A polêmica e o desafio continuam. Agora conseguiram que o governo pague 50%. Até agora não se ouve um diagnóstico das razões pelas quais as proteções do sistema não funcionaram. Queimar …


A polêmica e o desafio continuam. Agora conseguiram que o governo pague 50%. Até agora não se ouve um diagnóstico das razões pelas quais as proteções do sistema não funcionaram. Queimar aparelhos por sobretensão é erro de operação.




GLOBO 16/04/99

Distribuidoras de energia vão ressarcir os prejuízos de

consumidores com o blecaute


BRASÍLIA. As distribuidoras de energia elétrica voltaram atrás e

decidiram indenizar os consumidores que alegaram prejuízos com o blecaute

ocorrido no dia 11 de março, que deixou às escuras os estados das regiões

Sudeste, Sul e Centro-Oeste do país. Num acordo firmado entre a Associação

Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee) e a Agência

Nacional de Energia Elétrica (Aneel), ficará por conta das companhias o

poder de decisão se o cliente foi prejudicado por causa do blecaute.


No entanto, segundo a Abradee, as despesas com o ressarcimento dos clientes

serão rateadas entre todas as empresas do setor elétrico – o que inclui a

Eletrobrás. Deste modo, o Governo federal vai arcar com 50% destes gastos já

que, proporcionalmente, é controlador da maioria das companhias

envolvidas no blecaute. Para saber se tem direito ao ressarcimento, o

consumidor que já deu entrada no pedido terá que aguardar a carta que foi

enviada ontem pelas distribuidoras.


A polêmica sobre a indenização vem se arrastando desde que a Aneel, no dia

seguinte ao apagão, enviou comunicado às distribuidoras no qual recomendou

o ressarcimento dos prejuízos causados. A Abradee desafiou a agência

reguladora, num comunicado ao público, recomendando que as 17 companhias

filiadas à entidade não seriam obrigadas a pagar pelos aparelhos

queimados no blecaute.


Na última quarta-feira, em Brasília, ocorreu a reunião entre Abdo e os

dirigentes das distribuidoras e geradoras de energia elétrica. Após o

encontro, ficou decidido que a Abradee divulgaria um comunicado oficial

sobre o que foi decidido no encontro. À tarde, a assessoria da entidade

informou que os donos de indústrias e lojas comerciais que tiveram prejuízos

com o blecaute não serão indenizados.


O comunicado causou atrito entre Abdo e o presidente da Abradee, Wilson

Ferreira. Ao tomar conhecimento do fato, o diretor da Aneel telefonou para a

associação das distribuidoras para recomendar que, neste processo, nenhum

consumidor seja excluído pelas empresas. A intervenção do dirigente da

agência reguladora fez com que Ferreira recuasse da determinação e

divulgasse um novo comunicado no qual tentou desfazer o mal entendido.


-A conversa de ontem (quarta-feira) é que ninguém será excluído do processo

de indenização. Tudo será feito à luz do Código de Defesa do Consumidor

(CDC) – disse o assessor de imprensa da Aneel, Omar Abud, em resposta à

Abradee.


Ocorre que mesmo com essa decisão, tanto a Aneel quanto a Abradee

concordam que só terão direito ao reembolso aqueles casos considerados

procedentes. E o poder de decisão ficará por conta das companhias. Caberá

ao cliente que se sentir prejudicado da decisão das distribuidoras recorrer ao

Procon. De acordo com o balanço da Abradee, logo após o acidente que deixou

às escuras os moradores das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste as

companhias receberam cerca de 20 mil reclamações. Mas apenas 5.985

formularam o pedido de reembolso, o que representaria o gasto de R$ 2

milhões para as empresas do setor elétrico.

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