Será que esses números nãodizem nada?Desde 1995, o setor de geração está aberto à iniciativa privada. Qualquer investidor, protegido sob a figura do produtor independente, poderia c …

Será que esses números não
dizem nada?

Desde 1995, o setor de geração
está aberto à iniciativa privada. Qualquer investidor,
protegido sob a figura do produtor independente, poderia construir
novas usinas. Mesmo antes, o capital privado poderia ter construido
usinas como autoprodutor vendendo o excedente.

A tabela ao lado mostra a
evolução da capacidade instalada do sistema brasileiro
no período 1980 – 2000. Representa o total de usinas instaladas.
Mostra também a evolução do consumo de energia
elétrica no mesmo período.

Basta olhar o gráfico
para entender que a evolução da capacidade instalada
a partir de 93 (3% a.a) não acompanha a evolução
do consumo (5% a.a) no mesmo período. A capacidade tem
evoluido aproximadamente 2% abaixo da demanda por ano, o que
é compensado com o aumento do risco de déficit.

O gráfico mostra claramente
que o crescimento da capacidade instalada está perdendo
a corrida para o consumo.

Ao contrário dos países
que dependem de sistemas térmicos, no Brasil é
possível "mascarar" a falta de investimento
contando com um pouco de sorte e a ajuda da meteorologia. O que,
convenhamos, não é um critério decente de
responsabilidade pública!

O segundo e terceiro gráfico
mostram de onde vem a energia para atender o mercado crescente
apesar da falta de investimento:

1. Desestoque da reserva energética.
Os reservatórios não enchem mais. Aumento do risco.

2. Aumento da geração
térmica.

CONSUMO (MWh) Capacidade Instalada
(MW)
1980 115.424.885 30.189
1981 118.482.189 34.096
1982 125.438.920 35.994
1983 134.179.823 36.415
1984 149.09.2320 38,049
1985 164.088.445 40.567
1986 177.357.480 41.323
1987 182.564.730 44.260
1988 192.738.000 46.394
1989 201.474.000 48.908
1990 205.310.000 49.756
1991 214.429.000 50.774
1992 218.425.000 51.739
1993 227.121.000 52.750
1994 235.627.000 54.122
1995 249.120.000 55.401
1996 260.111.000 57.194
1997 276.186.000 59.157
1998 287.392.000 61.325
1999 291.858.000 63.966
2000 306.450.900 67.204



Se o risco de déficit
em 1980 cumpria os famosos 5%, é evidente que esse nível
de risco não pode ser mantido em 2000, dada a "ampliação"
da distância entre consumo e capacidade instalada mostrada
no gráfico ao lado.

Apesar desse risco maior, a tarifa,
que paga uma sobrecapacidade que garanta o abastecimento em situações
adversas, aumentou consideravelmente. Ou seja, hoje pagamos mais
caro por um sistema com maior risco de colapso!



Os
reservatórios brasileiros não conseguem mais encher.
Não porque temos tido secas seguidas mas porque o número
de usinas instaladas não acompanhou o crescimento do consumo.


O gráfico
mostra o aumento da geração térmica.
Não que o número de usinas desse tipo tenham aumentado
nesse período, mas pela necessidade de complementar a
energia hidráulica agora insuficiente para atender o mercado
de energia.

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