Cobrir Rombos
Colaboração de João Carlos Cascaes, 9.6.2001
Na política brasileira vender as estatais tornou-se a palavra chave para a solução de péssimos governos. O estado de São Paulo ainda quer leiloar a CESP para fugir de dívidas criadas por administrações caóticas, perdulárias e talvez criminosas. O Governo Federal atende o FMI e se afasta dos tribunais ao querer privatizar suas grandes concessionárias. Em todos os estados brasileiros, a alienação das concessionárias mais rentáveis tem sido uma forma de expressão ideológica e solução sem conflitos das contas públicas.
No Paraná estamos em situação semelhante. De forma surpreendente o estado mergulhou em dívidas estratosféricas. Agravando tudo ainda gerou um rombo monumental no Banestado, antes de "saneá-lo" e vendê-lo. Passo a passo o governo entregou patrimônio, antecipou receitas e contratou empréstimos, protelando momentos que agora parecem inevitáveis.
Qual é a solução?
Vender a Copel a toque de caixa, sem maiores análises, partindo-se apenas do exame e propostas de um grupo de "especialistas", é a salvação do estado. A racionalização administrativa, a redução dos cargos comissionados, do número de secretarias e despesas com publicidade são atitudes que nem passam pela cabeça do Governador. Embarcando no discurso neo liberal e rancoroso, deve-se vender a "holding" Copel, o único instrumento que o Paraná ainda possui para alavancagem de grandes empreendimentos.
Precisamos, antes de aceitar o que finalmente o Governo admite (vender a Copel evitará o caos administrativo), descobrir onde está o dinheiro gasto nesses últimos anos. Seria uma atitude absolutamente estúpida aceitar o leilão da Copel em final de Governo Lerner, quando o cenário nacional é o pior possível e, com certeza, estaremos dando a empresa de presente.
Precisamos lembrar ao Governador que existem precatórias esperando a entrada do dinheiro da Copel no caixa do estado. Por falar em precatórias é questão de honra recuperar o dinheiro que nos foi tirado pelos "responsáveis" da subsidiária do Banestado, que comprou os famosos papéis sem valor e já denunciados nacionalmente.
E como explicar a queda do Banco do Estado do Paraná? Em dois anos seu patrimônio líquido foi de um bilhão positivo para três bilhões negativos. Onde foi parar tanto dinheiro?
O povo do estado do Paraná não será tão idiota! Antes de concordar com a venda da Copel lutará para recuperar o dinheiro que lhe foi, ao que tudo indica, "desviado". Os paranaenses ainda acreditam em solução mais inteligente do que simplesmente entregar seu futuro a grupos econômicos, que só conheceremos após o bater do martelo do leiloeiro. Vender a Copel será uma forma de pagar contas e esconder decisões e incidentes tenebrosos, atos que jogaram o Paraná nessa agonia vergonhosa.