Disputa pela Light











SEIS GRUPOS SE PREPARAM PARA DISPUTAR A LIGHT






Em processo cercado de sigilo, interessados entregam propostas no dia 8. EDF anuncia vencedor até o fim do mês.

Executivos de seis grupos de investidores de peso trabalham em ritmo acelerado para concluir as propostas de compra da Light, distribuidora de energia elétrica em 31 municípios do Estado do Rio de Janeiro, controlada pela estatal francesa Electricité de France (EDF). As propostas terão de ser entregues na próxima quarta-feira aos bancos que coordenam a operação, o Citigroup e o Goldman Sachs.

O processo está sendo mantido em sigilo pelos coordenadores, que passam o mínimo de informações aos própios participantes. Os grupos têm de apresentar duas propostas: uma para a compra da Light e outra para a da termelétrica Norte Fluminense.

Ninguém sabe a quanto chegarão as ofertas. Um executivo envolvido no processo lembra que ao mesmo tempo em que os ativos da Light chegam a cerca de R$4,5 bilhões, as dívidas também se aproximam dessa cifra.

Com tanto segredo, os executivos não sabem detalhes de como será a escolha da proposta vencedora. A única informação que circula é a de que a EDF pretende anunciar o vencedor até o fim deste mês.


No mercado, os grupos que estão sendo considerados os mais fortes candidatos são o consórcio liderado pela GP Investimentos, que entre outros negócios controla a Cemar, distribuidora de energia no Maranhão; o consórcio mineiro liderado por Andrade Gutierrez e Cemig; e o consórcio Energia do Rio, comandado pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira.

O Banco Pátria e a canadense Brascan — que já controlou a Light antes de a distribuidora ser estatizada, em 1979 — também estão na disputa. O outro consórcio é formado por ex-dirigentes da AES, entre eles Tom Tribone, que se juntaram ao grupo financeiro americano Guggenheim Partners, administrador de US$100 bilhões em ativos em todo o mundo.

O consórcio Energia do Rio garante ser o único formado por cariocas comprometidos com o estado. O grupo criou um conselho com integrantes como o Eliezer Batista (ex-presidente da Vale do Rio Doce e ex-ministro de Minas e Energia) e Olavo Monteiro de Carvalho (presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro). A proposta social do grupo prevê a contratação de jovens nas comunidades carentes que ajudariam no combate aos furtos de energia. Outro plano é a criação de uma escola especial para desenvolver alunos dessas comunidades carentes com desempenho intelectual superior à média, e a oferta de cursos profissionalizantes para as pessoas dessas comunidades.

Em 2005, pela primeira vez em seis anos, a Light teve lucro de R$242,8 milhões. Ao mesmo tempo, a empresa criada há cem anos tem uma dívida total de R$3,4 bilhões e perdas de energia de 23,56%. (OGLOBO)

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