Gerando desemprego Estranhaempresa essa Eletropaulo. O faturamento líquido por consumidor dobrou de 1998 a 2001. A geração operacional de recursos por funcionário pulou de R$ 72.000 para R$ 332.000 no mesmo …

Gerando desemprego


Estranhaempresa essa Eletropaulo. O faturamento líquido por consumidor dobrou de 1998 a 2001. A geração operacional de recursos por funcionário pulou de R$ 72.000 para R$ 332.000 no mesmo período. Em 1998 vendia 3446 MWh por funcionário. Em 2001, ano do racionamento, passou a vender 8158 MWh por funcionário. Ou seja, pelos aproximadamente 40.000.000 MWh que fornece, sumiu com 6.000 empregos em 3 anos! O número de consumidores por funcionário pulou de 426 para 1192. Trocando em miúdos, acabou com 3 empregos por cada 1000 consumidores (*). Não é de estranhar que seja uma das piores na avaliação do consumidor.


O absurdo é que, além desse quadro vergonhoso, deve bilhões ao BNDES, banco de fomento que tem no Fundo de Amparo ao trabalhador sua principal fonte de recurso. Não é preciso ser nenhum gênio para perceber o que estava fazendo o BNDES no período FHC: Gerando desemprego com o fundo de emprego!!!! Não é possível imaginar que qualquer ajuda financeira seja proporcionada pelo governo Lula para essa empresa! Seria um contrasenso!


Até que enfim começa-se a desmontar o absurdo seguro apagão! As unidades que perderam seus contratos por impossibilidade de conexão até agora são usinas pequenas. É preciso verificar as outras.


(*) Dados do livro "As empresas do Setor Elétrico Brasileiro" de Tolmasquim, Gorini e Fiorotti, Edições CENERGIA



27 usinas perdem o seguro antiapagão


HUMBERTO MEDINA

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA


O governo decidiu cancelar o pagamento de 27 das 54 usinas que compõem o seguro anti-racionamento. A atitude faz parte da estratégia de tentar anular ou renegociar a maior parte dos contratos com essas usinas. Com o cancelamento, deixarão de ser repassados para essas usinas R$ 63 milhões. No ano passado, o pagamento do seguro consumiu cerca de R$ 800 milhões.


O dinheiro vem do consumidor, que desde março do ano passado paga o seguro na conta de luz. Serve para custear o pagamento do aluguel de usinas termelétricas que podem ser acionadas em caso de risco de falta de energia. Com os reservatórios das hidrelétricas bem abastecidos e o consumo de energia em baixa, o seguro tornou-se, na prática, desnecessário.


Mesmo com a redução do número de usinas que fazem parte do seguro, o valor pago pelo consumidor poderá aumentar em março. Hoje, todos os consumidores (menos os residenciais de baixa renda) pagam R$ 0,0057 por kWh a título de "encargo de capacidade emergencial".


Inicialmente, o programa contava com 58 usinas, que poderiam gerar até 2.153 MW. Depois que começou a revisar os contratos, o governo suspendeu o pagamento de quatro usinas, que não haviam sido ligadas ao sistema no prazo previsto. Com isso, a quantidade total de energia no seguro caiu para pouco menos de 1.900 MW.


O governo pretende fazer vistoria em todas as usinas. "Quem não tiver condições de gerar energia" não receberá o pagamento", disse o presidente da CBEE.O valor que iria para as usinas será depositado em juízo.


Bancos oficiais têm de atuar como hospital de empresas, diz Lessa


Segundo presidente do BNDES, às vezes sociedade exige esse papel das instituições


RIO ­ O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa, conclamou os 24 bancos e agências de fomento filiados à Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (ABDE) a atuarem com "cultura de fomento" e até como hospital de empresas. "Nenhum banco gosta de ser hospital ou de ser UTI, mas às vezes a sociedade exige."


Lessa é presidente do Conselho da entidade, que tem entre os associados o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o Sebrae nacional, o Banco do Nordeste Brasileiro, o Banco da Amazônia (Basa) e outros bancos de desenvolvimento e agências de fomento. Na reunião do Conselho da ABDE ontem, Lessa deu as orientações às instituições, que compõem o Sistema Nacional de Fomento.


"Os bancos de desenvolvimento muitas vezes recompõem, reestruturam setores importantes para o País", disse. "Deveríamos criar um sistema para difundir a cultura de fomento em toda a rede de agências. Somos bancos de desenvolvimento, não somos bancos de negócios. Bancos de negócio são para o primeiro mundo.

Lessa reafirmou depois o cuidado com "as boas práticas bancárias" nas operações do BNDES e o cuidado em equilibrar ativos e passivos do Banco. "Os nossos principais passivos são o FAT (Fundo de Amparo do Trabalhador) e empréstimos de bancos internacionais", disse.


Na quinta-feira da semana passada, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, afirmou que "o governo não atuará como hospital de empresas, mas apoiará soluções de mercado acertadas entre os acionistas." (Adriana Chiarini/AE)





Lessa acusa Eletropaulo de ‘administração temerária’


Redução de hedge da distribuidora chamou a atenção do presidente do BNDES

ADRIANA CHIARINI


RIO – O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa, disse ontem que o problema da distribuidora de energia paulista Eletropaulo, controlada pela americana AES, está ligado a uma "administração temerária e extremamente inquietante". Lessa justificou a acusação acrescentando que "houve redução de hedge (proteção contra variações cambiais) na Eletropaulo". Segundo Lessa, "uma empresa que reduz seu hedge em tempos de turbulência cambial tem uma administração no mínimo curiosa".


A AES não pagou uma dívida de US$ 85 milhões com o banco que vencia em 31 de janeiro, adiando para 28 de fevereiro o prazo de pagamento. Na ocasião, a AES Elpa divulgou nota afirmando que a Eletropaulo estava em "default técnico".

Ele não quis dizer se o BNDES poderá tomar as garantias oferecidas pela AES por dívida contraída com o banco. Disse acreditar que uma decisão sobre o caso da Eletropaulo será tomada até o fim deste mês. "Essa decisão vai muito além do banco" e envolve, por exemplo, o Ministério de Minas e Energia.


"Toda hora falo no telefone com esse povo", informou, referindo-se à ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, e ao presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa.


O presidente do BNDES disse estar preocupado com a AES como banco e como "instituição do Estado nacional". "O que nos preocupa como banco é cuidar do nosso ativo", disse. A preocupação como "instituição do Estado nacional é o estado da saúde da economia brasileira e paulista". A Eletropaulo, lembrou, tem 14% do mercado de energia elétrica do País e "está no coração estratégico da economia brasileira, que é São Paulo".


Carlos Lessa mandou estudar a remessa de lucros realizada pela AES, mas antecipou que "a AES remeteu antes da declaração de fragilidade". Disse que empresas inadimplentes não podem distribuir dividendos, mas, na época, a AES ainda não era considerada inadimplente. "Juridicamente não temos nada a fazer", disse.


Modelo – O presidente do BNDES também classificou como "temerária e visivelmente entrópica", a modelagem do setor de energia elétrica atual, elaborada no governo Fernando Henrique Cardoso. Um sistema entrópico é o que se desorganiza e gera irracionalidades, explicou.


De acordo com ele, o Brasil tem de aumentar a capacidade de geração de energia e "organizar melhor a precificação de energia". "Fico absolutamente pasmo com o que fizeram com o setor elétrico brasileiro. Como foi possível fazer com que as tarifas sejam tão caras?", questionou. As tarifas de energia brasileira são mais caras que nos Estados Unidos, com exceção dos Estados de Nova York e Califórnia, afirmou, acrescentando que o modelo de tarifas de energia, ligado à variação cambial, anula setores que dependem de energia barata e prejudica inclusive a exportação que poderia trazer dólares para o Brasil.


Para ele, uma das provas de que o modelo é ruim é que "Furnas está com problemas porque não consegue vender a energia dela que é a mais barata, porque o investimento já foi amortizado". Lessa pediu paciência: "Vocês esperem um pouquinho para que surja uma nova concepção. A ministra (Dilma Rousseff) falou em pool, me parece que isso é o início para começar a enfrentar o caos." (AE)



Desvalorização do real agravou saúde financeira da AES no Brasil


Problema veio à tona com deterioramento da crise da matriz nos EUA e crise energética brasileira

RENÉE PEREIRA


A deterioração da saúde financeira da AES no Brasil, controladora da Eletropaulo Metropolitana, teve início em janeiro de 1999, com a desvalorização do real frente ao dólar, que elevou seu grau de endividamento. Mas o problema apenas veio à tona no ano passado, depois do agravamento da crise da matriz nos Estados Unidos e da crise energética brasileira, diz o analista do Banco Pactual, Pedro Batista. Com dívida em dólar e receitas em reais, a empresa começou a ter dificuldades para honrar seus compromissos, principalmente com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), seu maior credor.


Para comprar a maior distribuidora do País, a AES pagou US$ 1,8 bilhão pelas ações ordinárias da companhia, sendo parte desse montante financiado pelo banco estatal. A compra das ações preferenciais da distribuidora, em 2000, também foi financiada pelo BNDES. No total, a dívida com a instituição beira US$ 1,2 bilhão, ou R$ 4,4 bilhões, pela cotação do dólar de ontem.


O problema é que os vencimentos da controladora e também da Eletropaulo se acumularam no ano passado, principalmente no segundo semestre. Mas o cenário não era animador. O Brasil acabava de sair de um racionamento, com consumo de energia recuando a níveis semelhantes ao de 1997, o que reduziu o faturamento da distribuidora.


Em paralelo, o mercado de crédito, interno e externo, havia desaparecido, impossibilitando a captação de recursos para quitar débitos. Junta-se a isso o fato de o dólar ter avançado agressivamente, elevando ainda mais o valor de sua dívida. A empresa ainda conseguiu pagar um ou dois vencimentos com o dinheiro liberado pelo BNDES referente ao Acordo Geral do Setor, para cobrir as perdas do racionamento, de cerca de R$ 900 milhões.


Boa parte dos vencimentos do ano passado, no entanto, foram rolados. Mas havia uma pendência de US$ 85 milhões com o banco estatal que permanecia em negociação. No início do mês, quando vencia pela terceira vez o prazo para pagamento do montante, a AES declarou default técnico, ou seja, impossibilidade de pagar a dívida. Para honrar seus compromissos, a AES dependia de dividendos da Eletropaulo ou de aporte de recursos da controladora americana. A distribuidora, no entanto, suspendeu distribuição de dividendos aos acionistas e a matriz não pode aportar dinheiro nas subsidiárias brasileiras por causa de acordo com banqueiros estrangeiros, decorrente da reestruturação de sua dívida, lembra a diretora da Standard & Poor’s, Milena Zaniboni.

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