Ora, ora, quem diria!!! O Sr. Luís Carlos Santos, um privatista de primeira, defendendo FURNAS estatal ??? Pode-se imaginar tortuosos e inconfessáveis caminhos para tal declaração. Para ficar com o mais inoce …



Ora, ora, quem diria!!! O Sr. Luís Carlos Santos, um privatista de primeira, defendendo FURNAS estatal ??? Pode-se imaginar tortuosos e inconfessáveis caminhos para tal declaração. Para ficar com o mais inocente talvez seja o reconhecimento de que investimentos privados não virão….
Ao GLOBO, o sr. Nelson Barreira, personagem da segunda notícia, chegou a falar grosso, declarando: " Se o govêrno não tem competência para administrar suas políticas monetária e fiscal, não seremos nós os sacrificados". Coitados, tão pobrezinhos! No entanto, o ILUMINA concorda com a incopetência das autoridades e a estende também à política energética. Porque não?
JB 3/12/99

Furnas adota pulso forte

Presidente da empresa quer fortalecê-la com projetos orçados em US$ 11 bi


MAIR PENA NETO


O presidente de Furnas, Luiz Carlos Santos, defendeu ontem que a empresa seja "a Petrobras do setor elétrico", ao anunciar a intenção de efetivar projetos de parcerias em geração e transmissão no valor de US$ 11 bilhões em sete anos. "Toda hora batem à porta de Furnas, porque a empresa tem credibilidade". E acrescentou: Furnas precisa ser competitiva, mesmo com a privatização.


Para Luiz Carlos Santos, uma estatal forte no setor elétrico não é incompatível com a privatização, e as parcerias ajudam a valorizar os ativos na hora da venda de ações. "Furnas atua num setor estratégico e tem sua importância, como a Petrobras", enfatizou. "Não se trata de deixar o setor com a privatização. Defendemos um modelo de corporação que possa executar projetos, dentro da privatização. É uma privatização moderna e mais democrática também."


Em estudo – Mesmo frisando que o governo optou pela pulverização das ações no processo de privatização de Furnas, Luiz Carlos Santos não quer um sócio majoritário, como defende o ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho. "Essa questão está sendo estudada. Tenho uma opinião e posso dá-la ao BNDES e ao presidente, se for chamado", reservou-se. Mas lembrou que entende do assunto por ter feito curso de mercado de capitais na Universidade de Nova Iorque.


A idéia de uma Furnas forte e competitiva é defendida por diversos setores da sociedade, que não vêem na privatização da geração nenhum ganho para a ampliação do sistema. Luiz Carlos Santos também não gostara do modelo inicial de privatização proposto para Furnas – que seria cindida em duas empresas de geração e uma de transmissão -, e sempre foi mais simpático à pulverização das ações no mercado.


A posição do presidente, ex-ministro da Coordenação Política de Fernando Henrique Cardoso, é de que Furnas não pode ficar paralisada enquanto se estuda um modelo de privatização. As parcerias cogitadas pela empresa atingem US$ 11 bilhões, sendo US$ 8 bilhões em geração e US$ 3 bilhões em transmissão.


Acordo – Ontem, Furnas assinou um acordo de cooperação técnica com as empresas Cobee Energy Development, dos Estados Unidos; Nissho Iwai Corporation, do Japão; Pan American Energy, da Argentina, e ICE Ingenieros, da Bolívia, para viabilizar um sistema de transmissão até São Paulo de energia gerada na Bolívia em termelétricas a gás natural. A implantação do sistema permitirá a transmissão de 2.800 MW por uma linha de transmissão de 2.300 quilômetros.


"Esse projeto representa investimentos de US$ 2,5 bilhões e vai gerar energia equivalente a quatro usinas de Furnas", afirmou Luiz Carlos Santos. As empresas estrangeiras investirão US$ 1,5 bilhão na construção da termelétrica na Bolívia, e a Furnas caberá US$ 1 bilhão nos 2.300 quilômetros da linha de transmissão.


Também ontem, Furnas assinou acordo de parceria com a americana El Paso Energy para a implantação da Termelétrica de Macaé, em Cabiúnas, que vai gerar 500 MW. Os investimentos para a construção da usina e o sistema de transmissão associado serão de US$ 280 milhões, e o início da operação está previsto para o fim de 2002.


JB 03/12/99

Elétricas rejeitam revisão de tarifas

REJANE AGUIAR


SÃO PAULO – A Associação Brasileira de Concessionárias de Energia Elétrica (ABCE) não aceita conversar com o governo sobre alterações nas regras tarifárias previstas nos contratos de concessão assinados nas privatizações. Preocupado com o recente aumento da inflação, o governo realiza estudo sobre a possibilidade de trocar o índice de correção das tarifas, que é o IGP-M, da Fundação Getúlio Vargas.


O argumento para a mudança é o fato de o IGP-M normalmente ser mais alto do que outros índices devido ao peso de 60% dos preços no atacado em sua composição – mais afetados pelas variações cambiais. Corrigidas pelo IGP-M, as tarifas exerceriam maior pressão sobre o custo de vida, podendo comprometer as metas de inflação. As empresas dizem que, do reajuste médio de 18%, este ano, ficaram apenas com 4%, e o restante é de repasses de impostos e desvalorização cambial.


"Não admitimos que se considere o setor de energia elétrica como o vilão da inflação", afirmou o presidente da ABCE, Nelson Vieira Barreira. A entidade reuniu ontem em São Paulo executivos das principais empresas do setor, como Eletropaulo Metropolitana, Light, Bandeirante, Elektro e CPFL, entre outras, para discutir o assunto e as medidas que podem ser tomadas caso o governo insista na alteração dos contratos.


Na Justiça – Barreira disse que a ABCE pode ir à Justiça se o governo leve adiante a intenção de rever as condições de reajustes. "Não admitimos mudanças nas regras que o próprio governo estabeleceu. Iremos a todas as instâncias para garantir o direito das empresas", assegurou.


Os representantes das empresas alegam que mudanças nas normas previstas nos contratos pode resultar em perda de credibilidade do Brasil no exterior. Além disso, na avaliação dos executivos, uma eventual mudança nas regras pode prejudicar o fluxo de recursos para as companhias no país. "O capital necessário para os investimentos previstos só vem se as regras estabelecidas pelo próprio governo forem cumpridas. Se os recursos não vierem, não haverá dinheiro suficiente e a sociedade é que vai pagar por isso", comentou Otávio Carneiro de Rezende, diretor Financeiro e Administrativo da Empresa Bandeirante de Energia, distribuidora do interior paulista.


Segundo o presidente da ABCE, as empresas do setor não querem também que o governo antecipe o prazo de revisão de contratos, que varia de quatro ou cinco anos depois da privatização. Barreira destacou que as companhias já amargam o represamento de aumento de custos com a desvalorização cambial, principalmente na região Sudeste. "Nos estados dessa região as empresas são obrigadas por lei a comprar 30% da energia de Itaipu, cotada em dólar".





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