CBA teria adiantado dinheiro para estatal; em contrapartida, receberia energia com desconto de 64% Cesp teria perda de R$ 28 mi com contrato ELVIRA LOBATO DA SUCURSAL DO RIO Relatório do procurador da República em Bauru, Rodr …

CBA teria adiantado dinheiro para estatal; em contrapartida, receberia energia com desconto de 64%

Cesp teria perda de R$ 28 mi com contrato


ELVIRA LOBATO DA SUCURSAL DO RIO


Relatório do procurador da República em Bauru, Rodrigo Valdez de Oliveira, sustenta que a Cesp (Companhia Energética de São Paulo) teria perdido R$ 27,8 milhões, de novembro de 1998 a agosto deste ano, com o contrato de venda antecipada de energia elétrica à companhia CBA (Companhia Brasileira de Alumínio), do grupo Votorantim, assinado em 1997.


De acordo com o procurador da República, a CBA adiantou à Cesp R$ 33 milhões para a conclusão da quarta unidade geradora da Usina Três Irmãos, no rio Tietê. Em contrapartida, a companhia estatal teria assegurado o fornecimento, por sete anos, de 147 mil kW de demanda de energia, no horário de pico de consumo, com desconto de 64% no preço. O documento do procurador da República diz que o prejuízo da Cesp com o contrato cresce R$ 1 milhão a cada mês. O relatório é um dos subprodutos do inquérito aberto pelo Ministério Público Federal de Bauru em 1999 para investigar o desmembramento e a privatização da Cesp.


Em 1998, foi privatizada a área de distribuição da companhia. Em 1999, o setor de geração de eletricidade da empresa foi dividido em três empresas, e duas foram privatizadas. Permanecem nas mãos do Estado a rede de transmissão e parte da geração, conhecida como Cesp Paraná. O procurador Rodrigo Valdez enviou seu relatório, ontem, ao procurador-geral de Justiça de São Paulo, José Geraldo Filomeno, e ao presidente do Tribunal de Contas do Estado, Edgard Camargo Rodrigues. Junto com o documento, o procurador da República enviou ofícios pedindo a abertura de inquérito civil para apurar se houve lesão ao patrimônio estadual. No entendimento do procurador, a Cesp teria desobedecido a lei de licitações públicas ao negociar condições especiais com um grande consumidor de energia elétrica, sem dar ciência a outros consumidores de igual porte, que poderiam também estar interessados na compra antecipada de energia elétrica.

Sem energia

A CBA era cliente da Eletropaulo, que também foi desmembrada (da cisão, surgiram as empresas de distribuição Eletropaulo Metropolitana e EBE-Empresa Bandeirante de Energia) e privatizada pelo governo paulista.


Segundo o procurador, em janeiro de 1997, quando a Eletropaulo já estava sendo preparada para a privatização, a CBA solicitou sua transferência para a Cesp, o que se concretizou a partir de outubro de 1998. O procurador diz que, ao transferir o compromisso de abastecimento da CBA para a Cesp, a Eletropaulo e a EBE deveriam ter repassado também as cargas equivalentes de energia.


No entanto, de acordo com ele, só o compromisso foi transferido, o que vem obrigando a Cesp a comprar eletricidade no mercado atacadista, revendendo-a, com prejuízo, para a CBA.


De acordo com o procurador, dados oficiais da Asmae (Administradora de Serviços do Mercado Atacadista de Energia) mostram que a Cesp comprou R$ 279,86 milhões em energia no mercado atacadista entre julho de 1999 e maio de 2001. Enquanto isso, segundo ele, a Eletropaulo e a EBE teriam ficado com energia de sobra e estariam vendendo o excedente, com lucros de até 1.500%. De acordo com o relatório, a Eletropaulo vendeu R$ 205,31 milhões no mercado atacadista entre julho de 1999 e maio de 2001. No mesmo período, a EBE vendeu R$ 250,95 milhões.

Intenção premeditada

Rodrigo Valdez sugere que pode ter havido intenção premeditada de transferir recursos da estatal para distribuidoras privatizadas. ""O erro é tão grotesco que justificaria melhor investigação", diz. Em outro trecho do documento, o procurador acusa a Cesp de ter agido de forma ""negligente", ao assumir um compromisso com a CBA sem ter a carga corresponde de energia elétrica.

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