Governo garante abastecimento de energia em 2001 – Estado de São Paulo
Brasília, 3 – O volume de águas dos reservatórios das usinas hidrelétricas do País está maior do que foi verificado nos primeiros dias do ano passado, o que poderá garantir o atendimento ao aumento da demanda de energia elétrica ao longo deste ano. De acordo com dados apresentados hoje à Agência Estado pelo ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, no dia 31 de dezembro os lagos das usinas hidrelétricas da Região Sudeste apresentavam um total de 28,5% de água, enquanto no último dia de 1999 o volume era de 18,1%. Nas usinas do Nordeste, o volume estava em 36,8% contra os 21,8% de 1999. “Isso nos dá uma poupança de água capaz de gerar 2.500 megawatts médios por mês em 2001, o equivalente ao acréscimo médio mensal de carga que esperamos para este ano”, explicou Tourinho. Segundo ele, a quantidade de água nas usinas em 31 de dezembro está equivalente ao volume de 31 de janeiro passado. “Estamos com um mês na frente”, disse o ministro. Ele admite que os resultados ficaram acima das expectativas. Nos dois primeiros dias de 2001, o volume de água cresceu 1%. Nas regiões Norte e Sul também houve aumento do volume dos lagos.
O presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos, explicou que, considerando um cenário conservador do regime de chuvas até 30 de abril, é possível chegar a pelo menos 55% da capacidade dos reservatórios. “Se chover 85% da média histórica neste período podemos atingir esta meta, o que nos dará tranquilidade para fornecimento de energia este ano”, disse Santos. No final de abril do ano passado, os reservatórios fecharam com 59,4% da capacidade. “Se repetirmos o que aconteceu em 2000, tudo estará bem”, disse o ministro. O governo conta com a estabilidade do clima nos primeiros quatro meses do ano para ter um resultado ainda melhor. “A expectativa é de absoluta normalidade, pois não temos fenômenos climáticos como o El Niño e La Niña”, afirmou Tourinho, referindo-se às alterações no clima ocorridas nos dois últimos anos. Mesmo se atingir a meta, o volume de água do Sudeste ainda estará muito distante dos 88% de abril de 1997. “Gastamos muita água dos lagos nos últimos anos”, disse o ministro. O aumento do volume dos reservatórios também foi motivado, segundo Mário Santos, pela economia de água causada pela entrada em operação de Angra 2 e a compra de energia da Argentina. “Estamos preservando os lagos”, afirmou. Enquanto em novembro e dezembro de 1999 o volume de água dos reservatórios diminuía, nos dois últimos meses do ano passado ele aumentou. Além de ter água suficiente, o governo também conta com a entrada de mais 3.000 megawatts de energia nova no País este ano, o que ajudará a suprir o crescimento da demanda. Deste total, conta-se apenas com 344 megawatts/médios de energia gerados pelo programa de usinas térmicas a gás, anunciado no ano passado. Fonte: OESP (Gustavo Paul)
Não se engane! Pode até não haver problemas! Mas o risco máximo de desabastecimento de 5%, acordado nos contratos iniciais, e por qual pagamos uma das mais caras tarifas do mundo ,… já era!
Senão vejamos:
Palavras do presidente do ONS:
“Se chover 85% da média histórica, não há problemas”. Ou seja, se não chover e a média ficar abaixo dos 85%,… teremos problemas.
Basta olhar a função de distribuição do histórico de afluências para verificar que a probabilidade de ocorrer o evento abaixo de 85% da média é bem maior do que 5%. No mínimo 12%. Basta olhar os 2 retângulos amarelos e somar suas ordenadas do eixo vertical: 12,5% + 2,5% seria a probabilidade associada à afluência < 80% da média.
Os anos abaixo, todos, apresentaram afluências abaixo dos 85% da média a longo termo:
1931 1933 1934 1936 1941 1945 1949 até 1956 1963 1964 1968 1970 1971 1974 1975 1990 1995 Não nos parece um evento tão raro assim!!
O gráfico abaixo mostra, com base no histórico, a probabilidade da afluência do Rio Grande, o principal rio do sistema sudeste, estar abaixo de 85% da média. Os dados não mentem: Probabilidade = 32%!!!

Isso mostra que apesar dos problemas do setor elétrico até agora terem se resumido aos apagões, o novo sistema privado não está garantindo a energia no nível acordado. Mas o preço, …é um dos maiores do mundo!