Seria o efeito do apagão? Se for, bendito raio, que pode partir um para-raio mas impede a cisão insensata e desnecessária.
Globo 18/09/99
Governo adia assembléia de cisão de estatais de energia
Roberto Cordeiro
BRASÍLIA. O Governo federal decidiu adiar as assembléias dos acionistas de Furnas, Chesf e Eletronorte previstas para o dia 30 de março, que aprovariam as cisões destas estatais. A medida poderá atrasar os leilões previstos para o segundo semestre deste ano, já que a cisão é um passo fundamental para a privatização das empresas.
A informação é do ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, que alegou haver a necessidade de a Eletrobrás, holding controladora, ter um prazo maior para explicar aos sócios o mecanismo de separação dos ativos.
De acordo com Tourinho, ainda não foi marcada nova data para a realização das assembléias. Com a cisão, serão criadas seis empresas geradoras de energia elétrica, para venda na Bolsa de Valores do Rio. As linhas de transmissão continuarão sob o controle da Eletrobrás até que se defina o modelo de privatização.
A outra etapa será separar estas empresas dos ativos da Eletrobrás e transferi-las para a União. O Conselho Nacional de Desestatização (CND) vai se reunir no dia 25 para analisar a questão e decidirá a nova data de realização das assembléias. O objetivo é criar duas geradoras com a separação dos ativos de Furnas; três empresas de geração de energia elétrica a partir da cisão da Chesf; e uma geradora seria constituída após a
separação dos ativos da Eletronorte.
O presidente do BNDES, José Pio Borges, estimou que o Tesouro poderá obter US$ 8 bilhões com a venda das empresas. Tourinho disse que há grupos privados interessados nas empresas e que, para ampliar o parque energético do país, é preciso investir R$ 30 bilhões em quatro anos.