Tudo como previmos! O governo, amigo dos capitais internacionais, donos das distribuidoras, vai aos poucos cedendo às pressões. Ontem mesmo (6/9/2001), no meio de 10 Medidas Provisórias, concedeu reajuste extraordinário de tarifas. Pela lei elas só poderial ser alteradas anualmente. Mas…. Afinal, quanto vale a lei no Brasil? Nada! Portanto, mudem-se as leis! Observe-se a quantidade de custos provenientes do novo modelo do setor (trecho em azul da reportagem). Isso apenas para citar os estruturais. Ainda há os decorrentes da incompetência dos nossos governantes…. Enquanto isso, o governador Jaime lerner, que não pode sair às ruas de Curitiba, insiste em dar a COPEL….
Energia mais cara
Vem aí fundo para absorver câmbio
GABRIELA LEAL
BRASÍLIA – O governo cedeu à pressão das distribuidoras de energia e vai criar um fundo para absorver a variação cambial que incide sobre os custos não gerenciáveis das empresas, entre eles a energia adquirida de Itaipu e o subsídio no preço da energia gerada por termelétricas a óleo combustível. O resultado será uma tarifa mais cara, a partir de 2002, para os consumidores residenciais e industriais.
O reajuste será maior porque, além dos impactos da alta do dólar, os consumidores pagarão pelos custos de administração desse fundo, informou ontem o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Luiz Perazzo. No próximo ano, as tarifas serão reajustadas também em razão da compra de energia emergencial que visa a reduzir o percentual de racionamento em 2002. Além disso, novas térmicas, com custo de geração maior do que as hidrelétricas, entrarão em operação, onerando as empresas e afetando as tarifas.
Crise – O mecanismo de contabilização, que ainda precisa ser regulamentado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), está em uma das dez medidas provisórias publicadas no Diário Oficial da União de ontem. ”O setor elétrico passa por uma crise e não se podia dar as costas às perdas financeiras das distribuidoras”, disse Perazzo.
Atualmente, as concessionárias assumem os custos da variação cambial sobre o preço da energia adquirida de Itaipu e do óleo combustível durante um ano. O repasse é feito na época dos reajustes anuais previstos nos contratos. A Aneel utiliza a cotação do dólar na data do último reajuste e a que antecede o novo aumento, não incluindo a variação dentro dos 12 meses no reajuste. O novo mecanismo é semelhante ao que o governo usou para solucionar o problema do preço do gás natural importado da Bolívia. A Petrobras absorve e corrige os gastos com a variação cambial e repassa às empresas ao final de um ano.
No caso da energia, provavelmente a Eletrobrás será a responsável por contabilizar a variação cambial. O valor deverá ser corrigido pela selic (taxa básica de juros) para compensar os custos da estatal. Na época do reajuste, que varia de empresa para empresa, a Eletrobrás apresentará a conta às distribuidoras, que automaticamente repassarão os valores às tarifas de energia.
Composição – Os custos não gerenciáveis das distribuidoras, também chamados de parcela A, representam até 45% dos gastos das distribuidoras, no caso das 17 concessionárias de energia que compram energia de Itaipu, entre elas a Light e a Cerj. Eles são formados pelos encargos setoriais (Reserva Global de Reversão, Conta de Consumo de Combustível e taxa de fiscalização da Aneel), pela compra de energia de Itaipu, pelos encargos de transmissão e de utilização da rede básica, além do pagamento de taxa ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Havia, ainda, a contribuição para a Administradora do Mercado Atacadista de Energia (Asmae), suspensa por suspeita de fraude na utilização dos recursos.
Todas as regiões incluídas no racionamento de energia não conseguiram atingir os 20% de redução do consumo estipulados pelo governo no início deste mês. A economia de energia nos cinco primeiros dias de setembro foi de 18,1% no Sudeste e Centro-Oeste, de 19,9% no Norte e de 18,4% no Nordeste. JB 7/9
PRIVATIZAÇÃO
Fórum Popular do Paraná questiona o preço mínimo da venda da Copel
O valor do lance mínimo do leilão da Copel, que está marcado para 31 de outubro, fixado em R$ 4,3 bilhões, será questionado judicialmente. A iniciativa é do Fórum Popular Contra a Venda da Copel, movimento que reúne mais de 400 entidades da sociedade civil.
O grupo alega que o governo do Paraná e o consórcio responsável pela modelagem da companhia "subavaliaram" a Copel.De acordo com o presidente do Fórum, Nelton Friedrich, existe um índice praticado mundialmente no setor elétrico que varia de US$ 1,2 milhão a US$ 1,5 milhão por megawatt instalado.
Como a Copel possui 4.545 MW em usinas, só o parque gerador da companhia estaria avaliado hoje em mais de US$ 6 bilhões, estima Friedrich.
Outro argumento que será usado na ação para rever o preço mínimo é um estudo, feito pelo Sindicato dos Engenheiros do Paraná, que avaliou em R$ 25 bilhões os bens físicos da Copel.
Esse valor, segundo Friedrich, teria ainda de ser acrescido em 40%, referente a ativos intangíveis, como marca, tecnologia e mercado. (DA AGÊNCIA FOLHA, EM CURITIBA)
Petrobras terá que fazer novo duto para transportar gás natural das jazidas até início do gasoduto Brasil-Bolívia
Gasoduto estreito pode atrasar termelétrica
GUILHERME BARROS
EDITOR DO PAINEL S.A.
O programa emergencial das termelétricas sofre a ameaça de um novo atraso. A Petrobras corre o sério risco de não ter disponível todo o gás boliviano necessário para atender as termelétricas que deverão ficar prontas para começar a operar em 2003.
O problema é que a Petrobras enfrenta dificuldades para transportar o gás do sul da Bolívia, onde estão as jazidas, até a cidade boliviana de Rio Grande, onde começa o gasoduto Brasil-Bolívia.
Diante dessas dificuldades, a Petrobras decidiu acionar o Plano B, que é o de investir US$ 400 milhões na construção em ritmo acelerado de um novo gasoduto na Bolívia, de 450 km de extensão, com o objetivo de levar os 30 milhões de metros cúbicos de gás por dia que serão necessários para atender o programa de termelétricas a partir de 2003. O gasoduto ligaria a região das jazidas, no sul da Bolívia, a Rio Grande.
A construção de um novo gasoduto com essa extensão irá demorar pelo menos um ano, mesmo com toda a operação de guerra montada pela Petrobras para evitar atrasos no suprimento de gás.
A Petrobras enfrenta também uma série de dificuldades burocráticas do governo boliviano à aprovação desse projeto. A Folha apurou que a Petrobras precisa dessa licença até o final do ano para poder iniciar as obras em tempo hábil. Ou seja, no início de 2002. Caso não obtenha a aprovação nesse prazo, o abastecimento de gás a partir de 2003 poderá ficar comprometido.
A construção do gasoduto boliviano não era a primeira opção da Petrobras. A estatal dava como certa a aquisição de uma parte da Transredes (uma empresa da Enron e da Shell), que já possui dois gasodutos ligando a região das jazidas de gás a Rio Grande.O objetivo da Petrobras era de se tornar sócia da Transredes para ampliar os dutos que já existem ligando o sul da Bolívia a Rio Grande. Seria uma opção mais rápida e por um quarto do preço da da construção do novo gasoduto.
A Petrobras fez uma oferta recente pela parte da Enron na Transredes, mas até agora não obteve a resposta. A Shell, como é sócia da empresa, ainda não decidiu se irá ou não exercer o seu direito de preferência (de adquirir a parte da Enron). A Folha apurou que a Petrobras considerou excessiva a demora por parte da Shell em tomar a decisão. Por isso, decidiu acionar o seu Plano B (a construção do gasoduto).
A Petrobras não contava com o excesso de burocracia do governo boliviano na aprovação do projeto. Na segunda-feira passada, o presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, teve encontro em La Paz com o novo presidente da Bolívia, Jorge Quiroga, para pedir seu empenho no projeto.
Para 2002, a Petrobras jura que o fornecimento de gás está garantido com a entrada em operação da estação de compressão de Yacuses, em Rio Grande. Com isso, o suprimento de 17 milhões de metros cúbicos de gás por dia previsto para o ano que vem estará garantido.
A ameaça de falta de gás se situa principalmente em 2003, quando se prevê uma necessidade de 40 milhões de metros cúbicos por dia para atender as termelétricas.
De qualquer forma, a Petrobras já começa a estudar uma terceira alternativa caso não consiga nem iniciar a obra do gasoduto em tempo hábil nem fechar a compra de parte da Transredes. Uma das idéias é a de acelerar o aproveitamento do gás de Campos (RJ).