Energia mais cara e menos segura. Estado de São Paulo 12/05/2000 Estudo mostra risco de falta de energia no País até 2003 Eletrobrás diz que demanda pode superar oferta produzida pelas usina …


Energia mais cara e menos segura.




Estado de São Paulo 12/05/2000


Estudo mostra risco de falta de energia no País até 2003


Eletrobrás diz que demanda pode superar oferta produzida pelas usinas


GUSTAVO PAUL


BRASÍLIA – O País terá que conviver até 2003 com o risco de haver mais demanda que oferta de energia elétrica e o problema tende a ser maior em 2001. A previsão de ocorrência de déficit energético consta da minuta do Plano Decenal de Expansão 2000/2009, elaborado pela Eletrobrás e que está sendo analisado pelo governo. No próximo ano, segundo o estudo, existe 11,9% de chance de haver déficit de energia nas Regiões Sudeste e Centro Oeste e 10,9% no Nordeste. Em 2003, o risco de falta de energia será reduzido a menos de 4%.


Os dados do Plano Decenal confirmam as previsões já feitas nos últimos meses pelo ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho.


Segundo ele, somente em três anos haverá folga no abastecimento de energia do País. Até lá será preciso investir no programa de geração de energia térmica e em medidas alternativas, como o aumento do período de vigência do horário de verão.


Segundo o Plano Decenal, o setor elétrico "deve envidar esforços no sentido de manter o cronograma de entrada em operação de cerca de 70 novas usinas geradoras até 2003, de forma a manter adequada a qualidade e a continuidade do suprimento de energia elétrica ao mercado consumidor".


O cálculo de risco de déficit, que leva em consideração fatores técnicos como custos de expansão e de operação do setor elétrico, serve como um indicador para os técnicos do governo. Nos últimos anos, a possibilidade de haver menos energia do que a necessária para atender à demanda tem sido permanente, mas não chegou a ser concretizada, nem levou a racionamentos. A previsão para 1998, por exemplo, chegou a 15%, mas acabou em cerca de 6%.


Em 1999 estimava-se que poderia ser de 13%, foi reduzida com as chuvas para 5,4%. O porcentual de déficit considerado seguro pelo mercado é de 5% a 6%.


Ainda que 2001 seja o ano de menor crescimento da oferta de energia entre 1999 e 2003, o governo calcula que o aumento do consumo poderá ser totalmente suprido. Para tanto, será preciso utilizar toda a capacidade de geração nova prevista, além da energia excedente que será gerada este ano, aliada à possibilidade de importar mais insumo da Argentina.


Comentário do ILUMINA

O que o estudo não menciona é que a nova regulamentação não exige explicitamente um nível de risco. Pela teoria neo-liberal esse risco é determinado pelo "mercado". Acontece que no Brasil, nem as teorias econômicas funcionam e para surpresa dos PHD’s do govêrno, o setor privado não quer construir novas usinas, apesar do preço "spot" da energia já ter atingido valores 10 vezes maiores que a tarifa de geração.


As tarifas que pagamos foram calculadas supondo um nível de risco de 5% o que configura um certo nível de investimento. Nos últimos anos esse nível de risco triplicou pois o investimento caiu drásticamente. Evidentemente o preço ainda é o do nível de investimento mais alto.


Mal comparando é como se a empresa seguradora diminuisse o prêmio do seu seguro para 1/3 do valor acordado e mantivesse o mesmo valor de sua prestação. Sem te avisar nada!


A quem reclamar?


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