ZERO HORA 19.09.97 Estado oferece distribuidoras por R$ 1,67 bi O leilão das duas empresas desmembradas da CEEE será feito pelo sistema de envelopes fechados em 21 de outubro AYR ALISKIA venda das distribuidoras Norte-N …

ZERO HORA 19.09.97




Estado oferece distribuidoras por R$ 1,67 bi

O leilão das duas empresas desmembradas da CEEE será feito pelo

sistema de envelopes fechados em 21 de outubro

AYR ALISKI

A venda das distribuidoras Norte-Nordeste e Centro-Oeste de

energia elétrica do Rio Grande do Sul vai gerar pelo menos R$ 1,675

bilhão ao Estado. Esse é preço mínimo fixado no edital publicado ontem

que estabelece as regras para a privatização das duas empresas. O valor

é superior aos R$ 1,4 bilhão que o governo pretende arrecadar em 1998

com a venda de outras estatais, conforme a proposta de Orçamento

encaminhada à Assembléia nesta semana.

Serão leiloadas pouco mais de 90% das ações de cada uma das

distribuidoras. O resto das ações será vendido aos funcionários da

Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), por preço especial. O

edital definiu que o mesmo grupo não poderá adquirir as duas

distribuidoras. Para os consumidores, fica garantido que não haverá

aumento real (acima da inflação) de tarifas pelo menos durante cinco

anos. ãO teto máximo é o que está em vigor hojeä, disse o secretário de

Minas, Energia e Comunicações, Assis Roberto de Souza. Ele antecipou

que o governo estuda a venda de 49% das ações da distribuidora

Sul-Sudeste, cujo controle permanecerá com o Estado.

O leilão das duas companhias ocorre no dia 21 de outubro, na sede

da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs), em Porto Alegre. Nessa

data, serão abertos os envelopes com as propostas dos grupos privados.

Caso a diferença entre a proposta de maior valor e a segunda colocada

seja igual ou menor que 5%, haverá repique, ou seja, disputa ao vivo pelo

melhor preço. O preço mínimo de venda da distribuidora Norte-Nordeste

é de R$ 895.295.467, e da Centro-Oeste, R$ 780.127.273. Assis explicou

que a distribuidora Norte-Nordeste foi mais valorizada porque oferece

melhores condições de mercado, de localização e de crescimento.

Segundo Assis, o preço mínimo estipulado ficou próximo do valor

real de venda, o que deve eliminar um forte ágio (sobrevalorização sobre

o preço mínimo). ãO Estado não está na competição pelo maior ágioä,

disse. Alexandre Fernandes, analista de energia do Banco Bozano,

Simonsen, considerou, porém, o valor baixo. Ele previa que cada

distribuidora teria o preço mínimo de R$ 1 bilhão. Para Fernandes, há

indícios de que o ágio deve passar de 25%. Os recursos captados com a

venda da distribuidora Norte-Nordeste serão investidos em áreas como

educação, saúde, segurança pública e em setores considerados

prioritários. O dinheiro obtido com a privatização da distribuidora

Centro-Oeste será aplicado no abatimento de dívidas da CEEE

contratadas com agentes financeiros e com a União. Essa dívida é

estimada em R$ 1,7 bilhão, e não envolve os passivos trabalhistas da

companhia.

Os operadores privados vão contar com financiamento de 50% do

valor mínimo, concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento

Econômico e Social (BNDES), com prazo de oito anos (dois de carência)

e juros que devem variar entre 4% e 6% ao ano. As condições podem

variar de acordo com a capacidade de cada operador.

O edital estabelece como critério de habilitação para o leilão a

existência de um contrato com um operador técnico que comprove

atendimento a pelo menos 900 mil unidades consumidoras. Isso que

representa uma empresa do porte de cada uma das distribuidoras.

Empresas como a Escelsa, do Espírito Santo, e a CERJ, do Rio,

cumprem essa exigência.

Os novos controladores das distribuidoras terão de realizar obras

que atendam a demanda do mercado e manter projetos para populações

de baixa renda e em áreas rurais. Também ontem o governo publicou o

edital que define as regras para a contratação da consultoria que será

encarregada de fazer a avaliação e modelagem de venda do controle da

Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT).


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