Felizmente uma pesquisa que aponta o óbvio. A sociedade brasileira já sabe que a privatização, tal como executada pelo governo FHC, trouxe altos preços, grandes lucros, desemprego e irresponsabilidade. …

Felizmente uma pesquisa que aponta o óbvio. A sociedade brasileira já sabe que a privatização, tal como executada pelo governo FHC, trouxe altos preços, grandes lucros, desemprego e irresponsabilidade. Além disso, não trouxe o alívio à questão fiscal, não resolveu os problemas da saúde, educação e segurança. Enfim, pérolas de trapalhadas, favorecimentos, negociatas e incompetência.


Maioria rejeita privatização de elétricas

DA REPORTAGEM LOCAL


A maioria dos brasileiros é contra a privatização do setor elétrico brasileiro. Segundo pesquisa Datafolha, 69% dos brasileiros é contra a venda das empresas do setor.


Hoje, a maior parte dos serviços de distribuição de energia elétrica já é privada. Cerca de 85% das empresas já foram vendidas. O mesmo, no entanto, não ocorre no setor de geração. Aproximadamente 85% da energia elétrica consumida no Brasil é gerada por empresas estatais, que pertencem ao governo federal e a alguns Estados.


Segundo a pesquisa do Datafolha, a rejeição ao programa de privatização só é menor entre as pessoas que ganham mais de 20 salários mínimos. Mesmo nesse grupo, 60% dos entrevistados afirmam ser contra a privatização do sistema de energia elétrica. Grandes geradoras estatais, como Furnas, Eletronorte e Cesp fazem parte do Programa de Desestatização do Governo.


Segundo as diretrizes do novo modelo do setor elétrico, que está sendo implementado pelo governo, todas deveriam ser vendidas antes de 2003, quando começa a liberalização de tarifas no setor. A Cesp Paraná, de propriedade do governo do Estado de São Paulo, já deveria ter ido a leilão duas vezes. Na primeira, no ano passado, a empresa não foi vendida por falta de interessados. A segunda tentativa de venda foi cancelada pelo governo do Estado por conta da crise do setor elétrico, que é atribuída por muitos críticos à adoção do novo modelo elétrico brasileiro.


Modelo


Segundo as diretrizes do novo modelo, o governo deveria apenas regular o setor. Caberia à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) definir as regras para a exploração do negócio e fazer as licitações e leilões para concessão do direito de construir novas usinas ou explorar as que já existem. Os membros do governo federal argumentam que não existem verbas públicas para investir em geração de energia e, por isso, seria necessário privatizar as empresas para garantir os investimentos necessários. (Folha 3/7/2001)


População não apóia plano, mas colabora

DA REPORTAGEM LOCAL


A maior parte da população brasileira não aprova o plano de racionamento elaborado pelo "ministério do apagão", mas adota medidas para reduzir o consumo de energia elétrica.


Segundo a pesquisa realizada pelo Datafolha, 89% dos brasileiros afirmam ter adotado alguma medida para economizar energia elétrica. Mesmo nos Estados do Sul do país, onde os consumidores não estão sujeitos às regras de racionamento do governo, aproximadamente 80% dos entrevistados dizem estar economizando energia.


A proporção de pessoas que dizem adotar alguma medida de redução de consumo aumenta nos Estados das regiões que estão sujeitas ao racionamento. Ela é de 94% em São Paulo, 95% no Rio de Janeiro, 92% em Minas Gerais, Pernambuco e Ceará e de 96% no Distrito Federal. Apenas na Bahia, onde 88% dizem ter feito algo para consumir menos eletricidade, o índice é ligeiramente menor do que a média nacional, mas dentro da margem de erro da pesquisa do Datafolha, de dois pontos percentuais para mais ou para menos.


Mesmo colaborando, os brasileiros não aprovam o plano de racionamento de energia elétrica adotado pelo governo. A maioria dos entrevistados -54%- afirmou que o desaprova. A rejeição ao racionamento é maior em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde, respectivamente, 60% e 61% dos entrevistados pelo Datafolha afirmaram que não aprovam o plano. Apenas nos Estados do Paraná e de Santa Catarina a maioria -52% e 58%- respondeu que o aprova. A maior parte das pessoas entrevistadas na pesquisa -78%- já havia recebido a carta enviada pela distribuidora de energia elétrica informando a meta de consumo mensal.


Quando questionados se acreditavam que conseguiriam cumprir a meta estipulada pelo governo, 71% responderam que sim. Dos entrevistados, 19% dizem que não vão conseguir cumprir a meta e 10% disseram que não sabiam se iriam conseguir economizar o suficiente. (Folha 3/7/2001)


Parente tem o ”gatilho” do feriadão

Governo estuda adotar medida às sextas-feiras caso o nível dos reservatórios caia 0,5% abaixo do limite de segurança


GABRIELA LEAL


BRASÍLIA – A adoção dos feriados às sextas-feiras, caso o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas fique abaixo da média suportável pelo sistema, será apresentado na próxima semana ao presidente da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), ministro Pedro Parente. Esta é a alternativa aos ”apagões” (cortes programados de energia) do Grupo de Trabalho que analisa o problema. O GT propõe que a folga aconteça às sextas-feiras quando o nível de água dos reservatórios das usinas hidrelétricas do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste ficar meio ponto percentual abaixo dos níveis previstos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).


A primeira medida para evitar os ”apagões” começou a vigorar no domingo: a redução de 5% na tensão da energia distribuída a casas, indústrias e estabelecimentos comerciais. A redução da tensão vai proporcionar ganho de 1 ponto percentual no nível de água dos reservatórios das usinas das três regiões e economia da ordem de 2% no consumo. ïïDevemos evitar a todo o custo o apagão. Antes dos apagões, vamos tomar todas as medidas adicionais. Só se não houver outra alternativa, vamos adotar os apagões”, disse Pedro Parente.


Curva – Parente informou sobre a hipótese da adoção de um ïïgatilho”, como o feriado, para evitar os cortes programados de energia. ïïSe os reservatórios ficarem abaixo da curva prevista, pode ser adotado o feriado”, explicou. Esse gatilho, mencionado por Parente e que será apresentado à GCE, será de meio ponto percentual, segundo informou um integrante do GT.


Para a GCE e o ONS, o nível dos reservatórios, que pode ser alcançado com o aumento da economia de energia ou com chuvas acima do volume previsto, é a principal referência dos estudos em andamento. Hoje, o ONS vai levar ao ministro Parente uma boa notícia: as previsões da Programação Mensal do ONS estão mais otimistas com relação ao nível dos reservatórios das regiões atingidas pelo racionamento. O nível indica quanto de água existe nas represas. Quanto maior o volume, maior a capacidade.


Para o fim de julho, o ONS trabalha, agora, com nível de água de 26,7% nos reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste. A previsão feita em junho para este mês estimativa os reservatórios estariam com 24,3% de sua capacidade no dia 31 de julho. Para o Nordeste, a previsão de ontem também supera a estimativa anterior. O ONS estima que os reservatórios cheguem ao fim deste mês com 20,9%, contra 20,5%. Para o Norte, a previsão é de 62,2%, contra os atuais 70,7%. Para o Sul, a estimativa para o fim de julho é de que os reservatórios cheguem com 97,7% de sua capacidade, contra nível atual de 92,8%.


Afluências – As metas são mais otimistas porque o ONS trabalha com maior nível de afluências para este mês. As afluências são formadas pela recomposição natural dos lençóis freáticos dos rios e das chuvas. Para este mês as afluências computadas pelo ONS são de 78%, contra 75% previstas para junho e que acabaram sendo superadas, chegando a 83%. Para o Nordeste, as afluências para julho chegarão a 60%, contra 54% registradas em junho e que são as piores já registradas nos últimos 70 anos. JB 3/7/2001


Plano correrá riscos com calor

BRASÍLIA – O único ponto positivo do plano de racionamento é ter evitado os cortes programados, os chamados apagões. A análise é do coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Maurício Tolmasquim. ”Isso deve ser comemorado em razão dos efeitos desastrados da medida”, ressalta.


Mas Tolmasquim teme que o governo não consiga manter a colaboração da população, principalmente dos consumidores residenciais, grandes responsáveis pela economia de 19% no Sudeste e Centro-Oeste e de 19,7% no Nordeste observada em junho.


O temor se justifica em razão do aumento da temperatura, que geralmente eleva o consumo em razão, principalmente, da utilização do ar-condicionado. ”Aí, vamos colocar o plano em xeque”, observa o professor. O maior erro do governo, avalia, foi ter demorado a tomar providências contra a crise anunciada do setor elétrico.


Março – ”Desde meados do ano passado o governo foi avisado de que a situação era grave”, lembra. Para o professor, se o governo tivesse começado o racionamento em março, a necessidade de redução do consumo teria sido de apenas 5%. Para o ONS, o valor chegaria a 10%.


Outro ponto negativo do plano foram as ”idas e vindas”, lembra o professor. ”Isso causou incertezas à população e aos agentes econômicos”, disse. No início, o governo só falava em racionalização e demorou a admitir a necessidade do racionamento e a elaborar o plano de metas de consumo com punições e bônus. JB 3/7/2001


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