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É preciso entender que a citada curva guia é uma trajetória de alto risco. Em termos simples, é uma curva que "passa raspando" no desabastecimento. Qualquer fato inesperado pode nos levar aos apagões. Nesse momento é preciso lembrar que a tarifa cobrada dos consumidores cobre investimentos que manteriam esse risco no mínimo. Se o consumidor pagou por essa garantia, onde foi parar esse dinheiro? É só perguntar ao Ministro Malan e sua terrível máquina de cortes de investimentos públicos.


Apagão na Região Sudeste ainda não foi descartado, segundo ONS

Há risco se não chover o suficiente e até com o nível dos reservatórios acima da previsão de julho


RENÉE PEREIRA


Mesmo com o nível dos reservatórios acima da expectativa prevista para o mês de julho, a possibilidade de apagão na região Sudeste não pode ser descartada, afirmam técnicos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Segundo o órgão, o volume de chuvas nos próximos meses continua sendo um fator preponderante para o País, assim como os resultados do racionamento.


A preocupação do ONS é que a confortável situação do sistema neste momento possa ser revertida caso a população deixe de reduzir o consumo de energia.


Talvez, por este motivo, o órgão prefira manter a dúvida quanto à possibilidade do apagão nos próximos meses, embora reconheça que os números são positivos.


Até o dia 16, a energia armazenada no subsistema Sudeste era de 27,7%. Isso significa que a região chegaria ao final de julho com o nível dos reservatórios em 27,3% – três pontos porcentuais acima do nível previsto inicialmente pelo ONS, de 24,3%, de acordo com a "curva guia."


O problema é que essa curva é estática, enquanto o acompanhamento energético é dinâmico. Trata-se de uma estatística feita pelo ONS para prever o nível dos reservatórios a cada mês até novembro, considerando armazenamento final entre 10% e 12%.


Nordeste – Na Região Nordeste, a situação não é tão confortável como no Sudeste. Segundo relatórios de acompanhamentos diário do subsistema, o nível dos reservatórios está seguindo a trajetória prevista inicialmente, mas sem muita folga. Mesmo assim, por enquanto, até o dia 16, os números estão acima da "curva guia."


A energia armazenada no subsistema Nordeste, até esta data, era de 22,81%. A previsão, porém, para o dia 31 de julho era de 20,85%. De acordo com a "curva guia", a expectativa era terminar o mês com o nível dos reservatórios em 20,5%. As próximas revisões poderão confirmar este número na Região Nordeste. Estadão 19/7


Fernando Henrique festeja a chuva forte sobre Brasília

GILSE GUEDES


BRASÍLIA ­ O presidente Fernando Henrique Cardoso procurou deixar de lado a preocupação diante da crise de energia e comemorou, com humor, as chuvas que caíram ontem em Brasília. Em tom de brincadeira, o presidente disse que as chuvas ali nesta época do ano são um fato "inédito" e um bom sinal de que o governo brasileiro vai superar os problemas.


Em almoço oferecido ao primeiro-ministro da Irlanda, Bertie Ahern, Fernando Henrique afirmou que o fenômeno deve-se à presença do premier irlandês, que "trouxe bons fluidos" ao Brasil. "O primeiro-ministro trouxe um pouquinho do clima da Irlanda para Brasília", declarou o presidente, referindo-se ao fato de não serem registradas chuvas em Brasília há 47 dias. "No momento, passamos pela crise de energia, mas olha só a chuva em julho", brincou.


Membros da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), no entanto, preferiram não comemorar. Para o Brasil sair do plano de racionamento é preciso chover muito no Triângulo Mineiro, onde se concentram as bacias dos Rios Grande e Paranaíba. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o nível das barragens das Bacias Sudeste e Centro-Oeste estava em 27,61% ­ 1,81 ponto porcentual da curva-guia (limite para o nível de reservatórios fixado a cada mês) do GCE. (Colaborou Roberto Cordeiro) Estadão 19/7


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