Sem acesso à energia

Estudo mostra que cerca de 2 bilhões de pessoas não têm acesso à energia


RIO – Os preços da energia precisam aumentar significativamente para reduzir o desperdício e remunerar as empresas que irão investir na ampliação do acesso. Esta á uma das principais conclusões do estudo do Conselho Mundial de Energia sobre energia e pobreza na América Latina e Caribe divulgado nesta sexta-feira, no Rio, durante o fórum regional do conselho.


Segundo a diretora do conselho Elena Nekhaeze, de 1,6 bilhão a 2 bilhões de pessoas não têm acesso à energia, o equivalente a um terço da população mundial. Além disso, o consumo é concentrado nos EUA e na América do Norte como um todo, onde cada habitante consome, em média, 15 a 20 vezes mais que o chinês ou indiano, por exemplo.


Estudo baseado em pesquisas junto à população pobre de Buenos Aires, Caracas e Rio de Janeiro mostra que o acesso à energia não é, no entanto, o maior problema nessas capitais, mas a insuficiência de renda. As três cidades têm em comum o fato de os subsídios à energia não estarem sendo revertidos totalmente em benefícios para as populações carentes.


Por isso, Norberto de Franco Medeiros, representante do conselho no Brasil, informou que entre as principais conclusões do estudo para esses locais, além do aumento de preço, é que o governo deveria redirecionar os subsidios para programas que tenham maior impacto sobre a redução da pobreza, como os que são atrelados à manutenção de crianças na escola.


Como estamos no Rio?


RIO – No Rio de Janeiro, o acesso à energia chega a 99,5% dos domicílios, mas a conta do serviço pesa 15,6% no orçamento das famílias de baixa renda. Segundo pesquisa realizada na Favela do Caju pelo Instiuto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro para o Conselho Mundial de Energia (CME), a renda familiar média daquelas famílias era de US$ 115 em 2005. Já em Buenos Aires, onde os mais pobres tinham renda familiar de US$ 176 em 2002, 7,6% eram gastos com energia. E apesar dos elevados subídios concedidos pelo governo, em Caracas a conta de energia correpondia a 3,3% do ganho das famílias de baixa renda, de US$ 226, informa o estudo sobre “Energia e pobreza na América Latina e Caribe”, apresentado durante o I Fórum Regional do CME, no Hotel Sheraton.


Em países desenvolvidos como o Reino Unido, onde famílias de baixa renda ganham US$ 1.800 e o gasto com energia chega a US$ 72,8, o peso do insumo é de 4,1%. Nos Estados Unidos, baixa renda equivale a US$ 1.609 por mês e a conta de energia fica em torno de US$ 83,7 (5,2% do total).



M.Louven – O Globo

Categoria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *