Onde estão as térmicas à gás do setor privado ????????
JB 02/09/99
Tietê terá lance de R$ 721,7 milhões
MAURÍCIO PALHARES Agência JB
SÃO PAULO – O governo paulista anunciou ontem o preço mínimo de R$ 721.756.675,07 para a compra dos 38,66% do capital social da Companhia de Geração do Tietê, empresa resultante da cisão da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) que deverá ser privatizada em outubro, em data ainda indefinida. O valor foi acertado na noite de quarta-feira pelo governador Mário Covas e seu vice, o presidente do Programa Estadual de Desestatização, Geraldo Alckmin.
Quem arrematar o complexo de nove usinas terá que desembolsar, além do lance dado em leilão, R$ 23,330 milhões referentes ao deságio de 50% sobre o preço mínimo de 2,5% das ações da oferta aos empregados. Os funcionários da Cesp terão direito de preferência ainda a outros 2,5% do capital total da geradora, só que sem deságio.
O analista de energia elétrica do banco Brascan André Segadilha considera o valor bom e dentro do esperado pelo mercado. "Certamente, haverá interessados", arrisca. Um dos motivos para sua previsão é que a Tietê está mais barata em dólar do que a Paranapanema, outra geradora da Cesp vendida à Duke Energy em julho, por R$ 1,239 bilhão.
O secretário de Energia de São Paulo, Mauro Jardim Arce, defendeu o valor como justo, mas disse que as oscilações do câmbio e outros componentes do cenário econômico influenciaram a avaliação. "Se houver ágio, será melhor, mas o valor mínimo é justo." Arce destacou que onze empresas estão consultando o data room (banco de dados) da geradora. A Tietê ficará com R$ 1,153 bilhão em dívidas.
Brasil fica sem gásBolívia suspende exportação devido à baixa demanda
LA PAZ – A exportação de gás natural pelo gasoduto Bolívia-Brasil está suspensa até a próxima semana por falta de demanda do mercado brasileiro. Desde julho, a Bolívia exporta 2,2 milhões de metros cúbicos diários de gás para o Brasil, mas a demanda caiu para 1,8 milhões de metros cúbicos nos últimos dias.
A suspensão foi solicitada pela Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB, estatal que dirige as exportações de gás) à Transredes, empresa encarregada do transporte de gás natural através do gasoduto de 3.200 quilômetros de extensão.
O contrato de venda estipulava para esse ano a exportação de 2,2 milhões de metros cúbicos/dia, com aumento gradual até 30 milhões de metros cúbicos/dia a partir de 2002.
O gasoduto, o maior da América do Sul, foi construído ano passado e tem capacidade para transportar até 30 milhões de metros cúbicos/dia. A descoberta recente de reservas gigantescas de gás na Bolívia levou a Petrobras a pensar até na construção de um segundo gasoduto.
Fontes do vice-ministério boliviano de Energia atribuíram a redução da demanda brasileira a problemas entre o governo do Brasil e as indústrias do Sudeste, as maiores consumidoras de gás no país. A Gaspetro, subsidiária da Petrobras, não se pronunciou sobre o assunto.
As indústrias brasileiras iniciaram recentemente, e de forma tímida, a conversão de suas máquinas de óleo combustível para gás natural. A previsão do governo é de crescimento da demanda de gás até 60 milhões de metros cúbicos/dia em 2004.