A CALIFÓRNIA CRIA AUTARQUIA ESTADUAL DE ENERGIA.
"Exasperado com as chantagens de empresas de energia que deixaram seu estado à mercê de inusitada onda de apagões", o governo da Califórnia, Gray Davis, assinou em 16 de maio uma lei criando uma autarquia energética pública estadual. A nova entidade poderá lançar 5 bilhões de dólares em bônus para construir novas usinas e tem poderes para assumir o controle e operar as existentes. "A Califórnia está em guerra com as empresas energéticas, que usarão todas as táticas para manipular o mercado e elevar os preços. Para mim, há fortes provas de que pessoas manipulam o mercado e seguram energia para elevar os preços", disse ele, após cerimônia de assinatura. A lei também permitirá criar um "cartel de compradores", com os estados de Washington e Oregon, que poderia estabelecer um preço razoável para a eletricidade e recusar pagar mais, mesmo com o risco de blecautes. Davis disse que não descarta "medidas drásticas" neste verão. A autarquia incluirá o secretário estadual do tesouro Phil Angelides, que apóia a tomada das usinas, e quatro membros designados pelo governador. Por outro lado, em 20 de maio, o jornal San Francisco Chronicle acusou Reliant Energy Corporation de manipular o mercado de eletricidade no Estado. Funcionários de uma usina da Reliant denunciaram ao jornal que têm recebido ordens da empresa, em Houston, Texas, para diminuir a capacidade de produção da usina, de 1.046 megawatts, às vezes em intervalos de 10 minutos. A cada redução da produção, funcionários da usina observaram na sala de controle as elevações imediatas dos preços da eletricidade no mercado spot. Em seguida, vinha outra ordem de Houston, ordenando-lhes aumentar novamente a produção. Um relatório da Comissão de Energia da Califórnia, de maio deste ano, relaciona três usinas da Reliant entre as principais beneficiárias dos altos preços do mercado spot, na primavera passada. Uma vez mais, os problemas da Califórnia podem servir de exemplo aos brasileiros, que estão à beira de uma crise energética sem precedentes, na qual as ditas soluções "de mercado" ainda contam com a simpatia de muitos incautos e desinformados".
fonte : Executive Intelligence Review
publicado : jornal MSIA – 2° quinzena de maio de 2001 – Vol.VIII,n°16.