O ILUMINA já apresentou em diversas oportunidades, incluindo o congressso nacional, os motivos técnicos que fazem com que o Brasil, dada as especificidades, não comporta o modelo mercantil que exige a separação da transmissão e geração. Mais a arrogância das autoridades é tanta que fingem não ouvir. Continuam aprofundando o modelo que ainda não provou seus benefícios. muito pelo contrário.
NOVA TENTATIVA DO BNDES PARA ESQUARTEJAMENTO DA CHESF
COMENTÁRIOS DO ILUMINA
BANCO NACIONAL DE DESINTEGRAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL
Volta-se a falar na divisão da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco em várias empresas menores, com o propósito de prepará-la para futuras privatizações. Lança-se assim, ao fracionar a última grande instituição de alcance regional no Nordeste, a derradeira pá de cal na pretensão de se ter alguma política de integração na Região.
Os americanos, a quem nossas autoridades tanto gostam de macaquear, mantém intactas suas instituições de caráter regional, como o TVA. O exemplo da Argentina que vendeu até o último ativo estatal, e chegou ao caos, não comove nem alerta nossos sábios economistas oficiais. O BNDES, novo Jack O ESTRIPADOR, que gerou esse modelo, bem que poderia passar a se chamar Banco Nacional de Desintegração Econômica e Social.
Felício Limeira de França
A RETOMADA DA MARCHA DA INSENSATEZAo iniciar-se o ano de 1999 a CHESF estava ameaçada de esquartejamento que deveria ocorrer em fins de março.
O Dr. Roberto Magalhães então Prefeito da Cidade do Recife teve a sensibilidade de avaliar as conseqüências do crime que seria cometido contra o Nordeste e contra os Rios São Francisco e Parnaiba, pois a cisão, objetivo do esquartejamento, era o passo inicial para a privatização das hidrelétricas das empresas, e com ela a privatização das águas desses rios.
O posicionamento do Dr. Roberto Magalhães repercutiu e multiplicou-se através de parlamentares, governantes, formadores de opinião e lideranças da sociedade civil. O processo foi suspenso.
Agora, quase três anos após, na surdina, mascarado por pronunciamentos de autoridades como o Presidente do BNDES, que declarou que a privatização não era oportuna, a marcha da insensatez foi retomada.
Com a usual arrogância e a contumaz ignorância no que se refere a energia elétrica, os gestores da economia e os porta-vozes da privatização do sistema hidrelétrico nacional voltaram a carga: no dia 19 de dezembro de 2001, o BNDES fez uma exposição para o Conselho Nacional de Desestatização CND, que obedece as ordens da equipe econômica.
Como certamente tudo já estava ensaiado, no dia seguinte a ELETROBRÁS já divulgava para "os acionistas e mercado em geral", um Fato Relevante – a ELETROBRÁS recebeu determinação do CND para adotar todas as providências, inclusive contratação de consultores para estudo e implementação da cisão da própria ELETROBRÁS, FURNAS, CHESF e ELETRONORTE.
O Governo Federal ao invés de cuidar de corrigir as besteiras que levaram ao racionamento, de definir qual a matriz de expansão que atenda exclusivamente aos interesses nacionais e qual a melhor estrutura para conduzir essa expansão, dedica-se através dos gestores da economia, a procurar caminhos sinuosos para esquartejar suas empresas, deixando o caminho aberto para futura privatização dos rios brasileiros.
No caso da CHESF, tentando minimizar as reações e procurando enganar os tolos, a proposta é criar duas empresas de geração: Xingó e Restante das Hidrelétricas .
A insanidade ocorre no fim do ano e a data de 31 de maio de 2002 é estabelecida como limite para estudos e implementação das operações associadas ao esquartejamento.
O mínimo que se deve esperar é que, passadas as comemorações de fim de ano, os parlamentares, formadores de opinião e lideranças da sociedade civil se reorganizem e exijam a suspensão dessa nova marcha da insensatez.
No entretempo é preciso esclarecer uma série de questões, que mais uma vez depõem contra o Governo Federal, representado pela sua equipe econômica:
Um acordo acaba de ser fechado para compensar as transnacionais de distribuição, pela queda de faturamento decorrente do racionamento. Será que a segregação de Xingó, do restante das hidrelétricas da CHESF, é o "trocado" do acordo ? "Vocês queriam 17 bilhões pelo Anexo V. Estamos dando 7 bilhões, mas fiquem tranqüilos pois a CHESF será esquartejada e Xingó com três milhões de quilowatts vai ser leiloada entre vocês".
Por que o Governo Federal ao invés de ter clareza na correção das besteiras que fez até hoje, estabelecendo a desordem no Setor Elétrico, privilegiando especuladores e traficantes de energia, do tipo da recém falida ENRON, decide de forma açodada esquartejar empresas como passo inicial para a privatização dos rios brasileiros ?
Por que o Governo Federal continua sem aprofundar a discussão sobre a matriz de expansão da geração no Brasil, e a estrutura para conduzi-la ?
Será que a intenção do Governo Federal, através dos gestores da economia, entregar ao presidente eleito em outubro de 2002, qualquer que seja ele , o fato consumado do esquartejamento da CHESF ? Afinal de contas, a partir de 2003 qualquer que seja o presidente eleito, os atuais gestores da economia estarão trabalhando para outros (?) patrões.
Finalmente: a ignorância a respeito de energia elétrica, e a arrogância dos gênios do BNDES é tal que, incapazes de defender tecnicamente qualquer sugestão, eles simplesmente na exposição feita no dia 19.12.2001 para o CND, omitem qualquer justificativa técnica para a divisão da CHESF em duas empresas geradoras. Na seqüência, o ILUMINA e todas as pessoas de bom senso irão apresentar provas da irracionalidade da medida.
João Paulo Maranhão de Aguiar (Diretor do ILUMINA – Nordeste)