Risco Cidadão
O ILUMINA quer convidar a todas as entidades organizadas da sociedade, principalmete as que se ocupam da defesa do consumidor, para a criação de uma metodologia que, à semelhança do JP Morgan, defina o Risco Cidadão . Ele poderia ser criado a partir da combinação do índice de desemprego, criminalidade, número de sequestros e balas perdidas, perda de poder aquisitivo do salário, aumentos de tarifas públicas, taxas de juros, tempo de espera em fila de hospital público, número de favelas, etc. Uma vez formado esse índice e publicado sua evolução, algum economista faria um estudo econométrico mostrando que o risco Brasil e o risco Cidadão estariam correlacionados negativamente, isto é, quando um sobe o outro cai. Será que só ai os economistas do pensamento único começariam a se convencer?
Dinheiro para as empresas de energia
BRASÍLIA – As concessionárias de energia elétrica receberão ainda este mês metade dos empréstimos como compensação financeira a que têm direito por não terem recebido a variação do dólar referente à energia adquirida de Itaipu. A informação foi dada ontem pela ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, à Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee). O pagamento será feito às empresas cujas tarifas foram reajustadas desde abril, sem incluir a variação cambial. Outros 30% da compensação serão pagos dentro de seis meses e os 20% restantes, em nove meses.
Segundo o diretor-executivo da Abradee, Luiz Carlos Guimarães, faltam apenas ajustes dentro do governo para reduzir o impacto dos pagamentos sobre o superávit primário. O dinheiro será repassado do Tesouro para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que fará as liberações para as empresas.
Guimarães disse que ainda não há um número fechado sobre o valor global da operação por causa da queda continuada da cotação do dólar, que reduz a necessidade de repasses para empresas que ainda não tiveram autorização para o reajuste.
Salário do setor é o mais baixo desde o início de 92, aponta CNI
Alta da inflação e contenção dos reajustes explicam redução de 7,74% em 12 meses
ALAOR BARBOSA
RIO – Os salários reais pagos pelo setor industrial no mês de março estão no mais baixo nível desde o início de 1992, quando a Confederação Nacional da Indústria (CNI) começou a fazer esse acompanhamento. Segundo a CNI, o índice que afere o "salário real" da indústria ficou em 95,64 em março, o que representa queda de 5,78% em relação aos níveis vigentes em dezembro do ano passado e de 7,74% sobre os registrados em março de 2002 – a 15.ª queda consecutiva.
A rigor o nível observado em março só ficou acima do registrado nos três primeiros meses de 1992, quando o País vivia as incertezas políticas devido ao processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor. No auge do Plano Real, em maio de 1995, a CNI apurou um índice equivalente a 120,71 – de lá até março, a queda foi de 20,77%. .
Na avaliação do economista da CNI, Flávio Castelo Branco, a queda no poder aquisitivo resulta da aceleração da inflação nos últimos meses do ano passado e no primeiro trimestre deste ano e da redução de custos. "Os reajustes salariais não foram suficientes para acompanhar o aumento da inflação nos últimos meses", disse Castelo Branco. A entidade utiliza o INPC para calcular o "salário real", ou seja, a média salarial descontados os efeitos da inflação. Na opinião do economista, "é menos oneroso" para a indústria conter os salários do que demitir pessoas", nos momentos de desaceleração da economia, como ocorre atualmente. O indicador que afere o número de trabalhadores na indústria registra aumento de 0,34% no trimestre e de 1,05% nos últimos 12 meses, revelando estabilidade.
A redução dos salários reais acaba sendo uma forma de redução de custos com as empresas compensando a pesada compressão das margens de lucros observada nos últimos meses. Essa compressão nas margens permitiu ao País conseguir melhoria no câmbio relativo, facilitando os ajustes das contas externas.
(AE)
Risco Brasil é o menor em 2 anos
Petrobras capta US$ 550 milhões e Itaú, US$ 150 milhões. Ibovespa tem 3ª alta seguida
O risco Brasil medido pelo banco americano JP Morgan chegou ontem a cair abaixo dos 700 pontos, atingindo o menor nível desde fevereiro de 2001. No fim do dia, a taxa ficou em 706 pontos, ainda sim um novo patamar recorde e a quinta queda consecutiva (-1,8%). O resultado refletiu nova valorização do C-Bond, principal título da dívida brasileira negociado no exterior, que subiu 0,04% e fechou negociado a 91,14% de seu valor de face, outra cotação histórica.
O Ibovespa fechou em alta pelo terceiro pregão consecutivo, na contramão das principais bolsas do mundo. O mercado paulista se animou com a desaceleração da inflação e com apostas de corte nos juros na próxima semana. O índice encerrou o dia com valorização de 0,75%, aos 13.420 pontos. É a maior pontuação desde 19 de abril do ano passado (13.478 pontos). Com o resultado, a Bolsa de Valores de São Paulo acumula ganhos de 1,5% na semana, de 6,8% no mês e de 18% no ano. O volume financeiro voltou a surpreender, atingindo R$ 1,088 bilhão.
A Petrobras concluiu ontem operação de captação de US$ 550 milhões em bônus no mercado internacional. A operação é garantida pelas receitas com exportações futuras (securitização de recebíveis). Segundo o gerente-executivo de Finanças da Petrobras, Almir Barbassa, os recursos só deverão ingressar no país no próximo dia 21. A demanda chegou a ser três vezes maior do que o volume efetivamente captado. Os papéis, com prazo de 12 anos, têm cupom médio de 6,436% ao ano. No mês passado, a estatal já havia captado US$ 400 milhões.
O Itaú também concluiu captação externa, de US$ 150 milhões, o triplo da oferta inicial. Com prazo de 18 meses, os papéis (fixed rate notes) pagarão cupom de 5% ao ano. O dinheiro não deverá entrar no país, já que a operação será realizada por meio do Itaú de Grand Cayman. Apesar das captações, o dólar comercial fechou o dia vendido a R$ 2,892, com alta de 0,94%, após cinco quedas. Operadores culparam uma grande compra de dólares feita pelo Banco do Brasil, que chegou a ser interpretada como intervenção branca.
Prejuízo do BNDES com AES pode chegar a R$ 3 bi
Ações da Eletropaulo valem, no máximo, um quarto do total da dívida da multinacional
NICOLA PAMPLONA e MÔNICA CIARELLI
RIO – A venda da participação da AES na Eletropaulo pode acarretar um prejuízo superior a R$ 3 bilhões para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Relatório do Banco Pactual e números contabilizados pelo próprio BNDES estimam que as ações da Eletropaulo, dadas pela AES em garantia na operação de financiamento para a privatização da distribuidora, valem, no máximo, um quarto do total da dívida da multinacional com o banco estatal, atualmente em R$ 4,1 bilhões.
Hoje, a direção do BNDES encontra-se novamente com o vice-presidente da AES, Joseph Brandt, à espera de uma nova proposta de pagamento da dívida, vencida desde o início do ano. O banco já notificou a empresa sobre a execução extrajudicial das garantias, com a oferta pública das ações. O objetivo é recuperar, pelo menos, parte do prejuízo.
Em relatório distribuído a clientes, o banco Pactual atribui à participação da AES na Eletropaulo – 74,88% das ações ordinárias e 70,19% das preferenciais – um valor de R$ 820 milhões. Ou seja, a participação acionária total da empresa americana corresponde, hoje, a apenas 20% da dívida acumulada com o banco desde 1998, quando adquiriu a distribuidora.
Segundo o documento, o BNDES já fez uma provisão de R$ 1,226 bilhão para perdas com a dívida da AES. Se vendesse as ações a preços de hoje, teria que provisionar outros R$ 2,041 bilhões, chegando à perda total de 3,267 bilhões.
O cálculo do Pactual leva em conta o valor das ações preferenciais da distribuidora na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Não considera um possível prêmio pelo controle, pago pelo comprador das ações ordinárias, "até porque quem comprar as ações nem terá certeza de que irá controlar a empresa, que pode vir a ser alvo de uma disputa judicial", diz Pedro Batista, analista do Pactual. O BNDES avalia em R$ 1,1 bilhão o valor dos ativos dados em garantia, o que representa 26,8% do valor da dívida. "A falta de acordo é ruim para o BNDES.
Significa prejuízo no balanço; o banco poderia receber mais no longo prazo, caso a distribuidora dê melhores resultados, e, do ponto de vista desenvolvimentista, pode impactar na operação da maior distribuidora de energia do Brasil", diz o analista do Pactual.
Uma fonte ligada às negociações diz que o leilão anunciado pelo BNDES na sexta-feira não tem sequer um cronograma previsto. Os 107 dias anunciados pelo presidente do banco, Carlos Lessa, como prazo mínimo para a venda das ações referem-se apenas ao período necessário para que o processo siga a lei das licitações. Neste caso, o banco teria de contratar empresas para fazer a avaliação das ações e depois iniciar o processo de venda, com road shows para atrair investidores e conseguir melhores preços.