Mesmo sem incentivo, consumo de GNV cresce (O Estado de São Paulo – 08/06/2005)
O governo, ao que tudo indica, não terá ajuda do consumidor em seu projeto de conter o consumo de gás natural veicular (GNV) no País. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), mais de 85 mil veículos leves foram convertidos ao combustível no primeiro quadrimestre de 2005, valor 63% maior do que o número de conversões registrado entre janeiro e abril de 2004. Só em abril desde ano, quase 30 mil carros foram adaptados para rodar com GNV. Caso o ritmo seja mantido o Brasil atingirá a marca de 1 milhão de carros a gás em três meses.
Hoje, a frota nacional movida a GNV soma 921,1 mil veículos. Gente preocupada com os rumos que o governo pretende dar ao comércio do combustível no País.
No mês passado, o Ministério de Minas e Energia afirmou que não pretende mais incentivar o uso de gás em automóveis, que deve ser destinados a uso mais nobres, como o industrial. A crise política na Bolívia, principal fornecedor brasileiro, reforça os argumentos do governo.
Nosso Comentário : Falta política !
O título da matéria do jornal acaba induzindo a um entendimento equivocado da questão, na verdade o consumo do GNV continua crescente exatamente por conta dos grandes incentivos dados à sua utilização nos automóveis. O que ocorreu é que um representante do MME, acabou manifestando seu entendimento sobre a necessidade, que de fato é urgente, de se definir uma política nacional de utilização do gás natural, que certamente terá de atribuir prioridade a outros segmentos de mercado que não dos veículos leves.
O Governo Federal peca por omissão, pois permanece apenas assistindo os incentivos dados nas esferas estaduais, que são os responsáveis pelas concessões dos serviços de distribuição de gás natural, e que fazem o consumo do gás natural veicular bater recordes a cada mês. O MME já deveria ter definido quais são os “usos mais nobres” para o energético, e promovido ações, dentro das áreas de sua competência, no sentido de incentivar esses segmentos, principalmente a substituição do GLP nas residências e do óleo diesel nos transportes coletivos, estes sim merecedores de programas específicos de estímulo e incentivo.