Renda radicalmente baixa Basta mudar o foco das análises da questão das tarifas dos serviços privatizados. Não é necessário nenhum viés ideologico ou um alinhamento ao grupo que se convenci …

Renda radicalmente baixa


Basta mudar o foco das análises da questão das tarifas dos serviços privatizados. Não é necessário nenhum viés ideologico ou um alinhamento ao grupo que se convencionou chamar de "os radicais livres". Qualquer análise focada no orçamento familiar com um mínimo de honestidade nos levaria a perguntar : Valeu a pena para nós brasileiros a privatização tal como foi feita? A primeira reportagem do Estadão dá conta do empobrecimento geral das famílias brasileiras, mas não contabiliza o inacreditável aumento das despesas com os serviços básicos como energia elétrica e telefonia. Levados em conta esse aspecto, o empobrecimento é um filme de horror.


Afinal, vamos continuar insistindo em uma política onde a população não consegue pagar suas contas? Em breve seremos o país da inadimplência generalizada! Todos sabem como foram elaborados os contratos de concessão tão ferozmente defendidos pelos seus "cães de guarda", as agências reguladoras, irônicamente custeadas pela população. A intenção dos contratos era atrair o interesse de capitais para abatimento da dívida pública. Foi uma política do governo anterior e está "embutida" nos contratos de concessão. Se o governo atual propõe um novo rumo, como conviver com esses acordos, verdadeiros enclaves da política FHC no governo LULA? Muito tímida e envergonhadamente
movimentos contrários surgem no horizonte…


Renda é a mais baixa desde outubro de 2001


Taxa de desemprego apurada pelo IBGE chega a 12,8%, a maior desde março de 2002

JACQUELINE FARID


RIO – O mercado de trabalho piorou em maio, com aumento na taxa de desemprego e queda significativa na renda dos ocupados. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou ontem que a desocupação atingiu 12,8% no mês, a maior taxa desde março de 2002. A queda no rendimento médio dos trabalhadores também foi histórica: 14,7% em maio ante igual mês do ano passado. Foi o menor nível de renda apurado pelo instituto desde o início da série, em outubro de 2001.


O salário médio real (descontada a inflação do período) encolheu R$ 145 em um ano. Este valor representa, hoje, mais da metade do salário mínimo, de R$ 240. Em maio do ano passado, a renda média do trabalhador brasileiro atingia R$ 985,86, e no mesmo mês deste ano era de R$ 841.


"Os trabalhadores estão perdendo o poder de barganha", avalia o gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo Pereira.

"Esses dados refletem o fundo do poço da economia a que chegamos no final deste semestre", avalia o professor da Ibmec Business School, Ruy Quintans.

Segundo ele, a recuperação da economia, que deverá ocorrer a partir de agora, será lenta e não terá reflexo sobre o emprego até setembro.

O levantamento do mercado de trabalho nas seis principais regiões metropolitanas do País mostrou que não estão sendo criadas vagas suficientes para absorver o aumento na procura por emprego. Em maio, a ocupação cresceu 5,5% ante igual mês do ano passado, o que significa o acréscimo de 950 mil vagas.


Desocupados – De outro lado, o número de desocupados (não trabalham mas procuram emprego) aumentou 15,4% no período, com o ingresso de 360 mil pessoas na fila do emprego. Ou seja, mesmo com a abertura de novos postos, milhares de pessoas ainda ficaram sem ocupação.


Além disso, segundo Pereira, está ocorrendo uma desaceleração no ritmo da ocupação, enquanto a desocupação prossegue em trajetória ascendente. A informalidade também continua crescendo, com aumento de 6,9% no número de trabalhadores sem carteira assinada e de 8% nos que trabalham por conta própria. O emprego com carteira cresceu em taxa bem inferior (3,2%) no período.


A retração da renda está provocando também o fenômeno de diminuição da população não economicamente ativa (fora do mercado de trabalho). Desde maio do ano passado, 520 mil pessoas voltaram ao mercado para trabalhar ou lutar por uma vaga. O destaque, nesse caso, é o retorno dos que têm idade acima de 50 anos. O IBGE registrou um aumento de 15,5% da população economicamente ativa (no mercado, trabalhando ou procurando trabalho) nessa faixa etária no período.

A queda no rendimento dos trabalhadores foi provocada especialmente pelos resultados apurados na região metropolitana de São Paulo, que responde por 40% do mercado de trabalho das seis regiões pesquisadas. O rendimento dos ocupados caiu 14,9%, a maior redução apurada pelo instituto nessa região desde outubro de 2001.


Desencontro sobre tarifas preocupa investidor


Tentativa do governo de intervir na decisão da Anatel cria instabilidade regulatória.


O anúncio dos reajustes das tarifas de telefonia ficou dentro do que esperavam os analistas, mas acima do que previa a ata do Copom. O documento, que justifica a decisão de um corte de 0,5 ponto na taxa Selic, trouxe a previsão de um reajuste de 19% para a telefonia fixa este ano, bem abaixo, portanto, do reajuste médio de 28,75% anunciado ontem. Esse já era o percentual com o qual trabalhavam os economistas, mas havia a possibilidade de o reajuste ser parcelado em duas vezes.


De outra parte, a diferença entre o preço dos derivados de petróleo no mercado internacional e o cobrado no País mostra que há espaço para uma queda de 8,5% no preço da gasolina e do gás de cozinha, e de 24% no óleo diesel. A constatação foi feita pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, depois de avaliar as cotações externas dos produtos, do dólar americano e o valor praticado nas refinarias brasileiras, e está destacada na ata da reunião da semana passada. O Copom reduziu também suas projeções de reajustes dos preços administrados para este ano de 14,9% para 14,1%.

No caso da energia elétrica, a projeção de aumento de 23,7% recuou para 23%.


O Copom também estima em 8,9% o reajuste dos preços administrados em 2004 e em 5,3% dos combustíveis, contra 6% previstos anteriormente. As estimativas de reajustes dos preços do gás de botijão caíram 2,4 pontos porcentuais, de 4,5% para 2,4%, já incluindo os reajustes realizados este ano.


O documento divulgado ontem pelo BC deixa claro ainda que apesar de a inflação nas últimas semanas apresentar uma trajetória de queda, será difícil cumprir a meta ajustada de 8,5% prevista para este ano. No entanto, pelos cálculos dos técnicos do BC, a taxa de juros no patamar de 26% ao ano assegura uma inflação abaixo da nova meta oficial de 5,5% no ano que vem.


Com isso, a interpretação é de que o horizonte que o Copom deverá usar para definir a trajetória dos juros nos próximos meses será 2004. Isso pode abrir espaço para novas reduções na taxa de juros a partir de agora, estimulando o crescimento econômico. Pela avaliação dos técnicos do BC, o nível de atividade interna continua em desaceleração.


De acordo com a ata, o grau e a duração da desaceleração são semelhantes aos observados em outros episódios na recente História brasileira, mas o comportamento não é uniforme. "Os setores mais ligados à exportação, incluindo a agroindústria e a indústria extrativa mineral, seguem apresentando expansão. Por outro lado, o setor de bens duráveis voltado para o consumo interno, que depende das condições de crédito da economia, é o que apresenta a maior retração na comparação com o mesmo mês do ano anterior", diz o documento.


Depois da forte oscilação no final do ano passado e início deste ano, a recuperação da taxa de câmbio foi decisiva para aliviar as pressões de custo sobre a inflação, segundo os técnicos do BC. A inflação mais elevada no começo do ano foi resultado dos efeitos defasados sobre os preços da forte depreciação cambial observada em 2002 e também do número maior de reajustes por parte dos agentes econômicos com base na inflação passada. "Apesar de ainda existir alguma resistência a que os preços dos bens comercializáveis no varejo reflitam toda a apreciação cambial observada, os preços ao consumidor tendem a se acomodar sem pressões para novos reajustes", diz o documento. (Lucinda Pinto, Sheila d’Amorim, Adriana Fernandes e Gustavo Freire, de Brasília)


Seguro-apagão já está 15,78% mais caro


Reajuste, que não embute impostos, é válido até agosto e pode ser revisto em setembro

GERUSA MARQUES


BRASÍLIA – A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou ontem o reajuste de 15,78% do seguro-apagão, que passa de R$ 0,0057 por quilowatt/hora (Kwh) consumido mensalmente para R$ 0,0066 Kwh. O seguro-apagão vem sendo cobrado de todos os consumidores do País desde março do ano passado, e destina-se ao pagamento do aluguel das usinas emergenciais que foram contratadas para serem acionadas em épocas de crise de energia.


Este valor, que ainda não embute os impostos, é válido para os meses de junho, julho e agosto, e pode ser revisto novamente em setembro. A legislação prevê revisões – para cima ou para baixo – a cada três meses. O aumento vale desde ontem. Uma conta que for faturada no dia 30, por exemplo, embutirá a tarifa anterior até o dia 25 e, para os dias seguintes, haverá uma cobrança proporcional.


De acordo com uma simulação feita pela Aneel, uma residência da área da Eletropaulo (que abrange a região metropolitana de São Paulo) que gasta 200 Kwh por mês pagará conta de R$ 50,66. Nesse caso, a despesa do seguro-apagão subiu de R$ 1,14 para R$ 1,32. Na região da Light (que atende o Rio de Janeiro), uma residência que tenha o mesmo consumo, por exemplo, pagará R$ 61,72 já incluído o seguro. Todos esses valores não embutem os impostos.


Apenas os consumidores de baixa renda estão isentos do pagamento. Com as mudanças, em 2002, feitas nos critérios que definem esses consumidores, serão necessários, este ano, R$ 700 milhões para cobrir as perdas das distribuidoras de energia. Os recursos para cobrir as perdas das empresas vêm de um fundo chamado Reserva Global de Reversão (RGR). Ao todo, esses recursos devem chegar neste ano a R$ 1 milhão. A RGR é formada por um porcentual que é pago sobre o consumo de energia.


O primeiro – O aumento do seguro-apagão é o primeiro do ano e do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Em março, a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, vetou o reajuste pretendido pela Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial (CBEE), temendo mais impacto na inflação.


A explicação apresentada foi que era possível não reajustar porque o plano de contas da CBEE estava sendo revisto e deveria apresentar um resultado positivo, não havendo, portanto, necessidade de aumentar o valor cobrado pelo seguro. Nos dois trimestres anteriores, o governo passado também optou por não reajustar seu valor.

Categoria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *