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Só mesmo uma cabeça tomada por idéias inspiradas pelo FMI insiste em vender uma empresa como a COPEL. Aliás, vender qualquer empresa do estado no atual cenário de escassez de energia, é um escárnio com a sociedade brasileira. A venda não se justifica sob nenhum aspecto pois a COPEL é uma empresa lucrativa e garadora de grande parte da energia da região sul, o que no cenário atual , a torna uma jóia da coroa das empresas brasileiras.


De outro lado o modelo adotado continua fazendo os estragos na inflação e no bolso do brasileiro.


Copel derruba liminar e realiza audiência

Miriam Karam, De Curitiba


O leilão para privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel) foi marcado ontem para o dia 31 de outubro deste ano. A audiência pública com o anúncio dos próximos passos do processo de venda da estatal foi garantida pela Justiça no final da tarde de ontem. O valor mínimo de venda não foi divulgado, mas o mercado aposta em aproximadamente R$ 8 bilhões.


A audiência havia sido suspensa por liminar concedida às 1h20 da madrugada pela juíza do plantão cível, em resposta a ação popular impetrada pelo vereador André Passos (PT), de Curitiba.


Inicialmente, a audiência estava marcada para a manhã de ontem, mas a cassação da liminar só aconteceu à tarde e audiência começou às 17 horas.


Os pontos principais do processo de privatização foram anunciados pelo governo do Paraná, dono de 31,1% do capital total da Copel. O representante do Banco Fator, Venilton Tardini, apresentou a decisão dos advisers, que aconselham a venda da Copel em bloco único, com oferta de venda de um montante entre 8,5% e 10% das ações aos empregados da estatal, de suas subsidiárias e aposentados.


De acordo com Tardini, cuja empresa faz parte do Consórcio Diamante liderado pelo Banco Dresdner Kleinwort, quatro grupos financeiros estrangeiros já participaram ou se inscreveram para o data room (sala de dados) da Copel – o alemão LWR, o espanhol Endesa, a Eletricité de France (EDF) e a Tractebel. Respondendo a uma pergunta do público que compareceu à audiência, Tardini informou que outros grupos já manifestaram interesse, entre eles o VBC (Votorantim, Bradesco e Camargo Correa), o único de capital nacional entre os interessados.


O edital de venda, segundo o cronograma apresentado pelo governo, será publicado no dia 24 deste mês. O data room se encerra no dia 26 de outubro.


Com o conhecimento da liminar que suspendia a audiência pública, o dia transcorreu tenso, tanto do lado do governo como da oposição à privatização. A liminar foi cassada pelo presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, desembargador Vicente Troiano Netto, que não reconheceu a alegação de vícios de procedimento para realização da audiência.


O vereador Passos argumentava que não havia sido dada a necessária publicidade à audiência, limitando a participação do público. "Todos os meios legais devem ser utilizados para impedir a venda da Copel", afirmou.


Mas o desembargador, em seu despacho, argumentou ter havido "a necessária publicidade do ato, pela divulgação de comunicados na imprensa particular e também na imprensa oficial, com antecedência de mais de dez dias". O presidente da Copel, Ingor Hubert, disse que a empresa não conseguirá sobreviver num ambiente competitivo. "Por isso ela precisa ser privatizada", afirmou.


Esta foi a primeira liminar obtida contra o processo de privatização. Mas o governo do Paraná ainda vai ter de enfrentar outras ações que correm na Justiça e a votação de projeto de lei de iniciativa popular que proíbe a venda da estatal. A Assembléia Legislativa deve votar o projeto na segunda quinzena deste mês.


Em princípio, o governador Jaime Lerner (PFL) conta com maioria dos votos na Assembléia.


Tarifa e alimento fazem inflação disparar em SP

Wagner Gomes e Débora de Oliveira Da GloboNews.com


SÃO PAULO. A inflação está subindo mais do que o esperado. O Índice de Custo de Vida (ICV) do Dieese – que considera as famílias residentes na cidade de São Paulo com renda mensal de R$ 377,49 a R$ 2.792,90 – subiu 2,12% em julho, contra 1,53% em junho. É a maior taxa desde julho do ano passado, quando o índice ficou em 2,13%. O ICV já acumula alta de 5,93% este ano (janeiro a julho) e de 9,01% nos últimos 12 meses.


Os preços públicos e tarifas administradas (energia elétrica, gás de botijão, gasolina, metrô, trens, ônibus e telefone) foram os principais fatores de pressão. A maior alta foi a do grupo Habitação (5,69%).


Segundo Cornélia Nogueira Porto, coordenadora da pesquisa de preços do Dieese, a sobretaxa de energia (11,38%) e o aumento da tarifa da Eletropaulo foram os principais fatores da alta no grupo Habitação do Índice de Custo de Vida.


– Se não fossem os preços públicos, a taxa do mês passado seria bem menor. A grande preocupação do governo é segurar a inflação, mas isso parece inócuo, pois o que pressiona a inflação são justamente os preços administrados por ele – diz Cornélia.


Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo, ficou em 1,21% em julho. No início do mês, o coordenador do IPC, Heron do Carmo, chegou a estimar uma taxa de 0,60% ou ainda menor. A inflação apurada pelo IPC em julho é a maior desde agosto do ano passado, quando atingiu 1,55%. O IPC iniciou o ano com 0,38%.


No caso do IPC da Fipe, os maiores fatores de pressão foram a alta das tarifas públicas e do item Alimentação. As tarifas administradas pelo governo contribuíram com 0,81 ponto percentual do IPC do mês passado. Heron do Carmo disse que não contava com a elevação de alguns alimentos. O item Hortifrutigranjeiros passou de uma variação negativa de 4,02% na prévia anterior para uma alta de 0,66% no fechamento do mês. Somente o mamão, por exemplo, subiu 36,24%.


Carmo prevê uma inflação de 1% em agosto na cidade de São Paulo. Ele disse que uma boa parte do reajuste das tarifas de energia ainda está por vir. Segundo Carmo, além dos 16,6% de alta na energia, será contabilizada este mês a sobretaxa de 9%.


De acordo com o economista, do reajuste total da energia, apenas 4,9% foram incorporados ao IPC em julho. Sobram, portanto, 21% que devem ser verificados principalmente em agosto. O impacto da energia em setembro será um pouco menor. Água e esgoto, gasolina e telefone fixo não devem influenciar muito o IPC em agosto, já que a maior parte do aumento já foi contabilizada no mês de julho. Ônibus, metrô e integração já deixam de afetar o índice neste mês.


A Fipe mantém a previsão de inflação de 5,5% para a inflação em São Paulo neste ano, apesar da alta inesperada de julho. Carmo disse que o índice é plausível porque a safra agrícola deste ano foi muito boa e porque não está previsto aumento das tarifas públicas a partir de setembro. No acumulado dos primeiros sete meses do ano, o IPC ficou em 3,9%. O economista lembrou que, nos últimos quatro meses do ano passado, a inflação chegou a 0,49%, um índice que pode se repetir no mesmo período deste ano.


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