Não adianta argumentar! Eles têm que verder mesmo!
A gravidade do racionamento não suporta nem o "timing" para vender a empresa. Diversas etapas acionárias e jurídicas terão que ser cumpridas. Enquanto isso a crise energética se agrava e FURNAS fica de mãos atadas assistindo a tudo sem nada poder ajudar. Preparem-se. Será muito pior do que se pensa! A separação de transmissão e geração no Brasil é um erro técnico que será sentido no futuro, trazendo inclusive desequilíbrio entre atores do mercado. O sistema de transmissão brasileiro têm um papel sinérgico altamente sub-avaliado e deveria ser tratado em conjunto com a expansão da geração. A separação não é necessária nem para implantar a concorrência. Se é que ela vai existir. Uma vez pulverizada, os acionistas poderão dar adeus a dividendos por muitos anos, pois, se FURNAS for o agente principal da recuperação da penúria energética que nos meteram, terá que investir todo seu lucro por muitos anos. Os capitais que poderiam se dirigir a novos projetos de geração estão agora paralisados pela atração de comprar ativos já amortizados. Finalmente, é inacreditável a pressão dos secretos compromissos assumidos, sabe-se lá quais, que levam um governo a decidir uma alienação que toda a sociedade já se manifestou contrária. Que fique registrado mais essa irresponsabilidade.Apenas geração de Furnas será vendida
Liana Verdini e Adriana (Globo On 12/4/2001)
Vasconcelos BRASÍLIA, 12 (Globo On Line) – O Ministério de Minas e Energia esclareceu há pouco que o governo venderá apenas as ações da empresa de geração decorrente da cisão de Furnas. A empresa de transmissão permanecerá nas mãos do governo. Esse mesmo modelo foi usado na divisão da empresa de energia do Rio Grande do Sul, quando apenas a Gerasul teve suas ações vendidas, ficando a transmissão com o governo. A informação sobre a divisão de Furnas foi dada pelo ministro de Minas e Energia, José Jorge, ao sair do almoço no Palácio da Alvorada, que reuniu ministros da área econômica e o presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo José Jorge, o primeiro passo é retirar a empresa do sistema Eletrobrás e só então iniciar o processo de cisão da companhia, que permitirá a venda das ações. Todo o roteiro e a modelagem serão definidos pelo BNDES, gestor oficial do Programa Nacional de Desestatização. O ministro acrescentou que a venda das ações será feita de forma pulverizada, não será por meio de leilão, e o governo manterá por um tempo ainda não determinado um tipo de ação com poderes especiais, a golden share. Os prazos não foram definidos. José Jorge disse que essa foi uma decisão de natureza técnica e considerou normais as pressões políticas contrárias à venda da empresa. Ele lembrou que esse tipo de movimento ocorreu em outras privatizações. Para o ministro, mais importante do que definir prazo para venda é garantir a qualidade do processo, um modelo correto. José Jorge contou que a grande discussão na semana passada era decidir se Furnas seria ou não dividida.