JB 07.11.97
Governo mineiro não venderá Cemig
“Neste momento”, diz o vice Walfrido
dos Mares Guia, não há a intenção de privatizar
a companhia estadual de energia elétrica
TEODOMIRO BRAGA
BELO HORIZONTE – Os rumores de que o governo mineiro estaria preparando a privatização da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) agitaram ontem os meios econômicos e políticos da capital. O presidente da Federação das Indústrias do estado (Fiemg), Stefan Salej, enviou carta ao governador Eduardo Azeredo pedindo esclarecimentos. O vice-governador e secretário do Planejamento, Walfrido dos Mares Guia, negou à imprensa que o governo tivesse intenção de vender o controle acionário da estatal “neste momento”, mas admitiu que a posição pode ser revista dependendo das “circunstâncias”.
Segundo o jornal Estado de Minas, a administração Azeredo passou a considerar a hipótese de venda do controle da Cemig, por R$ 4 bilhões, até o final de 1998. O motivo seria o déficit do governo, que já chega a R$ 70 milhões por mês. A primeira reação à idéia veio da Fiemg, que se queixa de estar sendo marginalizada pelo governo nas decisões referentes à Cemig. “A Fiemg foi parceira do governo mineiro na venda dos 31% de ações da companhia, mas vamos analisar com mais cuidado a eventual venda do seu controle”, diz um dirigente da federação.
Em entrevista a jornalistas, o vice-governador Walfrido dos Mares Guia assegurou que a venda do controle da Cemig não está na lista do programa de privatização do governo, que prevê a venda do Bemge, da Ceasa e dos armazéns da Casemg, além de diversos imóveis de propriedade do governo. Ele não descartou, porém, a hipótese de venda do resto das ações da Cemig, maior ativo do governo. “O futuro a Deus pertence. Eu não sei o que fará o futuro governador, no ano que vem, na semana que vem, ou daqui a um ano, as circunstâncias que nós vamos ter. Eventualmente, também, você muda de opinião por ter um mercado espetacular”, disse Walfrido.
Insatisfação – Em 28 de maio passado, o governo de Minas vendeu 31% das ações ordinárias da Cemig, por R$ 1,3 bilhão, a um consórcio formado pelas companhias americanas AES e Southern Electric. O valor patrimonial da empresa, hoje, é de quase R$ 10 bilhões e o valor de mercado é estimado em R$ 16 bilhões. “Quem tem de fato dizer o quanto ela (a Cemig) vale é o mercado. Isso se ela fosse ser oferecida ao mercado, o que não é o caso”, ponderou o vice-governador.
A insatisfação da Fiemg com a Cemig se deve à falta de diálogo da federação com a companhia desde a posse dos representantes dos novos sócios americanos. A presidência da Fiemg convidou os novos parceiros para uma reunião e não recebeu qualquer resposta. Além disso, a Fiemg também se irritou com o anúncio da Cemig, no início da semana, de que iria cortar 20% do fornecimento de energia elétrica às indústrias por causa da queda das torres de transmissão da usina hidrelétrica de Itaipu. “Não nos deram qualquer satisfação sobre a medida”, queixou-se um dirigente da Federação das Indústrias.
Caso decida vender o restante de ações da Cemig, o governo mineiro precisaria da aprovação da Assembléia Legislativa, o que exigiria uma negociação com correntes políticas ligadas ao Palácio da Liberdade. Um dos obstáculos é o grupo liderado pelo ex-governador Hélio Garcia, do PTB, que questionou a venda dos 31% de ações ordinárias. O ex-governador Newton Cardoso, atual prefeito de Contagem, também se opõe à privatização da companhia e pretende transformar o assunto num tema de campanha eleitoral.
[7 de novembro]