Um parafuso a menos

Se você fosse um produtor de parafusos, por exemplo, e o governo cancelasse seus contratos de fornecimento, apesar de sua fábrica vender barato, fazendo com que você assistisse sua venda cair 50%, só isso, já seria uma situação de enorme desvantagem. Só que seu drama não acaba ai. Nesse filme o governo também obriga sua fábrica a continuar produzindo e vendendo parafusos por um preço baixíssimo fornecido por um programa de computador com critérios bastante contestáveis. Quem compra esses parafusos são outras fábricas que param sua produção e vendem seus parafusos por até 10 vezes mais. Terrível, não? Ai, nesse cenário de sobra de capacidade de produzir parafuso no mercado, o governo inventa um complicado leilão onde você tem a oportunidade de deixar de vender seu parafuso pelo preço do computador. Você joga tudo nessa oportunidade e consegue vender bem abaixo do que você gostaria, mas bem melhor do que o preço vil. E ai, pasme! Você ainda é acusado de jogar o preço para baixo afastando os futuros investidores em fábricas de parafuso!



Decididamente, há um parafuso a menos na cabeça de alguém.


Veja nossos comentários no corpo da notícia abaixo.







Eletronorte e Chesf derrubaram preços em leilão – Valor 9/12


Leila Coimbra, Daniel Rittner e Cláudia Schuffner De São Paulo, Brasília e do Rio



Eletronorte e Chesf foram as responsáveis pela baixa nos preços da energia no leilão realizado terça-feira, segundo executivos do setor. As duas têm a segunda e a terceira tarifas mais baixas do mercado. Por isso, tiveram vantagem em relação às demais e venderam quase a totalidade do que ofertaram. A Cemig, que tem os preços mais competitivos do país, manteve uma posição cautelosa e ficou com sobra de energia. Segundo fontes, a empresa espera vender esse excedente para consumidores livres.



A Eletrobrás, que controla Chesf e Eletronorte, perdeu R$ 5 bilhões de valor de mercado em dois pregões da bolsa, com queda de 21,54% no preço de suas ações. O presidente da Eletrobrás, Silas Rondeau, considerou o resultado positivo e lembrou que há sete dias as ações estavam no mesmo preço de ontem.



A ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, contrariou a análise pessimista do mercado. Disse que o leilão trará uma redução média de 5% nas tarifas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.



Energia deve cair 5% para consumidor


Daniel Rittner De Brasília



………….



Segundo a estimativa da ministra, o leilão de energia “nova”, a ser realizado provavelmente em abril, deverá apresentar preços superiores a R$ 90 por megawatt-hora (MWh), podendo chegar a patamar próximo de R$ 110.



………



“A tendência é que a curva de alta continue”, afirmou Dilma, confessando ter ficado surpreendida com o preço de R$ 57 para 2005 – ela achava que a cotação não desceria a tal patamar. “Mas o leilão não pode ser visto com o pessimismo que alguns estão enxergando. Os preços vão subir.”



……….



Um exemplo de que as duas coisas estão desvinculadas é a experiência dos investidores em linhas de transmissão, disse a ministra. De acordo com ela, a taxa de retorno desses investimentos chegou a ser negativa. Pudera! Para favorecer a privatização da geração o governo anterior fixou a tarifa de transmissão para que a sua rentabilidade fosse zero! Nem por isso houve falta de interessados nos leilões recentes de transmissão, que ofereciam perspectivas bem melhores. “Mesmo que esteja chovendo canivete e o preço de energia no mercado spot estiver baixo, a cotação da energia nova será alta.”



Cálculos preliminares feitos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e anunciados por Dilma apontam que o preço da energia para os consumidores finais terá redução média de 5%, no próximo ano, em conseqüência dos novos contratos. A redução entrará em vigor (sem levar em conta a reposição da inflação) gradualmente, de acordo com a data de aniversário dos contratos, quando costuma haver as revisões ordinárias de tarifa. Na região Nordeste, o efeito será zero, segundo Dilma.



A ministra afirmou que, no início do ano, começará a discutir com o setor a possibilidade de novos tipos de financiamento para usinas futuras. Além de conversas com o Banco Mundial, ela indicou que buscará reproduzir o modelo do Proinfa, com a atração de fundos de energia para investir em novos empreendimentos. “Sem financiamento, é impossível fazer investimento em infra-estrutura por 20 anos.”



Dilma não evitou respostas às afirmações do secretário estadual de Energia de São Paulo, Mauro Arce, para quem o leilão acentuou os problemas financeiros da Cesp. “Eu entendo perfeitamente o nervosismo dele, mas o nível de endividamento da Cesp não se resolve apenas pelo lado da tarifa”, rebateu a ministra.



Categoria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *