Artigo do Governador de Santa Catarina
04/10/00 DIÁRIO CATARINENSE
O pêndulo do financiamento
ESPERIDIÃO AMIN, GOVERNADOR DE SC
Mas não se deve ser ingênuo e dizer que a privatização, por si só, resolve todos os problemas. Confie no setor privado, mas dê a ele regras de forma que realmente trabalhe para o bem público. (Horst Koehler, diretor do Fundo Monetário Internacional, setembro/ 2000)
…sentimos ser condição de empréstimo pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) a incorporação, pela Celesc, de suas subsidiárias (privadas). (Governador Celso Ramos, Mensagem à Assembléia Legislativa, em 4/12/1963)
A entrevista que o senhor Horst Koehler, diretor do FMI, concedeu a quatro jornais, representando a imprensa mundial, certamente foi inspirada pela "orquestra do Outono/ 2000 de Praga", isto é, o conjunto de protestos que abreviou a reunião do FMI e do Banco Mundial (Bird) naquela linda cidade. A declaração do senhor Koehler a respeito da privatização, a meu ver, antecipou uma firme convicção que me ocorre. Em menos de três anos, o pêndulo das privatizações e respectivos financiamentos reverterá. Nesse prazo, as agências financeiras multilaterais começarão a financiar a "publicização" (tornar empresas públicas) de empresas de serviços públicos privatizadas que não deram certo.
Se isto vai começar pela área de saneamento, energia ou telefonia, é difícil prever. Mas, é inevitável que ocorra. Por quê? Basicamente, porque não há regras eficazes que fa-çam os detentores privados de monopólios trabalhar para o "bem público". Para nós, que nos livramos do pedágio sem benefícios da BR-470 e da BR-280, para nós, que nos recusamos a simplesmente privatizar a Celesc e a Casan, não cabe comemorar. Cabe, sim, a responsabilidade de construir, num Estado que tem nas suas autonomias regionais patrimônio singular, modelo de empresa pública que consiga atenuar forças que existem e existirão: o corporativismo e a influência político- partidária. A construção deste modelo de gestão, colocando o usuário como força de cobrança e de estímulo à eficiência, é o grande e bom exemplo que a criatividade dos catarinenses pode oferecer ao Brasil.