25 de abril de 1997 Trens metropolitanos são destruídos na zona leste de SP CARLOS RYDLEA queda da energia elétrica no início da noite de ontem resultou na destruição de três va …

25 de abril de 1997







Trens metropolitanos são destruídos na zona leste de SP

CARLOS RYDLE

A queda da energia elétrica no início da noite de ontem resultou na destruição de três vagões de uma composição da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), em Engenheiro Goulart, na zona leste de São Paulo. Revoltados com a paralisação da linha, alguns passageiros atearam fogo em um dos carros – as chamas atingiram outros dois. Duas cabines de controle da linha também foram depredadas. No momento do tumulto, havia cerca de 1,5 mil pessoas na estação ferroviária.

O problema começou às 18h50, quando os passageiros foram informados por meio de um alto-falante da interrupção, que terminou afetando toda a Variante Leste da CPTM. Depois de aproximadamente 15 minutos, teve início o incêndio no penúltimo vagão de um total de seis carros. “Eu estava bem ali e não percebi direito como a coisa aconteceu”, comentou a telefonista Márcia Pereira dos Santos, de 18 anos. “Só senti o cheiro de fumaça, vi o corre-corre, as pessoas xingando o maquinista e outras jogando algumas pedras.”

O segurança Rogério Batista da Silva, de 32 anos, observou que, pouco antes da confusão, muitas pessoas reclamava da espera. “Elas ficavam gritando que queriam o dinheiro de volta”, relatou. “Mas ninguém teve muita paciência para esperar por uma solução.” Diante dos ânimos exaltados, a ajudante-geral Sandra Regina Fernandes, de 37 anos, cometou que só teve tempo de correr. “Nem pensei em mais nada”, acrescentou. “Também fiquei apavorada porque não consegui encontrar uma colega e resolvi sair do meio do povo.”

Sandra acredita que a revolta de ontem não foi um fato isolado. “Tem pouco trem, eles estão sempre superlotados e todo o dia tem um tipo de problema”, observou.

A ajudante-geral, que havia embarcado na Estação Roosevelt, no Brás, contou que a composição na qual ela viajava anteotem também parou. “Foi ficando devagarinho até não andar mais e muitas pessoas chegaram a pé até a estação, caminhando pela linha”, ressaltou. “Até hoje eu só não perdi o emprego porque meu patrão entende que o transporte é muito ruim.” Até as 21 horas de ontem, Sandra, que mora no extremo leste da cidade, ainda permanecia nas imediações de Engenheiro Goulart, esperando pela carona de uma amiga. “Quero ver como vou trabalhar amanhã.”





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