"Parente, meu filho,
Desde que o João largou a Presidência, ando meio desanimada em escrever pra vocês, apesar de acreditar em tudo de bom que esse menino, o Fernando, anda fazendo pelo Brasil, principalmente no exterior. Que bom que ele deu continuidade ao trabalho dos outros dois Fernandos que o antecederam, não é mesmo! Agora, não dá pra deixar de elogiar a criatividade de vocês nessa história de apagão. Apesar de já existir um Ministério de Minas e Energia que, aqui entre nós, era ótimo no tempo daquele moço da Bahia, o Antonio, criar um Ministério pra isso é mesmo uma belezinha de idéia. Só acho que podia se chamar Ministério da Luz que é um nome bem mais otimista do que Ministério do Apagão, você não acha?
Tenho rezado muito pedindo aquele seu xará santo lá do céu que faça cair um dilúvio daqueles pra resolver de vez esse problema, mas, outro dia me disseram que se chover a quantidade necessária pra encher os reservatórios que vocês foram esvaziando rapidinho conforme a necessidade morreria todo mundo afogado…Com isso minha esperança agora são aqueles barcos imensos com uma usina lá dentro movida a óleo que pelo menos não ficam dependendo da vontade divina pra fazer luz e que vocês vão comprar pra gente sem licitação. Uma amiga me contou que basta ligar a usina na tomada do porto que a luz chega rapidinho. Parece que o problema é que sai um pouco mais caro, mas é aquele negócio quem pode pode quem não pode se sacode…mesmo no escuro.
Mas o motivo principal desta cartinha e ver se você não me consegue um financiamento bem baratinho aí no BNDES com aquele menino, o Gross, que hoje eu não sei se já voltou pra iniciativa privada ou não, de novo… Outro dia desses, um rapaz muito simpático de uma dessas empresas estrangeiras de energia elétrica, me disse que não há melhor negócio no mundo do que participar da compra das empresas brasileiras, porque aqui no Brasil o pessoal do governo é muito bom e ajuda todo mundo de fora que quer se dar bem por aqui. Mas, eu, mesmo sendo de dentro, gostaria também de, como se dizia no meu tempo, de entrar nessa boca…É claro que se você arrumar as mesmas condicões de financiamento que a gente está oferecendo ao pessoal lá de fora, será o ideal pra mim. Já estou com tudo ajeitado, inclusive um estudo muito bem feito por uns rapazes ingleses que foram umas gracinhas comigo de uma tal de Coopers & Libors que eu achei que fosse nome de conjunto de rock mas não é. Pois é Pedrinho…não quero tomar mais seu tempo porque sei que ele deve custar muito caro. Fico aguardando, otimista, uma resposta sua pra ver se eu realizo meu sonho de ser produtora independente de energia.
beijos da sua, Velhinha de Taubaté"