Não entendemos o "ainda"? Ficamos preocupados com a frase da Ministra, "Ainda defendemos que não tenha privatização."! Ainda???? Será que haverá um momento que irá se …


Não entendemos o "ainda"?


Ficamos preocupados com a frase da Ministra, "Ainda defendemos que não tenha privatização."! Ainda???? Será que haverá um momento que irá se admitir a privatização? O governo Lula já decidiu não usar suas empresas públicas como atores principais de uma ação estratégica no setor elétrico, e agora, esse ato falho? O documento do Instituto Cidadania pregava coisa bem distinta! Sugerimos substituir o ainda pelosempre !!!


Algumas pessoas precisam fazer um curso de setor elétrico brasileiro para não sair por ai falando bobagens. A comparação do sistema de contratação da capacidade proposto no modelo e a situação das térmicas emergenciais é ridícula. Em primeiro lugar, a contratação de hidráulicas pela capacidade resolve um problema antigo: Qual é a energia assegurada de uma usina hidráulica do sistema interligado? Muitas cabeças, muitas respostas. Na realidade é fácil determinar a energia do sistema como um todo mas, totalmente arbitrário dividi-la por partes. Não dá para explicar rapidamente, mas está ligado à nossa geografia. Usinas hidráulicas serão sempre despachadas e portanto estaremos sempre usando-as! Térmicas emergenciais, além de caras não são usadas e se fossem não deveriam ser cobradas com tarifa extra pois a confiabilidade é um pressuposto do serviço. A comparação é triste!

ESP 23/07



Empresas esperam detalhes do modelo para investir


Para executivos, novos projetos de geração só serão definidos no ano que vem

RENÉE PEREIRA

O anúncio das bases do novo modelo de energia elétrica ainda não é suficiente para alterar o quadro de paralisia dos investimentos no setor, segundo executivos da área. De acordo com eles, até a implementação do modelo, previsto para início de 2004, tudo continuará em compasso de espera, sem nenhum novo projeto de geração iniciado nesse período. "O que foi apresentado pelo ministério é apenas um proposta que ainda vai a debate.


Portanto, a configuração final do modelo está longe de ser concluída", afirmou Maurício Perez Botelho, diretor de Relação com Investidores e vice-presidente financeiro da Cataguases Leopoldina, que hoje tem cinco usinas em construção.


Em sua avaliação, o modelo proposto pelo ministério privilegia a geração e esquece da distribuição, que vive momento delicado por causa do alto endividamento e do queda no consumo, decorrente do racionamento. Isso acaba provocando um problema na obtenção de crédito. "Para um banco, que analisa um pedido de financiamento de projeto, o fato de a compradora de energia estar em dificuldade financeira significa grande risco e compromete as perspectivas de obtenção do crédito."


O vice-presidente da Duke Energy, Paulo Born, também defende a recuperação da saúde financeira do setor elétrico. Mas ressalta que entre as principais preocupações do momento estão as propostas de transição, para os contratos já existentes, que deverão ser divulgadas nos próximos 15 dias. "Essas medidas são tão importantes como a base anunciada anteontem pelo ministério", afirmou. Segundo Born, hoje o foco do grupo é recompor o valor de mercado da empresa para o acionista. Portanto, investimentos estão fora dos planos da companhia, que cancelou em 2002 a construção de três termoelétricas. "As decisões de investimento estão vinculadas ao arcabouço do modelo regulatório."


A opinião é compartilhada pelo presidente da Associação de Produtores Independentes de Energia (Apine), Eric Westberg. Segundo ele, o investidor só volta a aplicar seu dinheiro no Brasil quando as medidas para o novo modelo forem aprovadas pelo Congresso. Ele lembrou que, de acordo com recente relatório apresentado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), pelo menos 40% dos projetos de investimentos entre os produtores independentes de energia estão "comprometidos". De modo geral, Westberg avalia como "bem elaborado" o programa anunciado. Para ele, a figura do administrador de contratos é a melhor notícia do novo modelo. Mas o executivo acredita que falta ao setor melhor definição sobre o papel das estatais versus empresas privadas.


Na opinião da diretora-executiva da Associação Brasileira das Concessionárias de Energia Elétrica (ABCE), Silvia Calou, a proposta do novo modelo tenta privilegiar os consumidores, com a garantia de fornecimento de eletricidade e modicidade tarifária. Mas ao mesmo tempo transfere para eles o risco que antes era dos investidores. Quem participar do pool não terá risco hidrológico. Ou seja, receberá pela energia garantida, independentemente de gerar mais ou menos energia, afirma Armando Franco, analista da Tendências Consultoria Integrada. Assim, o custo será repassado para o consumidor. "Eles criticaram as usinas emergenciais e agora estão fazendo algo semelhante", completa. (Colaborou Kelly Lima)


Não haverá nova rodada de privatização do setor, diz Dilma


Venda de ações de estatais e emissão de debêntures não incluiriam perda de controle acionário

GERUSA MARQUES e JOSÉ RAMOS




BRASÍLIA – A ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, disse ontem que o governo mantém a decisão de não privatizar as empresas estatais do setor elétrico. Segundo ela, a possibilidade de venda de ações de empresas estatais e de emissão de debêntures, prevista nas diretrizes do novo modelo do setor elétrico, divulgada segunda-feira, tem o objetivo de capitalizar as empresas de geração e transmissão de energia, mas não inclui perda de controle acionário.


Por isso, afirmou, as hipóteses não contrariam a orientação do governo de retirar as estatais do Programa Nacional de Desestatização (PND). "Ainda defendemos que não tenha privatização." A venda de ações, proposta no relatório inicial do novo modelo do setor, não comprometerá o controle acionário dessas empresas pela União, disse, lembrando que o projeto de privatização trouxe prejuízo para a geração hídrica.


A ministra afirmou estar em estudo uma proposta de retirada total de todas as empresas do setor do PND. O documento divulgado ontem, explicou, trata apenas de possibilidades. "As coisas estão sendo tratadas como hipóteses."


Segundo Dilma, a eventual emissão de debêntures, se conversíveis em ações, seria feita de forma a não ameaçar o controle federal.


A ministra disse ainda que não está dirigida a nenhum grupo específico a proposta de proibir as distribuidoras de terem usinas de geração de energia para atendimento próprio (self-dealing). "É uma prática que deu resultados danosos", afirmou, lembrando que a prática levou empresas a repassarem ao consumidor preços e custos superiores aos praticados no mercado.

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