Hidrelétrica para substituir óleo diesel







Jari adia construção de usina hidrelétrica
André Vieira Valor São Paulo



A Jari Celulose, o gigante empreendimento de produção de celulose na Amazônia, reviu seu programa de investimentos. A empresa informou que a construção da usina hidrelétrica planejada para abastecer o complexo industrial foi adiada até a solução de algumas pendências.


A intenção do empresário Sérgio Amoroso é montar uma usina com capacidade de 100 MW, que exigiria inicialmente investimentos de US$ 100 milhões. A energia fornecida à fábrica é gerada por meio de óleo diesel. Segundo documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa refez os cálculos e chegou a conclusão que os investimentos na usina hidrelétrica de Cachoeira de Santo Antonio sairiam por US$ 140 milhões – 40% a mais.


A Jari alegou que a mudança no valor se deveu à um investimento adicional numa linha de transmissão, que não estava previsto, além da revisão dos preços dos equipamentos e a variação cambial. “Neste contexto, a Jari decidiu pela postergação do projeto da usina até a definição juntos aos órgãos competentes as questões pendentes”, disse a empresa. A licença ambiental para a construção da usina também foi cancelada.


A Jari tinha planos de investir US$ 420 milhões no período de 2000 a 2010, o que inclui a usina e os investimentos na fábrica e na floresta. De 2000 a 2004, foram aplicados US$ 154 milhões, principalmente no complexo industrial e florestal. E outros US$ 9 milhões foram alocados em programas sociais nos municípios da região, na fronteira entre o Pará e o Amapá. A Jari informou que estudos encomendados à consultoria Jaakko Poyry indica que os investimentos anuais na fábrica e floresta oscilam em torno de US$ 25 milhões.


O projeto Jari, que pertenceu ao empresário americano Daniel K. Ludwig, foi comprado pelo grupo Caemi nos anos 80. Em 2000, o empresário Sérgio Amoroso, que controla o grupo Orsa, assumiu o empreendimento, renegociando uma dívida superior a R$ 800 milhões.


A valorização do real frente ao dólar vem afetando o balanço da empresa. Apesar do recorde na produção, que subiu 5% e chegou a 358,2 mil toneladas de celulose em 2004, a Jari faturou R$ 446,2 milhões, quase 4% a menos do que no ano anterior. O lucro líquido, por sua vez, foi de R$ 4 milhões, uma queda expressiva frente ao ganho de R$ 133,7 milhões de 2003.

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