Vejam bem sob que risco que o governo FHC colocou o país. As dimensões dos reservatórios brasileiros são equivalentes à 4 anos de afluência média dos rios. Se é verdade que estamos entrando em um período sêco prolongado, fato totalmente previsível dentro do setor elétrico brasileiro, percebam a gravidade de iniciarmos esse período com os reservatórios vazios.A probabilidade de levarmos de 2 a 4 anos para enchermos e voltar à condição de normalidade não é nada desprezível.
Tendência é chover pouco no próximo ano
Análise é do meteorologista do Banco de Investimento Salomon Smith Barney
FABIO ALVES
Correspondente
NOVA YORK – "Vai chover?" Esta é uma pergunta que o metereologista Jon Davis já se acostumou a ouvir. "Mas até há pouco tempo jamais imaginaria que receberia ligações de pessoas do Brasil a respeito da próxima estação de chuvas", disse Davis. Funcionário do Banco de Investimentos americano Salomon Smith Barney, o metereologista observou um grande aumento na demanda por seus estudos sobre as condições climáticas do Brasil, particularmente o impacto sobre os reservatórios e a geração de energia elétrica.
As previsões de Davis, formado em metereologia pela Universidade de Wisconsin, contribuem para guiar os analistas do Salomon Smith Barney nas suas recomendações para os investidores estrangeiros das ações de empresas do setor elétrico (como Eletrobrás, Copel, Cemig e outras) e de infra-estrutura (como a Sabesp) do Brasil e da América Latina.
"Até há alguns anos, o grande foco do meu trabalho era fornecer análises metereológicas para os analistas de commodities agrícolas, como milho, trigo, açucar e café, entre outras", observou Davis. "Mas os estudos climáticos direcionados para o setor de energia tomam agora uma boa parte do meu tempo. A crise do racionamento de eletricidade no Brasil é um bom exemplo de como cresceu a demanda pelo trabalho de metereologistas para o setor energético."
Para os brasileiros ansiosos sobre a próxima estação de chuvas, que vai de novembro a abril de 2001, Davis disse que é preciso esperar até o final de agosto e início de setembro para se fazer uma previsão mais próxima da realidade, porém com os dados que dispõe de padrões climáticos, ele disse estar tendendo ao pessimismo. "A razão para estar numa posição entre neutro tendendo para o pessimismo é por causa do chamado efeito residual, ou seja, toda vez quando acontece um ano de seca ou de baixíssimos níveis pluviométricos, é muito provável que a estação seguinte seja de poucas chuvas."
Apesar de querer esperar para até agosto para estabelecer probabilidades em termos de volume de chuvas, Davis disse achar muito difícil que, mesmo se houver um nível perto da média normal de chuvas na próxima estação, a situação dos reservatórios brasileiros saia de um estágio crítico.
Os especialistas acreditam que é preciso chover entre 80% a 100% da média considerada normal de chuvas para recuperar os níveis dos reservatórios brasileiros, que já estão inferiores a 30% da sua capacidade. O pior é que, segundo os dados preliminares de Davis, as condições climáticas poderão ser bastante semelhantes à registrada na estação do ano passado.
Segundo ele, a necessidade de antecipar os padrões climáticos vem se tornando algo fundamental para as análises de desempenho de ações de empresas de setores cada vez mais variados. "Pode ser desde uma ação de uma distribuidora de gás natural até uma engarrafadora de bebidas", disse.
Os estudos e análises das condições climáticas em todas as regiões do planeta são ferramentas obrigatórias em todos os bancos de investimentos, embora boa parte das instituições utilizem os serviços externos de consultorias em vez de manterem metereologistas como parte do quadro de funcionários. (AE)
FMI cobra explicações ao Brasil sobre crise de energia
Brasília, 4 – O FMI pediu hoje ao governo brasileiro explicações sobre o racionamento de energia. A missão do fundo, chefiada por Lorenzo Pérez, esteve reunida hoje com o secretário Nacional de Energia (Afonso Henriques Moreira Santos) e técnicos do ministério de Minas e Energia. Segundo o Moreira Santos, os representantes do Fundo se "entusiasmaram" com o sistema de leilões adotado no Brasil para a transferência da energia excedente de um setor para outro da economia por meio de leilões no Mercado Atacadista de Energia para que a crise provoque o menor impacto possível na economia. Pelo jeito não entenderam como funciona a garantia no sistema brasileiro. Ou será que explicaram errado? Excedentes?
Ao deixar a reunião, Perez disse que há uma "expectativa de este ano não seja tão mal", diante dos problemas de abastecimento de energia. O secretário de energia destacou que os leilões foram elogiados pela equipe do FMI e do Banco Mundial na semana passada, por tratar-se de uma solução de mercado para a crise, que poderia ter sido adotada inclusive na Califórnia antes da aplicação de apagões. O ministério também apresentou à missão do Fundo os projetos de expansão da oferta de energia, explicando a participação das estatais de com investimentos minoritários ou em projetos que exigem urgência e que não despertam o interesse da iniciativa privada.
O secretário disse ainda que a Aneel poderá criar regras reorganizar a lista das empresas investidoras do Programa Prioritário de Termeletricidade (PPT) com as empresas que estão realmente em condições de efetivar os projetos. Desta forma, algumas usinas poderiam sair do programa para dar lugar a outros projetos. As regras para a concessão de autorizações de termelétricas também poderão ser revistas pela Aneel. Isso ocorreria, segundo ele, para que as empresas se comprometam mais com os projetos, dando andamento mais ágil. A privatização das estatais de geração de energia também foi tema na reunião, mas o secretário não deu detalhes de como o governo irá conduzir o processo. Fonte: Folha Online (Patricia Zimmermann)
Modelo energético baseia-se no setor privado, diz FHCBrasília, 5 – O presidente Fernando Henrique Cardoso garantiu, durante seu pronunciamento no anúncio do programa de aumento de oferta de energia no País, que reafirma o modelo definido pelo governo para o setor elétrico, baseado no investimento privado. Segundo ele, uma das razões para manutenção deste modelo é que o setor público não tem recursos disponíveis para fazer a expansão necessária da oferta de serviço Mentira!
FHC disse que o objetivo fundamental do governo, no momento, é evitar os apagões, ou seja, os cortes no fornecimento de energia elétrica. O presidente lembrou que alguns países – e citou os EUA – não têm conseguido evitar esse corte de energia, mas, na opinião dele, o Brasil tem condições de evitar os apagões, desde que seja mantida a boa cooperação entre governo, sociedade e empresas. "Temos condições de evitar isso, e dependemos basicamente do apoio da sociedade, que tem sido admirável." Fernando Henrique Cardoso lembrou que a introdução do racionamento de energia teve como objetivo minimizar os impactos da crise no crescimento, na renda e no emprego no País. Fonte: Agência Estado (Renato Andrade)