Excesso de oferta de energia elétrica pode chegar a 10 mil MW
A confirmação pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) de que o país poderá viver uma superoferta de energia elétrica até 2005 não surpreendeu especialistas do setor, que já vinham prevendo a situação. Segundo o Planejamento Anual Energético de 2002 do operador do sistema, o equilíbrio entre oferta e demanda só seria atingido em 2006, a partir da aproximação dos custos marginais de expansão da geração do Valor Normativo competitivo, de R$ 72,35 por MWh. Segundo o consultor Peter Greiner, secretário de energia do Ministério de Minas e Energia quando da elaboração do projeto Reseb, em 1997, se todas as obras autorizadas e leiloadas entrarem em operação como o previsto, o país terá que absorver um excedente de energia de 10 mil MW de capacidade instalada, ou 5 mil MW médios. "Esse número seria um limite, e está atrelada a operação dos projetos previstos", afirma Greiner. Assim como a avaliação de Greiner, o estudo elaborado pelos técnicos do ONS levaram em conta para a projeção as 40 termelétricas incluídas no Programa Prioritário de Termeletricidade do governo, além das usinas emergenciais contratadas pela CBEE (Comercializadora Brasileira de Energia Elétrica) até 2006. O consultor, no entanto, admite que a possibilidade de abundância energética para os próximos anos pode mudar, ou até se inverter, se houver mudanças profundas no cenário político nas eleições presidenciais deste ano. (Canal Energia – 07.05.2002)
Comentário do ILUMINA

Preparem-se para ouvir declarações arrogantes dos responsáveis pela política das trevas. Logo estarão dizendo que o cenário de oferta abundante de energia elétrica é fruto do maravolhoso modelo que propuseram. Dirão que houve apenas um pequeno atraso na reação do mercado e que agora está tudo resolvido. Antes de acreditar, dê uma olhada no gráfico ao lado.
A curva vermelha traduz o comportamento do consumo da região sudeste e centro-oeste desde 1996. Observem que o racionamento fez despencar o consumo para níveis anteriores a 1996!
A partir de janeiro de 2002, com a chegada de chuvas, que em apenas 2 meses equivaleram a seis meses de consumo , a demanda começou a se recuperar.
A reta azul era a tendência anterior ao racionamento. A verde é uma tendência baseada no curto período Julho de 2001 – Março de 2002. Com a economia patinando e o absurdo aumento de tarifa provocado pela irresponsabilidade dos gestores e das empresas distribuidoras, é bem provável que essa tendência não aponte para uma recuperação tão rápida. Mas, acreditando otimisticamente o que dizem os números, a tendência anterior só é atingida em abril de 2003. Portanto, Drs. Pedro Parente, Peter Greiner, José Jorge, Castelo Branco, Gomide e outros, dobrem a língua. Na realidade, o responsável pela sobre-oferta é, mais uma vez, o consumidor e não o modelo.
O triangulo formado pelas retas azul, verde e a queda bruca de junho de 2001 (vermelha) significa uma energia equivalente a 64 TWh, 25% do que a região consome, e se tivesse que ser gerada nesse período, seria necessário uma usina maior que Itaipu!
Sobra de energia é também um sintoma de má gestão, pois não só o investidor não tem como colocar sua energia no mercado, como o País não deveria se dar ao luxo de desperdiçar recursos em um setor, em detrimento de tantos outros. Mais uma prova de incompetência!