Valor Econômico 5/1/2001
Mercado Atacadista de Energia
Essa oscilação do preço da energia no "spot" revela a desvalorização do futuro impregnada nos modelos que calculam esse valor. O sistema atual associa um valor de apenas US$ 300 para cada MWh não suprido em situações futuras de oferta e demanda. O Canadá, que tem um sistema hidríco parecido com o brasileiro e, portanto, sujeito às probabilidades do regime de afluências, associa US$ 3600 para cada MWh. É preciso não esquecer que os investimentos em novas usinas no futuro também podem se transformar em eventos aleatórios.
O preço do MAE está impregnado de uma visão de curto prazo que não serve nem ao consumidor nem aos investidores. A manchete da notícia, no fundo, revela a armadilha: O que derruba os preços é a chuva, não os investimentos.
Chuvas derrubam os preços da energia – Desde novembro, cotação caiu a um terço
Leila Coimbra | De São Paulo
O preço da energia comercializada no Mercado Atacadista de Energia (MAE) em janeiro está custando um terço dos valores negociados em novembro, surpreendendo o mercado, que esperava esse patamar de preços somente em fevereiro. "A previsão é de valores ainda mais baixos nos próximos dois meses, se as chuvas continuarem", diz o analista da Sudameris Corretora, Marcos Severine. Nos últimos três meses, a queda nas Regiões Sudeste, Centro- Oeste e Sul, foi de 61%. O megawatt/hora (MWh) era comercializado a R$ 149,70 em novembro e custa agora R$ 56,92. No Norte e Nordeste, onde custava R$ 127,30 há dois meses, é comercializado a R$ 33,87, registrando uma queda de 73%. Esses valores referem-se a todos os patamares de carga (pesada, leve e média) e foram divulgados pela Asmae (administradora de serviços do MAE).
Em janeiro do ano passado, quando os preços ainda eram fixados pela Aneel, os valores praticados no mercado foram de R$ 285,50 para o Sudeste-Centro Oeste e Sul e R$ 187,58 no Nordeste e Norte. O principal motivo para a queda, segundo informações do MAE, foram as chuvas no final de 2000, que encheram os reservatórios das usinas hidrelétricas, antecipando o período de cheia que tradicionalmente tem início neste mês. Em janeiro há uma desaceleração sazonal de demanda energética. Outro fator levantado é que cerca de 1.000 megawatts novos estão entrando no sistema da térmica de Uruguaiana e de novas turbinas de Itá, Porto Primavera e Manso.
Em todo o Brasil, o preço no mercado atacadista está mais baixo que o Valor Normativo imposto pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), de R$ 62,00 o MWh. Esse é o teto que pode ser repassado pelas distribuidoras elétricas para as tarifas dos consumidores finais.
"Isso diminui o risco das distribuidoras que precisam comprar no mercado e, por outro lado, prejudica marginalmente as geradoras, que estavam vendendo suas sobras em contratos mais lucrativos", diz Severine.
A Eletropaulo Metropolitana é uma das empresas que se beneficiam dos valores mais baixos. Como o seu mercado consumidor é crescente, ela estava tendo de comprar de quem tinha sobras para cumprir seus compromissos. As geradoras, que tinham produção excedente, terão de vender por preços menores.