O GLOBO 28.11.97 Grupo Rede e Inepar compram a Cemat Pela primeira vez, o capital estrangeiro não participou de uma privatização do setor elétrico: dois grupos brasileiros disputaram o leilão de ve …

O GLOBO 28.11.97



Grupo Rede e Inepar compram a Cemat






Pela primeira vez, o capital estrangeiro não participou de uma privatização do setor elétrico: dois grupos brasileiros disputaram o leilão de venda do controle da Centrais Elétricas Matogrossenses (Cemat), distribuidora de energia do estado do Mato Grosso. Mesmo assim, o leilão foi muito disputado. Foram 95 lances e, ao fim de uma hora, o consórcio do grupo paulista Rede arrematou a empresa por R$ 391,5 milhões, com ágio de 21% sobre o preço mínimo. Foram vendidos 86,91% do capital da companhia.

O Grupo Rede, distribuidor de energia nos estados de São Paulo, Minas, Paraná e Tocantins, e a Inepar, empresa paranaense que atua no setor de energia e de telecomunicações, foram os vencedores. Apesar de a Cemat ser considerada a menos atrativa do setor – ela tem um alto nível de endividamento e exige pesados investimentos – o consórcio pagou ágio sobre o preço mínimo de R$ 323,3 milhões. O outro grupo que disputou o leilão foi o Cataguazes Leopoldina, que distribui energia no interior do estado de Minas Gerais.

Participaram do leilão, além do presidente da Bolsa do Rio, Fernando Opitz, o governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira (PSDB-MT), e o presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio.

O modelo do leilão foi de envelope fechado. Estava previsto, porém, que se a diferença entre as propostas fosse inferior a 10%, a disputa passaria a ser de viva voz, através de lances. O consórcio do Grupo Rede apresentou o preço de R$ 358,8 milhões e a Cataguazes, de R$ 370 milhões. Como a diferença entre as duas propostas foi inferior a 10%, o leilão prosseguiu por lances e acabou dando vitória ao consórcio Rede/Inepar.

– Se a sistemática fosse só de envelope fechado, a Cemat teria sido vendida por R$ 370 milhões. Com a combinação, o ágio passou de 14,43% para 21%. Se ganhou 7% no ágio – comentou, em Brasília, o ministro do Planejamento, Antônio Kandir.

O presidente do Grupo Rede, Jorge Queiroz, disse que uma das prioridades será atender a 15 municípios que não têm luz e acabar com a demanda reprimida.

O governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira, disse que, dos R$ 170 milhões que irão para o estado, cerca de R$ 100 milhões serão utilizados para a atualização do pagamento de salários e décimo terceiro dos servidores. O restante será usado em obras sociais. Outros R$ 140 milhões ficarão com a Eletrobrás, e R$ 35 milhões com o BNDES.

Queiroz disse que a compra da Cemat é uma aposta no futuro. Ele estima que terão de ser investidos, no mínimo, cerca de R$ 40 milhões anuais nos próximos anos.

Segundo Queiroz, o interesse pela companhia se deve ao potencial do seu mercado, que cresce a taxas da ordem de 10% ao ano. Existe ainda uma demanda reprimida da ordem de 30%, de acordo com Queiroz.

– É um mercado excepcional, de crescimento rápido. Mas é uma empresa complicada. Tenho certeza, apesar das nossas projeções mostrarem um retorno de médio prazo, que é possível que a gente tenha alguma surpresa agradável – destacou Queiroz.

O Rede é um grupo familiar de distribuição de energia criado em 1903 e formado por seis empresas. Tem 620 mil consumidores e fatura R$ 700 milhões por ano.

A Inepar S/A Indústrias e Construções é uma empresa paranaense de origem industrial, com faturamento de R$ 700 milhões anuais.

Os concorrentes que disputaram o leilão de compra da Cemat eram os dois únicos grupos privados nacionais do setor de energia no passado recente, antes do início do processo de privatização. Queiroz contou que exatamente há 20 anos o Grupo Rede passava por dificuldades financeiras e quase foi vendido para a Cataguazes Leopoldina, do empresário Ivan Botelho, com a qual disputou a Cemat.

– Toda geração de caixa no médio prazo será reinvestida na empresa. Em cinco anos, vão dizer que fizemos um maravilhoso negócio – disse Queiroz.




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