Posse do presidente da ELETROBRÁS

Eletrobrás busca o exterior


Aloísio Vasconcelos assume com o desafio de fazer da estatal uma multinacional

Sabrina Lorenzi AJB



O presidente da Eletrobrás, Aloísio Vasconcelos, assume o cargo com o objetivo de fazer da Eletrobrás uma multinacional de energia. A estatal está preparando projeto de lei para a criação de uma holding atuante no mercado externo, já que o estatuto vigente impossibilita a internacionalização. El Salvador, México, Chile, Angola, China e Coréia do Sul são alvos em potencial do novo presidente da Eletrobrás.



– São 43 anos de expertise extraordinária. Tenho fé de que essa qualidade de massa crítica possa se transformar num bom negócio – disse, após revelar seus planos para a empresa.



A estatal poderá atuar como consultora e mesmo construtora de usinas no exterior. Vasconcelos enfatizou o conhecimento da holding em engenharia de construção de barragens; de projetos de construção de geradores, de turbinas, de transformadores, e de linhas de transmissão. O primeiro passo é conseguir aval do Congresso Nacional para levar sua experiência a outros países. O executivo destacou, contudo, que dificilmente esse projeto será executado ainda neste ano por causa da necessidade de mudanças na legislação. Enquanto isso, alguns projetos poderão ser tocados pelas subsidiárias da Eletrobrás, a exemplo do que já acontece com Furnas, na África, e da Chesf, na Argentina.



– A América Central, alguns países na Ásia e da África precisam dessa consultoria especializada – completou o executivo, que ocupava a diretoria de Planejamento da Eletrobrás.



Ao se internacionalizar, a Eletrobrás segue o caminho da Petrobras, que criou bases mundo afora e ganhou elogios da então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff. Parte do orçamento de R$ 4,6 bilhões da Eletrobrás, previsto para este ano, será destinada a projetos no exterior. Nesta semana, a diretoria da Eletrobrás se reúne para concluir o planejamento estratégico. A maior parcela dos recursos da estatal vai enfatizar investimentos do governo em geração elétrica para o país.



A Eletrobrás se prepara para participar do leilão de energia nova, previsto para dezembro. ”Me sentiria tranqüilo”, disse Vasconcelos sobre a oferta de energia nos próximos anos. O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, também se mostra calmo em relação à geração elétrica.



– Tem mais licenças ambientais do que eu pensava e menos do que preciso. Estamos trabalhando para ter 17 usinas. Temos menos licenças que isso até agora – afirmou Rondeau.



De acordo com rumores do mercado, o governo teria apenas três das 17 licenças ambientais de que precisa para tocar o leilão de geração nova.



Cerca de 500 pessoas, inclusive Silas Rondeau, participaram da pose de Aloísio Vasconcelos. Engenheiro elétrico, Vasconcelos é mineiro e foi deputado federal pelo PMDB.

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