No aniversário do Plano Real, não queremos estragar a festa. Apenas consideramos que não é honesto mostrar o fim da inflação, ocorrida a partir da segunda metade da década de 90, como uma vitória brasileira apenas. O ex-presidente FHC, que volta à mídia para se auto elogiar deveria esclarecer o que estamos evidenciando aqui.
A tabela abaixo é originária do Fundo Monetário Internacional e mostra que, exceto Honduras, Equador e Venezuela, todos os países diminuiram consideravelmente seus índices inflacionários. Não é mera coincidência. As reformas liberalizantes da década, que prometiam o ingresso de investimentos estrangeiros na América Latina, exigiram um grande esforço no sentido da conversibilidade da moeda para o dólar. Afinal, ninguem colca dinheiro aqui se não puder reconvertê-lo para moeda forte. Portanto, o Real é apenas um pedaço de um movimento do grande capital financeiro internacional.
Inflação Anual Média na América Latina (%)
Country | 1980 – 1989 | 1990 – 1995 | 1996 – 2000 |
Argentina | 318,9 | 421,7 | -0,1 |
Brazil | 237,3 | 1374,2 | 7,6 |
Bolivia | 230,2 | 12,9 | 6,3 |
Peru | 193,6 | 1341,3 | 6,9 |
Mexico | 65,9 | 19,5 | 19,4 |
Uruguay | 56,5 | 70,6 | 13,9 |
Chile | 21,2 | 15,9 | 5,1 |
Dominican Republic | 21,7 | 21,3 | 6,5 |
El Salvador | 18,4 | 14,8 | 4 |
Paraguay | 20,3 | 21,7 | 8,9 |
Costa Rica | 24,1 | 19,3 | 12,8 |
Colombia | 23,3 | 25,5 | 15,6 |
Guatemala | 12,4 | 21,1 | 7,8 |
Honduras | 7,5 | 19,1 | 16 |
Ecuador | 32,1 | 41,1 | 47,9 |
Venezuela | 21,5 | 44,2 | 45,1 |
Source: Worl Economic Outlook (IMF)
O Brasil, como sempre, fez mais do que se pedia. Indexou as tarifas dos serviços públicos privatizados ao IGP-M, índice mais afetado pela moeda americana.
Não é engraçado e trágico ao mesmo tempo que, agora, 10 anos depois, é justamente essa decisão que faz com que a inflação não ceda, as taxas de juros tenham que ser mantidas altas, aumente o desemprego, exija-se mais superávit, aumente-se a carga tributária, etc?
Em todo caso, parabéns Plano Real!