Ora vejam só! Agora o BNDES reconhece o aumento do risco de desabastecimento. Os "sábios" desse Banco antecipam a necessidade de novas medidas para alavancar investimentos no setor. Ousamos perguntar: Por acaso seriam subsídios? Como fica a tese da saida do Estado desses investimentos? Como os sábios do Banco explicam essa falta de vontade de investir das empresas privadas vis-a-vis o preço sempre corrigido da energia? O que dizer dos lucros das empresas privatizadas? Para onde irão esses recursos? Os "sábios" ainda têm o displante de culpar a hidraulicidade do sistema brasileiro por esse risco! Mostram total desconhecimento dos critérios de garantia que sempre vigoraram na gestão do setor quando estatal. Estamos caminhando para o racionamento exclusivamente por culpa da política equivocada adotada pelo govêrno federal. Podem ir arrumando outras desculpas! Veja a solução para o consumidor aqui!
BNDES prevê períodos críticos na energia elétrica
Rio, 13 – Um extenso estudo do BNDES sobre o setor de energia do país, mostrou que mesmo com a ampliação da geração de energia elétrica, "as projeções anunciam a possibilidade de ocorrência de períodos críticos até 2001, em especial para o Sistema Interligado Sul/Sudeste e Centro-Oeste, quando o risco de déficit de fornecimento de energia será superior ao limite de 5%, considerado compatível a um sistema elétrico tal como o brasileiro, preponderantemente hidráulico". Os técnicos do BNDES analisam nesta questão a seca nas bacias onde estão os reservatórios das principais hidrelétricas destas regiões. Por exemplo, no último levantamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico, os reservatórios da hidrelétrica de Furnas, no Rio Grande, estava com um volume útil de apenas 23 36%; e a de Marimbondo, no mesmo rio, com 15,77%. No rio Paranaíba, o reservatório de Emborcação estava com 22,65% de volume útil; e a de Itumbiara, 18,69%. No rio Paraná, a hidrelétrica de Ilha Solteira estava com 32,38%; e a de Promissão, no rio Tietê, com 30,99%. Há uma torcida geral no Ministério de Minas e Energia que as chuvas cheguem rapidamente, para minorar a situação dos reservatórios.
Diz o estudo do BNDES que "com a previsão de que o consumo de energia elétrica crescerá, nos próximos dez anos, à taxa média de 4,7% ao ano, o planejamento indicativo do setor elétrico – Plano Decenal de Expansão 1999/2008 – projeta a necessidade de expansão da capacidade instalada de geração do país para 104.666 MW em 2008, o que representará um acréscimo de 71% ao parque gerador existente em 1998, de 61.219 MW".Salienta o estudo, que o período crítico para a operação dos sistemas interligados, especialmente nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste, se estende até 2001. Isto significa dizer que qualquer adiamento nos investimentos programados, que resulte na postergação das datas de início de operação de usinas, representará uma acentuação desses riscos de déficit. Neste período deverão ser agregados ao sistema 10.728,4 MW, que demandarão investimentos de cerca de R$ 11,4 bilhões.Salientam os técnicos do BNDES que ao se analisar o comportamento das taxas de expansão do setor elétrico brasileiro verifica-se que, enquanto na década de 70 o ritmo de aumento da capacidade instalada de geração obedeceu à taxa média de 11,8% ao ano, na década de 80 baixou para 4,1% ao ano, reduzindo-se ainda mais nos anos 90, quando situou-se em 2,6% ao ano.
Conclui também que essa progressiva redução dos investimentos, especialmente nos últimos 5 anos, se refletiu no paulatino aumento do fator de utilização do sistema elétrico já instalado, que hoje opera próximo a seu limite de capacidade.Enfatizam também que as características do sistema elétrico brasileiro o tornam muito dependente do regime de chuvas, exigindo portanto a existência de reservas de acumulação de água para fazer frente às variações de consumo. Quando o sistema não conta com esta reserva e se depara com períodos hidrologicamente desfavoráveis, fica vulnerável a qualquer variação de consumo, deixando de acompanhar as exigências de crescimento do mercado.O atraso na ampliação do parque gerador e na expansão da malha de transmissão, associado ao crescimento do consumo e a períodos de hidrologia nem sempre favoráveis, fez com que, a partir de meados da década de 90, se estreitasse, ano a ano, a margem de segurança de operação do sistema, em especial nos horários de ponta de consumo.
Sinais claros de que o setor opera atualmente em seu limite de capacidade são evidenciados pela operação das usinas termoelétricas na base da curva de consumo, pela recente edição da Resolução ANEEL Nº 268/99, que estabelece diretrizes para redução voluntária do consumo industrial nos horários de ponta, pelo aviso de compra de excedentes por parte da Eletrobrás de energia produzida por cogeradores, dentre outras ações recentes do setor. Os técnicos do BNDES não só fazem a análise mas salientam que diante da perspectiva de a oferta de energia elétrica vir a se tornar obstáculo ao crescimento econômico, o Ministério de Minas e Energia tomou a iniciativa de conduzir um processo de identificação de medidas consideradas fundamentais para o estímulo a investimentos na expansão do parque gerador/transmissor brasileiro, de modo a propiciar um ambiente mais favorável ao rápido ajuste da oferta. Estas medidas têm como foco a eliminação de barreiras que, na atual fase de transição do setor, possam estar comprometendo a atratividade dos novos investimentos. Dá enfase a implantação de uma série de usinas termoelétricas no país, que estarão em operação até 2003. Fonte: Diário do Grande ABC