uma receita com a energia comprada esta semana em média 0,06% maior. O percentual sobe para 0,65% no Norte.



A ministra disse anteontem que o governo fará novo leilão de energia entre o fim de fevereiro e o início de março, para entrega em 2008 e 2009, e que a tendência é que os preços variem de R$ 90 a R$ 105 o megawatt (MW) médio. No leilão desta semana, a média foi de R$ 57,51 para 2005.

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