Uma manipulação de dados interessante:
Agora acharam um novo culpado pelo racionamento. O governo divulgou alguns gráficos que sugerem que o problema está no passado. Além da chuva, culpam também a falta de investimentos de governos anteriores.
O ILUMINA continua examinando os dados e não consegue chegar a mesma conclusão! Senão vejamos:
Esse é o gráfico mostrado pela ANEEL e agora, até pelo Presidente FHC.
Em primeiro lugar há números estranhos nessa figura:
No período 1996-2000, os 15.502 MW divulgados como capacidade instalada nova incluem importações da Argentina e Uruguai (que são capacidades instaladas, mas de outros países) , que nem conseguiram ser totalmente realizadas, pois havia limitações de transmissão. Incluem também, e aí com um grave erro conceitual, uma capacidade instalada de 1000MW associada à linha de transmissão que interliga os sistemas Norte – Sudeste. Ora, linhas de transmissão não geram energia! O que está associado à LT Norte -Sul é um aumento de oferta de energia garantida que é radicalmente distinto de aumento de capacidade. É apenas uma maleabilidade extra do sistema em alocar recursos hídricos. Não há novas usinas. Mesmo assim, durante o ano de 2000, não se conseguiu realizar a meta que a ANEEL cita. Apesar de não representarem muito, incluem também pequenas centrais hidráulicas que nem estão todas conectadas ao sistema interligado.Portanto, rasparam o tacho para conseguir um número tão alto. Tratados desse modo, os dados passam a servir a uma determinada tese. A arrumação dos dados nesses quinquenios é muito conveniente mas esconde uma outra realidade. Vejam a análise do ILUMINA: Trabalhamos com dados oficiais do SIESE (Eletrobrás). Não consideramos justo incluir dados que não reflitam investimentos realizados em geração e no Brasil! O gráfico abaixo mostra, ano a ano, desde 1980 o aumento do consumo e o aumento da capacidade instalada. O que interessa é a comparação entre consumo e capacidade e não apenas a capacidade como mostra a ANEEL.
Para entender, um exemplo: O ano de 1985 apresentou um aumento de consumo de 10%, e um aumento de capacidade de 7%. Portanto um déficit de 3%. Como o sistema brasileiro acumula água por vários anos, esse déficit não chegou a ser um problema. Fazendo um balanço da década de 80, ou seja, compensando déficits e sobras de um ano para o outro, o quadro geral está mostrado no gráfico a seguir.
Portanto a década de 80 começou bem, mas, enfrentando aumentos de consumo da ordem de 12% em um só ano, terminou com um déficit de 6,5%. Vejamos a década de 90. Zera-se tudo e faz-se o mesmo balanço ano a ano. Eis o resultado:
Vejam que mesmo enfrentando aumentos de consumo muito menores ( o recorde foi 6% em 97) a década de 90 faz feio! E pelo gráfico, não dá para culpar o governo Itamar Franco! O problema começa em 94. A década chega ao final com um déficit de capacidade em relação ao mercado de quase 10%. E observem a "barriga" do período 1995-1998. Ai está o esvaziamento dos reservatórios ! Perguntem a ANEEL como foi o regime de vazões dos anos 1996, 1997, 1998. Choveu acima da média! Por isso só tivemos problema agora. Enquanto isso a ANEEL e as autoridades do governo mantinham a palavra que estava tudo bem. Infelizmente, continuam com a mesma tática. Na realidade toda essa comparação de consumo e capacidade, tanto feita pela ANEEL com a apresentada aqui, está impregnada de um erro conceitual grave. A bem da verdade o que deveria ser comparado com o consumo é a "energia garantida" das usinas e não a capacidade instalada. Essa grandeza é que dá a real capacidade de gerar energia sob um critério de garantia ou confiabilidade. Esse dado, muito comum na década de 80, agora está abandonado, pois, foi justamente o critério de garantia que foi relaxadao e modificado pelo modelo de mercado. Nem a ANEEL nem o ILUMINA conseguem mais fazer essa análise pois quem resolve qual é o critério de garantia … é o mercado!!!! E o mercado, infelizmente senhores consumidores, decidiu que a grantia é nehuma!