Estranho esse tal de mercado! A pressão das distribuidoras para obter compensações pela perda de faturamento, equivale a aceitar que sapatarias exijam compensações por falta de couro no mercado. Pior ai …

Estranho esse tal de mercado! A pressão das distribuidoras para obter compensações pela perda de faturamento, equivale a aceitar que sapatarias exijam compensações por falta de couro no mercado. Pior ainda! As sapatarias não poderiam produzir couro, mas as distribuidoras poderiam ter investido em geração.


Toda família tem um parente problema. O da família brasileira é o Dr. Pedro Parente, que iniste em dizer que o que ocorreu no Brasil não é culpa do modelo adotado pelo governo. ”Não tenho nenhuma dúvida de que o modelo é correto. Só temos que fazê-lo funcionar adequadamente” – diz ele. Se não é problema do modelo, de quem é? Essa é a grande diferença que nos separa de um país desenvolvido: A imensa predominância do "fica tudo por isso mesmo" em todas as questões nacionais. Perguntado porque a Califórnia não adota o mesmo sistema do Brasil para conter sua demanda, o Governador Gray Davis respondeu a um repórter da Gazeta Mercantil, que se adotasse os castigos que tanto o Dr, Parente se orgulha, provocaria uma revolução no estado, pois o povo californiano jamais aceitaria sobretaxas e ameaças de corte.


Governo negocia Anexo 5, diz ministro

NOVA YORK – O coordenador da Câmara de Gestão da Crise de Energia, ministro Pedro Parente, afirmou ontem em Nova York que o governo brasileiro está buscando uma solução para o Anexo 5, cláusula contratual que assegura às empresas distribuidoras uma compensação por receita perdida por causa do racionamento. "Nós sabemos claramente que devemos achar uma solução que, com certeza, não vá interromper os investimentos estrangeiros no Brasil. O presidente do BNDES, Francisco Gros, está negociando essas questões, que são complexas", disse ele.


A AES Corp, principal controladora da Eletropaulo, está apostando no Anexo 5, contabilizando a compensação pela perdas de receita em seu balanço do segundo semestre, divulgado na quinta-feira, embora não tenha recebido nenhum recurso do governo.


Segundo o ministro, há um grande número de "questões pendentes" no plano para enfrentar a crise, ligadas a tarifas, racionamento e questões de regulamentação, entre outras. "O que nós fazemos agora é discutir de uma forma muito aberta, pondo todas as questões sobre a mesa e, novamente, é muito importante que nós possamos discutir o Anexo 5 de uma forma que contemple investimentos, distribuidoras e geradoras", afirmou Parente.


Ele acrescentou que "não se encontra numa posição de falar detalhadamente disso porque o assunto está sendo tratado por um grupo comandado pelo Gros".


"Mas o que eu tenho de fazer agora, e estou fazendo, é assegurar que a solução não trará nenhum tipo de prejuízo para aqueles que têm investido no Brasil", finalizou. (F.G.) Estado de S. Paulo 31/7


Parente garante racionamento máximo de 5%

Meta para 2002 é com o "pior cenário hidrológico"


”No ano que vem não teremos necessidade de reduzir o consumo em mais de 5% mesmo no pior cenário hidrológico”, disse o coordenador da Câmara de Gestão da Crise de Energia (CGCE), Pedro Parente. Ele tranquilizou ontem, em Nova York, empresários e investidores americanos sobre a crise de energia que o Brasil enfrenta desde o mês de maio. ”A situação hoje está completamente sob controle porque sabemos do risco que estamos correndo, o que não era verdade até maio deste ano”, disse o ministro durante palestra feita a convite da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos.


Durante sua exposição sobre a crise, Parente tentou passar um clima de otimismo para os empresários, a maior parte deles ligados a bancos de investimento com negócios no Brasil. Ao traçar um histórico da crise ele admitiu que o Governo não tinha dimensão do problema até dois meses e meio atrás. ”Em dezembro nossos técnicos nos disseram que 2001 seria melhor que 2000 mas não falaram o que poderia acontecer num cenário de escassez de chuvas”.


CLIMA DE CONFIANÇA. Em entrevista após o evento, Parente garantiu que ao menos durante as próximas quatro a seis semanas o País estará livre do apagão. ”Infelizmente não podemos ainda falar o que vai acontecer em novembro ou dezembro porque não há como garantir”. Ele afirmou, no entanto, que o clima no Governo é de confiança. ”Ainda dependemos da hidrologia nos próximos meses mas estamos trabalhando com as melhores previsões”.


Parente também ressaltou que a adesão da população ao programa de racionamento foi decisiva para aliviar uma possível necessidade de blecautes. ”Tenho que reconhecer que a população brasileira foi muito importante para nós”.


Fez questão de, ao comentar o desenrolar da crise, enfatizar que o Governo foi enérgico ao tomar conhecimento da situação, instituindo a Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE) e o nomeando para o cargo de coordenador. ”Este problema é prioridade máxima dentro do Governo tanto é que me desliguei das minha funções da Casa Civil”.


Parente também ressaltou algumas vezes que a crise não teve nenhuma relação com o modelo de gestão dos recursos energéticos do País, adotado pelo Governo Fernando Henrique em 1996. ”Não tenho nenhuma dúvida de que o modelo é correto. Só temos que fazê-lo funcionar adequadamente”.


Parente não quis comentar o relatório concluído semana passada pelo Governo que apontou o atraso na construção de usinas e de linhas de transmissão como o fator predominante para a crise. ”Já estava nos Estados Unidos e não pude ver o relatório ainda. Mas com certeza vamos usá-lo como insumo para daqui adiante”. Jornal do Commercio 31/7


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