São "só" 58 meses! Quase 5 anos! Ao final do mandato do próximo presidente ainda estaremos pagando por ter economizado. Na copa de 2006, … ainda estaremos pagando! É a primeira vez na histór …

São "só" 58 meses!


Quase 5 anos! Ao final do mandato do próximo presidente ainda estaremos pagando por ter economizado. Na copa de 2006, … ainda estaremos pagando! É a primeira vez na história da economia que um setor cobra faturas por um consumo que não houve. Pior! Estão faturando a venda de uma energia que nem existia, pois se existisse, não era preciso fazer racionamento.


De outro lado, vão pagar, nem se sabe como, pela energia das usinas "merchant", que por definição vieram para o país para correr riscos. Ou seja: No Brasil de FHC, nem os capitais que querem atuar com risco conseguem! Tudo o que o novo modelo conseguiu até agora foi aumento de custos.



Aneel decidirá período de cobrança de taxa extra (Estado de São Paulo 27/03/2002)


Reajuste de 2,9% para residências e de 7,9% para indústria e comércio deve durar no máximo 58 meses


GERUSA MARQUES


BRASÍLIA – Nos próximos 30 dias a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidirá o tempo exato que cada distribuidora de energia elétrica terá para cobrar o reajuste nas tarifas, de 2,9% para os consumidores residenciais e de 7,9% para o comércio e a indústria. As distribuidoras que têm um perfil de consumidor eminentemente residencial e com maior número de clientes de baixa renda deverão cobrar a taxa extra por mais tempo.


Esse aumento, decidido no fim do ano passado pela Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), servirá para cobrir as perdas das distribuidoras com o racionamento e com a parte dos custos não controlados pelas empresas, como a energia comprada de Itaipu, cujo preço varia de acordo com a cotação do dólar.


A estimativa da GCE é de que o período máximo de cobrança do reajuste, iniciado em janeiro, seja de no máximo 58 meses. Porém, somente com a conclusão dos estudos da Aneel será possível saber por quantos meses os consumidores terão de pagar uma conta mais cara.


A análise, no entanto, depende de outros fatores. Mesmo que determinada empresa tenha um mercado industrial representativo, ela pode ter um volume maior de perdas, como ocorre com a maioria das grandes distribuidoras. Outra questão é o peso de Itaipu – que abastece a maioria das empresas do Sul e do Sudeste – no total da energia comprada.


Para saber o tamanho da perda em reais, a Aneel está considerando três fatores: a queda na arrecadação das 43 distribuidoras da área sob racionamento (Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste), ocorrida de junho de 2001 a fevereiro de 2002, a energia livre negociada no Mercado Atacadista de Energia (MAE) nesse período e o déficit com os custos não-gerenciáveis registrado de 1.º de janeiro a 25 de outubro do ano passado. Esta última é válida para as 67 distribuidoras de todo o País.


Abaixo do previsto – O presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos, reconheceu ontem que o nível dos reservatórios que abastecem as usinas hidrelétricas na região Nordeste não alcançará a previsão de 70%, feita no início do mês. Segundo ele, o volume de água nas barragens nordestinas deverá alcançar 64% no dia 31 de março.


"Setenta por cento seria excelente, mas 64% é muito bom", comentou Mário Santos ao chegar ao ministério de Minas e Energia para uma reunião da GCE.


Santos disse que apesar do nível estar abaixo da previsão, esse volume não compromete o abastecimento. "O nível dos reservatórios está muito acima da curva guia", disse referindo-se ao limite mínimo determinado pelo governo.


Segundo o boletim de acompanhamento da operação, divulgado pelo ONS, o nível dos reservatórios do Nordeste, chegou na segunda-feira a 63,07%, o que representa 13,26 pontos porcentuais acima da curva guia. No dia 25 de março do ano passado, o volume de águas nas barragens nordestinas era de 37,8%.

(AE)



Governo vai gastar mais de R$ 1 bi para compensar usinas térmicas (Estado de São Paulo 27/03/2002)


Comercializadora estatal assina contrato de compra de recebíveis com quatro geradoras


NICOLA PAMPLONA


RIO – O governo vai desembolsar mais de R$ 1 bilhão para compensar os prejuízos causados pela paralisação no Mercado Atacadista de Energia (MAE) nos resultados das térmicas já em operação no País. A Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial (CBEE) assinou, ontem, com quatro geradoras, os contratos de compra dos recebíveis pela venda da energia – documentos que garantem o pagamento futuro, pelo MAE, da eletricidade injetada no sistema interligado pelas usinas. Deste modo, a comercializadora estatal paga às empresas o que o mercado privado não vinha pagando.


As térmicas beneficiadas são a Macaé Merchant, da El Paso, a Eletrobolt, da Enron, a UTE Juiz de Fora, da Cataguazes Leopoldina, e a Fafen, da EDP. As duas primeiras já vinham gerando energia desde outubro, sem receber pela venda às distribuidoras. Só com a El Paso, a CBEE vai gastar R$ 387 milhões, entre o pagamento da energia já vendida e a compra de futuros recebíveis. A CBEE não quis detalhar a operação, que deve ser anunciada nos próximos dias pelo ministro de Minas e Energia, Pedro Parente.


Quando o MAE voltar a funcionar, a CBEE receberá, no lugar das geradoras, a receita pela venda da energia durante a duração do contrato, que prevê um desconto sobre o preço constante dos recebíveis. Ou seja, ela paga um pouco menos que as empresas têm a receber e é ressarcida depois pelo valor integral dos contratos.


Espera-se que as térmicas sejam acionadas com pouca frequência durante o ano, em virtude das chuvas que encheram os reservatórios das hidrelétricas.


As usinas devem ser acionadas mais por questão de segurança do sistema elétrico do que por necessidade hidrológica. Como ficam perto dos centros de consumo, são utilizadas para descarregar o sistema de transmissão.



Pendências afetam US$ 40 bi de investimentos, segundo associação (Estado de São Paulo 27/03/2002)


Abdib aponta falhas na definição legal e morosidade do Comitê de Revitalização do setor


RENÉE PEREIRA


O racionamento de energia acabou, mas a situação do setor elétrico continua indefinida. Segundo levantamento da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), cerca de R$ 40 bilhões de investimentos estão ameaçados em razão de pendências regulatórias do mercado. O valor corresponde a projetos de geração para acrescentar 22 mil Megawatts (MW) ao sistema entre 2002 e 2004, praticamente a contrução de duas usinas como Itaipu. "O problema é que o fluxo de capital ainda não está garantido", diz o presidente da Abdib, José Augusto Marques.

Na sua opinião, há barreiras sérias para o salto que o País precisa dar na área elétrica. Além do aperfeiçoamento do arcabouço legal para os contratos firmados, o andamento dos projetos depende da decisão rápida e implementação imediata das medidas apresentadas pelo Comitê de Revitalização do Setor Elétrico e da garantia da remuneração ao capital investido.


De acordo com o estudo, a conclusão dessas obras elevaria a capacidade instalada brasileira dos atuais 75,4 mil MW para 97,4 mil MW de potência nos próximos três anos, abaixo apenas dos Estados Unidos, Alemanha e França. Mas cerca de 75% dos recursos a serem injetados nesses projetos – R$ 29,3 bilhões – terão de vir da iniciativa privada.


São esses investimentos que garantirão a oferta de eletricidade a partir de 2004, já que durante os próximos dois anos a expectativa é que haja excedente de energia, afirmam especialistas. Mas o analista da Tendências Consultoria, Armando Franco, afirma que não será uma tarefa fácil, pois o quadro é critico.


Ele ressalta que além das pendências regulatórias do cenário interno, as matrizes das empresas investidoras de capital no Brasil estão em dificuldades e já mandaram recado que não vão injetar mais dinheiro na América Latina, casos da PPL, AES e Endesa. "Os investidores estão meio assustados com a realidade latino americana e, ao mesmo tempo, não temos regras definidas."

O estudo da Abdib prevê a entrada de operação de 24 hidrelétricas, 25 termoelétricas e dois projetos de importação de energia, além de 135 projetos de pequeno porte.



Consumo cai após fim do racionamento (Folha 27/03/2002)


HUMBERTO MEDINA

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA


O racionamento provocou redução espontânea de 10,76% no consumo de energia nas regiões Sudeste e Centro-Oeste e de 12,7% no Nordeste nos 25 primeiros dias de março em relação a março do ano passado, quando não havia crise de energia.

Em março de 2001 o consumo médio de energia ficou em 27.778,6 MW médios no Sudeste e Centro-Oeste e em 6.186,4 MW médios no Nordeste. Neste ano, o consumo nessas regiões ficou em 24.790,9 MW médios e 5.399,8 MW médios, respectivamente.


A informação é do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e mostra que, mesmo com o fim do racionamento no começo deste mês, a população está controlando seu consumo. Como a comparação é com o gasto médio, a inclusão dos dias que faltam para fechar março deste ano não altera substancialmente o dado.

A redução de consumo nas regiões Sudeste e Centro-Oeste equivale a aproximadamente o consumo médio esperado de todos os 3,2 milhões de consumidores da Light (RJ) em abril.

Apesar de haver redução de consumo em relação a março de 2001, houve aumento se a comparação for entre os meses de fevereiro e março deste ano. Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, o consumo foi 8,85% maior que o registrado em fevereiro. Na região Nordeste, 3,35%.


A área técnica do governo atribui o aumento acentuado do consumo em março, em relação a fevereiro, ao calor registrado nas últimas semanas. Com o calor, são ligados mais aparelhos de ar-condicionado.


O setor elétrico (governo, geradoras e distribuidoras de energia) estima que o ano de 2002 termine com uma redução espontânea de consumo médio de 7%. A redução se deve aos hábitos de economia adquiridos durante os nove meses de racionamento -junho de 2001 a fevereiro deste ano.


O presidente do ONS, Mário Santos, admitiu ontem que os reservatórios das hidrelétricas do Nordeste não atingirão os 70% da capacidade até o fim do mês, como o governo inicialmente previa.


Apesar da redução de expectativa, o nível de água dos reservatórios na região Nordeste continua acima do esperado pelo governo. Na última segunda-feira, os reservatórios estavam com 63,07% de sua capacidade -13,26 pontos percentuais acima da curva guia.


No Sudeste e Centro-Oeste, os reservatórios estavam com 68,33% de sua capacidade na segunda-feira, 15,94 pontos percentuais acima do esperado.


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