O GLOBO On 08.06.97 MERRILL LYNCH RECOMENDA A COMPRA DE AÇÕES DA LIGHT Maria Luiza Abbott BRASÍLIA. Pouco mais de um ano depois da privatização, a Light se tornou uma empresa- modelo para o setor e …



O GLOBO On 08.06.97

MERRILL LYNCH RECOMENDA A COMPRA DE AÇÕES DA LIGHT


Maria Luiza Abbott


BRASÍLIA. Pouco mais de um ano depois da privatização, a Light se tornou uma empresa- modelo para o setor elétrico. Um estudo preparado pela consultoria Merrill Lynch para os investidores deu à empresa a melhor nota possível: "Buy it" (compre). Ou seja, os analistas recomendam a compra de ações da Light mesmo depois de uma valorização de 42% desde janeiro, que continua sendo destaque entre as opções de investimento da consultoria. A recomendação se baseia numa perspectiva de maior lucratividade em consequência do aumento de eficiência e de tarifas mais atraentes.


– A privatização significou corte de custos e um critério favorável de reajuste de tarifas. Além disso, a Light ganhou mais agilidade para realizar novos investimentos – afirma o economista Marcelo Audi, responsável pela análise da Merrill Lynch e que recomendou a compra de ações da ex-estatal.


Na área de redução de custos, a Light já demitiu 35% de seus funcionários desde a privatização, em maio do ano passado. Em relação à receita, a empresa privatizada ganhou o que a estatal não tinha. Na época do leilão, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que vai regulamentar os reajustes de tarifas, não tinha sido, sequer, aprovada pelo Congresso. Por isso, o contrato de venda da Light previu que, por oito anos, os preços serão corrigidos pelo IGP-M, mesmo que haja redução proporcional de despesas. Além disso, se houver um aumento de custos não controlados pela Light, como por exemplo o preço da energia comprada, a diferença pode ser repassada.


Graças a esse critério, as tarifas subiram 8% em novembro de 1996. E para este ano, o Departamento Nacional de Energia Elétrica (DNEE) já concedeu outros 4% em maio e prometeu mais 5,9% para agosto. Esses aumentos serviriam para compensar os reajustes de 7% autorizados para Itaipu e de 13,6% para Furnas, que são fornecedores da Light. A garantia de correção de tarifas deu segurança aos compradores e, na avaliação de Marcelo Audi, é bom para o consumidor porque não haverá aumentos reais.


– Esse é um assunto complexo nas privatizações de concessões de serviço público. Mas no caso da Light, a qualidade do serviço tem melhorado e a tarifa é justa – defende o economista.


Para reforçar sua tese, os números mostram crescimento nas vendas de energia da Light, em gigawatt/hora, desde sua privatização. No total, a empresa vendeu 4,1% a mais de energia, com a demanda liderada pelas áreas residencial, que subiu 5,1%, e comercial, 6,1%, em um ano. Já a venda de energia para as indústrias do Rio subiram bem menos: 2% nesses 12 meses. A tendência, segundo a Merrill Lynch, é de manutenção do crescimento de vendas nos próximos dois anos.


Outro ponto positivo para a Light privatizada, na opinião do economista, é que a empresa está aumentando seus investimentos. Em função dessa estratégia, vem reduzindo o nível de perda de energia entre a compra e a venda, o que permite melhores desempenho e eficiência. A receita da Light no primeiro quadrimestre deste ano foi de R$ 445 milhões, um aumento de 7% em relação ao mesmo período do ano passado. A previsão da Merrill Lynch é que a receita vai chegar a R$ 1,817 bilhão em 1997, com tendência de crescimento, podendo atingir R$ 2,09 bilhões em 1998.


O acompanhamento do desempenho da Light nesses 12 meses e a avaliação geral do setor elétrico no Brasil levam Marcelo Audi a prever um quadro favorável para a privatização, pelo menos do lado do investidor. Segundo ele, a tendência geral das empresas do setor, quase todas estatais, é de busca de redução de custos e ganho de eficiência.


Para melhorar ainda mais, novamente segundo Audi, as perspectivas são de crescimento de demanda e de manutenção de tarifas ajustadas. O que para o consumidor, é claro, significa um aumento nos preços do serviço.


Com um quadro positivo para o setor, Marcelo Audi prevê que o Governo federal e os governos estaduais devem arrecadar cerca de US$ 20 bilhões com a privatização das estatais de energia elétrica nos próximos três anos. As vendas vão atrair investidores estratégicos estrangeiros e nacionais, segundo o economista. Nessa lista estariam desde indústrias que dependem do fornecimento de energia elétrica até grupos financeiros, como foi o caso do banco Opportunity, com a venda de ações da Cemig.

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