O ESTADO DE S.PAULO 22.08.97 Dinheiro da venda de estatais de energia vai abater déficit SUELY CALDAS RIO – O futuro da Eletrobrás foi decidido há dias, em reunião de três ministros de Estado: a holding …

O ESTADO DE S.PAULO 22.08.97




Dinheiro da venda de estatais de energia vai abater déficit

SUELY CALDAS

RIO – O futuro da Eletrobrás foi decidido há dias, em reunião de três

ministros de Estado: a holding estatal terá mesmo reduzidas suas funções e seu

poder após a privatização das subsidiárias, não atuará como agente financeiro do

setor elétrico e seu patrimônio, avaliado em R$ 34 bilhões, será transferido para

o acionista controlador, a União, para reduzir a dívida pública. Essa definição põe

fim à disputa entre o Ministério de Minas e Energia, que gostaria de dar

exuberante sobrevida à Eletrobrás no futuro, e o Banco Nacional de

Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que discordava da idéia de

fazer da estatal uma espécie de banco, com atribuição de financiar novos

investimentos no setor com seu bilionário patrimônio.

Economia – Na reunião, o ministro de Minas e Energia, Raimundo Brito,

acabou convencido dos argumentos dos colegas Clóvis Carvalho, da Casa Civil,

e Antonio Kandir, do Planejamento. Os dois advertiram que não fazia sentido dar

à Eletrobrás a função de banco setorial, se o BNDES já financia investimentos

em infra-estrutura e não lhe faltam recursos para o setor elétrico. Mais: no

momento em que o governo faz um enorme esforço de redução do déficit fiscal,

os R$ 34 bilhões pertencentes a uma estatal – quase o triplo do orçamento do

BNDES – fazem muita falta e têm uso mais útil na redução do estoque da dívida

interna, com conseqüente economia com juros.

Brito pediu um tempo para fazer o que chamou de “transição”, ou seja,

tentar acalmar forças políticas contrariadas, concentradas no corpo de

funcionários do Sistema Eletrobrás e parlamentares aliados no Congresso. Como

os R$ 34 bilhões não são originários de privatizações, será preciso criar uma lei

específica para efetuar a transferência para a União.

O destino do dinheiro era o centro da disputa entre o ministério e o

BNDES. No trabalho que a Eletrobrás encomendou à Coopers & Lybrand para

definir o modelo de operação do setor elétrico privatizado, a empresa de

consultoria recomendou que a holding atuasse como “agente financeiro setorial”.

A direção do BNDES estranhou a recomendação e atribuiu sua autoria à

Eletrobrás. Não foi necessário levar a disputa à decisão do presidente Fernando

Henrique Cardoso. Acabou prevalecendo o critério de pagar a dívida pública,

que tem sido observado nas privatizações.















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