Petrobrás perde R$ 1,2 bi com termoelétricas Estatal dobrou previsão de prejuízo porque geradoras não venderam o esperado NICOLA PAMPLONA RIO – A Petrobrás dobrou a estimativa de perdas c …



Petrobrás perde R$ 1,2 bi com termoelétricas


Estatal dobrou previsão de prejuízo porque geradoras não venderam o esperado

NICOLA PAMPLONA

RIO – A Petrobrás dobrou a estimativa de perdas com investimentos em termoelétricas neste primeiro trimestre. Desde o ano passado, a estatal previa um prejuízo de US$ 205 milhões por não encontrar compradores para a energia gerada pelas usinas. Agora, aumentou esse valor para US$ 416 milhões, ou cerca de R$ 1,2 bilhão, pela cotação de ontem.

Segundo a empresa, o maior prejuízo é decorrente do fracasso na busca por contratos bilaterais de venda da energia. "A previsão anterior foi feita em setembro do ano passado, quando se esperava vender a energia das térmicas.

Mas vendemos menos e a preços menores do que o esperado", disse o diretor de gás e energia da estatal, Ildo Sauer.

A Petrobrás tem participação acionária em seis térmicas já em operação e é obrigada, por contrato, a garantir rentabilidade mínima para outras três, mesmo que não gerem energia. No entanto, apenas a usina Macaé Merchant, controlada pela El Paso, tem operado regularmente. Mesmo assim, por conta de uma necessidade técnica, já que a usina fica na ponta do sistema elétrico e sua operação contribui para a segurança do sistema.

De acordo com Sauer, após a reavaliação dos negócios neste setor, a empresa estima que as térmicas vão gerar, em média, apenas entre 1% e 2% de sua capacidade. As usinas de cogeração, que geram energia e vapor para uso nas refinarias da estatal, vão trabalhar com 95% de sua capacidade e a Macaé Merchant, com 20%, em média.

A usina de Macaé faz parte dos empreendimentos que têm rentabilidade garantida pela estatal, ao lado da Eletrobolt, operada pela Enron, e da Termoceará, operada pelo grupo MPX. Apenas com estes três contratos, a Petrobrás perde cerca de US$ 400 milhões por ano, diz o executivo.

"Estamos conversando com os proprietários das usinas para reavaliar as condições dos contratos. Temos confiança de que haverá sensibilidade para que façamos um negócio bom para todos", afirmou Sauer.

No ano passado, a empresa teve um prejuízo de R$ 1,5 bilhão com os investimentos em térmicas. No primeiro trimestre de 2003, a exposição a este tipo de negócio é de R$ 1,74 bilhão. A estatal já anunciou que não fará novos investimentos em geração de energia, limitando-se a concluir as usinas já iniciadas. Por isso, algumas turbinas compradas para térmicas estão sendo estocadas por falta de uso.

"Houve uma conjunção de fatores que contribuíram para as perdas, sendo que os principais deles foram o racionamento de energia, que reduziu o consumo, e as indefinições do setor elétrico", avaliou. No ano que vem, duas novas unidades devem entrar em operação: a Termorio, na Baixada Fluminense, e a Termoaçu.

Esta última está em discussão com o outro sócio, a Guaraniana, controlada pelo grupo Iberdrola, que quer suspender o projeto. Para Sauer, mesmo com as condições desfavoráveis do mercado, é interessante para a Petrobrás concluir o projeto, pois já há contratos de equipamentos e serviços já assinados e a usina vai gerar vapor para consumo próprio da estatal.


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