Preocupante!
As reportagens abaixo da Folha e da Tribuna da Imprensa apenas testemunham. A sociedade assiste, passivamente, a transferência de recursos públicos para mãos privadas. Algumas empresas que irão se beneficiar de recursos de impostos dos brasileiros nem brasileiras são! Qualquer exame mais amplo desse processo leva à conclusões preocupantes. Basta fazer uma visita a qualquer hospital, escola ou serviço público para perceber de onde sai, ou pelo menos para onde poderia ir, esse dinheiro! Mas…. privatização, abertura de mercados, inserção no mercado internacional… não era para desonerar o estado? Conclusão: A década de 90 significou, mais carga fiscal, mais obrigações para o estado e por consequência para os cidadãos. Mas, pera aí! Isso não seria "estatização"???
Depois… nós é que somos os dinosssauros…
Com prejuízo de R$ 2,1 bi, BNDES pede ajuda à União
ELVIRA LOBATO
DA SUCURSAL DO RIO
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) fechou agosto com prejuízo acumulado de R$ 2,1 bilhões. Apesar de negativo, o resultado foi comemorado pela instituição, que havia encerrado o primeiro semestre com prejuízo recorde de R$ 2,4 bilhões.
O diretor financeiro do banco, Roberto Timótheo da Costa, informou que está sendo negociado com o Ministério da Fazenda um aumento de capital para fortalecer o BNDES.
O banco emitirá ações, que serão subscritas pela União, sua única acionista. O socorro deve vir antes do final do ano.
Até o momento, não há informação sobre o volume de dinheiro a ser injetado pelo Tesouro Nacional. A última vez que a União, como acionista, colocou recursos no BNDES foi há 20 anos, em 1983. O último prejuízo (US$ 120 milhões em valores da época) foi no balanço de 1991.
Segundo Timótheo da Costa, a necessidade de capitalização foi identificada ainda no início do ano: "Julgamos que o banco ficaria muito fragilizado por ter patrimônio de R$ 12 bilhões e poder arcar com prejuízo de quase R$ 3 bilhões", afirmou.
Sem o reforço de capital, segundo o diretor, o BNDES não poderá cumprir o Acordo da Basiléia (acordo internacional que estabelece os limites de riscos dos bancos), nem atingir a meta de R$ 47 bilhões em financiamentos pretendida para o ano que vem.
Como o pedido de reforço de caixa do BNDES esbarra na necessidade de produção de superávit pelo Tesouro Nacional, o governo cogita a alternativa de capitalizar o banco com ações de empresas estatais.
Segundo Timótheo da Costa, a União tem um estoque de ações da Petrobras, do Banco do Brasil e da Eletrobrás e de outras estatais maior do que o necessário para exercer o controle acionário sobre elas. O Tesouro entregaria ações dessas empresas ao BNDES. Para o diretor, essa solução tem a vantagem de ser neutra para o balanço das contas públicas.
O prejuízo
O prejuízo recorde do BNDES neste ano reflete o reconhecimento do risco de perdas em alguns financiamentos importantes, que vinham sendo "rolados" no passado. O principal impacto veio do provisionamento de perdas dos empréstimos de R$ 3,7 bilhões ao grupo norte-americano AES, acionista controlador da Eletropaulo.
Se não houvesse o reconhecimento do risco de perda dos empréstimos da AES, o BNDES teria fechado o semestre com lucro de R$ 855 milhões. Ao fazer a provisão, o ativo total e o patrimônio líquido do banco diminuíram e a taxa de inadimplência, de 0,5% no ano passado, saltou para 6,4%.
Segundo Timótheo da Costa, foi feita provisão para perda de todos os créditos problemáticos existentes na carteira do banco. "Os grandes problemas ficaram para trás e abre-se uma nova perspectiva para o segundo semestre", afirmou o diretor, ao anunciar o lucro de R$ 300 milhões nos meses de julho e agosto.
Se a renegociação das dívidas da AES for concluída antes do final do ano, o prejuízo do banco deixará de existir. Neste caso, a expectativa é de que o balanço anual do BNDES apresente lucro de R$ 390 milhões.
Renegociação
O BNDES assinou, no início de setembro, um memorando de entendimento com o grupo AES para renegociação da dívida equivalente a US$ 1,2 bilhão. Ele prevê a transferência das ações das principais empresas do grupo AES no Brasil -Eletropaulo, Uruguaiana e Tietê- para uma holding e a participação acionária de 50% do banco nessa nova empresa.
Segundo Timótheo da Costa, a renegociação só acontecerá se a AES entregar as ações da Tietê "livres e desembaraçadas" ao BNDES. O grupo norte-americano, segundo ele, deu os títulos em garantia do pagamento de US$ 300 milhões em bônus lançados no mercado norte-americano.
"Se não entregarem as ações [da Tietê], o acordo não será firmado. É uma barreira intransponível", afirmou Timótheo da Costa.
Eletropaulo faz proposta para alongar dívida
SANDRA BALBI
DA REPORTAGEM LOCAL
A Eletropaulo apresentou ontem, a 35 bancos credores, uma proposta de alongamento, por três anos, do prazo final de pagamento de sua dívida de R$ 2,3 bilhões que vence até 2005.
Até 15 de dezembro, quando pretende assinar um acordo com os credores, estão suspensos todos os pagamentos de parcelas da dívida que estão para vencer. Nesse período, a empresa teria de pagar US$ 70 milhões aos bancos.
Segundo Eduardo Bernini, presidente da empresa, metade da dívida tem vencimentos concentrados em 2004 e 2005, e o objetivo da negociação é readequar o perfil dos vencimentos ao caixa da Eletropaulo.
Os principais credores são bancos nacionais, como Bradesco, Itaú, Banco do Brasil e Unibanco, reunidos em dois sindicatos liderados pelo JP Morgan e pelo BankBoston.
A readequação da dívida de curto prazo envolve, ainda, US$ 67 milhões em "commercial papers" (R$ 200 milhões), totalizando R$ 2,5 bilhões de endividamento total em processo de negociação.
A proposta feita aos bancos divide a dívida total em quatro parcelas com prazos de vencimento e taxas de juros diferentes. De acordo com a proposta, 30% da dívida teria vencimento em 2006 e em 2007 e 70% em 2008.
Haverá também uma redução do estoque da dívida com exposição cambial. Hoje, da dívida total de R$ 5,3 bilhões, R$ 2,2 bilhões são em moeda estrangeira e R$ 3,1 bilhões em moeda nacional. Após o acordo, apenas 20% será em dólar.
A proposta apresentada estabelece prazos para a adesão dos credores. Os bancos têm até 14 de novembro para apresentar proposta de adesão antecipada.
"Quem aderir antes receberá um adicional de 0,25% sobre a taxa de juros oferecida em cada parcela. Todos os bancos terão oportunidade de participar das quatro parcelas", diz Andrea Ruschmann, vice-presidente financeiro da Eletropaulo.
Empresas de mídia decidem pedir
socorro financeiro ao BNDES
SÃO PAULO – A Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) comunicaram, em nota oficial conjunta, que estão preparando uma proposta de política de financiamento para as empresas da indústria de comunicação social. Essa proposta será apresentada e discutida com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O objetivo das empresas do setor de comunicação, segundo a nota, "é a criação de um programa de apoio às atividades das empresas do setor, a exemplo dos que já existem para os demais setores da economia, que contam com recursos do BNDES para suas operações".
Para o presidente da ANJ, Francisco Mesquita Neto, "a situação do setor de comunicação social reflete hoje a conjuntura econômica que o País tem enfrentado desde 2000, com a desvalorização do real, a retração do mercado publicitário e o aumento dos custos em dólar".
Nesse sentido, diz Neto, é "com transparência" que as entidades que reúnem a maioria dos meios de comunicação do País decidiram tornar público o pleito de que o BNDES venha a negociar linhas de financiamento para o setor.
A nota oficial reforça, ainda, que "a ANJ, a ANER e a Abert reafirmam seus princípios de total independência em relação a governos e partidos políticos", deixando claro que se trata de uma operação absolutamente normal e transparente entre as empresas e um banco.